O chaçomobile

Só quem tem um chaço é que sabe o terror psicológico que é quando o único lugar disponível para estacionar é junto a um caixote do lixo (ou ecoponto) e não saberem se no dia seguinte o carro está no mesmo sítio ou se foi levado, por engano, para o aterro (ou centro de reciclagem).
Só quem tem um chaço é que sabe o quão irritante é ter de tirar, todos os dias, papelinhos do limpa pára-brisas de gajos a quererem comprá-lo para peças.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é estar constantemente pronto para uma fatalidade e andar sempre com a bagageira cheia com garrafões de água destilada para o radiador, de cabos de bateria e de bombas de ar de pedal.

Só quem tem um chaço é que sabe o que é andar no coração nas mãos quando se ouve um barulho fora do normal dos barulhos que o carro já faz.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é andar no Inverno de janelas abertas, a apanhar o frio e a chuva na tromba, porque a sofagem não funciona e o vidro não desembacia.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é perder noites a fazer contas ao dinheiro que vai custar a revisão ao bólide para ir à inspecção.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é fazer olhinhos ao senhor do centro de inspecções para que o gajo passe o veículo com distinção.

Só quem tem um chaço é que sabe o que é fazer um percurso de GPS à volta de Lisboa porque o ano do carro não o permite entrar no centro.
Só quem tem um chaço é que sabe que apesar de todas as dores de cabeça, de coração e de carteira que causam não conseguimos viver sem eles.

É o meu Twingo. É um "granda" chaço mas eu adoro-o!

Eu vivo para isto

Se há coisa que, às vezes, gosto de ver são os nossos telejornais deprimentes e chegar à conclusão que vão buscar os temas para as reportagens ao OLX e ao Custo Justo.
Ora vejamos, reza a história no telejornal da TVI de ontem que uma badalhoca vendeu um telemóvel através das redes sociais mas que a sua inteligência era pouca, esgotando-se quando clicou em "submeter anúncio" e não se lembrou de formatar o equipamento. Vai daí, que o gajo que lho comprou, que devia ser de Olhão porque teve um grande olho para o negócio, aproveitou-se do facto de haver imagens comprometedoramente badalhocas e vai de lhe pedir favores de cariz sexual.

Claro que a moça, choninhas, em vez de fazer o favor de, quiçá, um broche ou uma punhetazinha ao moço foi fazer queixinhas à polícia que o deteve logo de seguida. Desde quando é que uma pessoa é detida por pedir favores? É que se isto pega moda eu nunca mais peço favores a ninguém, senão um dia destes, vou parar à pildra juntamente com toda a população portuguesa que adora pedinchar.
Como se isto não bastasse, a jornalista que estava a narrar a reportagem encaixa ali no meio a melhor frase de sempre "o caso já se vinha a arrastar". Nota-se, à légua, que esta jornalista é uma brincalhona nas horas livres e que gosta de meter o seu dedo (ou a mão inteira) de humor subtilmente nos seus textos.

A juíza deveria deter a rapariga que vendeu o telemóvel pois devia ser proibido andar na rua sem um cérebro minimamente funcional. Já ao moço daria uma medalha por boa educação, por ter a honestidade e humildade de admitir que não consegue autosatisfazer-se e ter tido a coragem de pedir um favor. Tanta campanha sobre a impotência ter cura basta procurar ajuda e quando, finalmente, aparece um gajo pedir ajuda para levantar o marsápio é enxovalhado. Este País vai bonito, vai!

Duas coisas são infinitas: O Universo e o meu azar

Porque já não bastava ter a bica da fonte entre as pernas a jorrar sangue todos os meses quis o Universo que as tetas fossem constituídas maioritariamente por tecido adiposo que é como quem diz: por banhas foda-se!  Oras, qualquer leigo percebe que, assim, que começamos a perder peso as mamas são as primeiras a esfumar-se. Num dia saímos à nossa mãe e no dia seguinte: SURPRESA! Agora sais ao pai.
Maneiras que com isto de ter as tetas mais murchas descobri um quisto na da esquerda. Fiz um like mental ao Universo e disse-lhe em tom brincadeira que tinha um sentido de humor mais escuro do que um buraco negro e que o timing não era o melhor visto que eu estava, finalmente, a ter uma vida saudável e que quinar agora, para além de não me dar jeito, era um bocado mau da parte dele. Adiante.

Andei ali um mês a remoer sem contar ao Abade nem à minha mãe, claro que quando finalmente contei levei uma épica piçada de cada um e só faltou levarem-me pelas orelhas ao médico. Marquei exames e fui fazê-los por duas vezes porque da primeira o gajo era um velho simpático mas tarado que me apalpou os marmelos por um tempo acima do medicamente aceitável e deve ter-se distraído com a qualidade dos mesmos que se baralhou todo no relatório e a médica achou por bem mandar repetir o exame porque aquilo estava uma grande javardice. Recomendou-me três clínicas: o IMI, o Euromedic ou a Crear. Como a sigla IMI é sinal de mau presságio e todos os anos faz-me chorar um bocadinho achei por bem escolher uma das outras.

E lá fui hoje para Lisboa. Comecei bem: a máquina que carrega os cartões Viva do Metro papou-me 2,80€ por duas viagens, não me deu talão e nem carregou o cartão. Não havia ninguém para reclamar, tive de lhes encher novamente o cú com mais 2,80€ e lá segui o meu caminho para a confusão, à pressa e atrasada, para uma clínica onde apesar de super chique e eficiente no exame ninguém me apalpou interminavelmente as Josefinas. Não percebi porquê, uma vez, que até sou uma gaja lavadinha.

À la carte

Fui ao Osaka e a minha vida mudou. Não sabia que existiam restaurantes japoneses em que a comida era feita na hora, a pedido e só pagava o preço do menu. Até hoje, ainda só tinha ido a buffets (daqueles em que a comida parece uma pastilha elástica gorila ao fim de ser mascada durante meia hora) e ao Home Sweet Sushi (caríssimo como as cullotes do Luis XV e poucachíssima quantidade) maneiras que isto foi uma experiência avassaladora.
Desconhecia o termo "à la carte" e fiquei fascinada de ver que cada vez que pegava na ementa aparecia-me uma japonesa vinda não-sei-de-onde de bloco em riste pronta para apontar o meu pedido. Parecia um cartoon: eu levantava ementa e ela aparecia, eu baixava a ementa e ela desaparecia e isto vezes sem conta.

Pontos positivos? Comer o meu peso em sushi e em gambas. Queixar-me de dores de barriga mas continuar a comer até sentir o sashimi a assomar-se-me na goela.
A parte chata é que o Abade é um perigo com os pauzinhos e ia-me vazando uma vista. Não sei como é que um dos pauzinhos fez ricochete no outro, saiu disparado contra mim e eu, de tão cheia que estava, nem me mexi, limitei-me a levar com ele na tromba e ainda me fiquei a rir. 

O ponto negativo é que as bebidas são caras que nem pepitas de ouro que eu até torci os olhos por isso fiquei-me por uma latinha miserável de coca-cola que me deu arrotos para o resto da noite.

Assim que fizer a digestão do que comi na semana passada regresso lá.

Parabéns a todas as mulheres

Porque um homem nunca entenderá a dor que é estar a aparar a pintelheira com uma tesoura e, sem querer, mandar uma naifada nas bordas do pito.

Cenas do Fitness #2

Jovem! Sim tu! Tu que estás na demanda por um corpo saudável.
Há-de chegar uma altura em que as gentes com dor de cotovelo te irão abordar, como um arrumador de carros aborda num parque de estacionamento a abarrotar, e vão-te questionar se estás mais magra por motivos de doença ou se é porque (pasmem-se!!!) simplesmente assim o queres. Tu juras que lhes consegues ver na expressão que elas preferiam que fosse doença para poderem falar por trás, por isso, não sejas desmancha-prazeres, faz-lhes a vontade e diz-lhes que o teu sonho de consumo era ser uma bola de berlim mas que a tua doença mental assim não o permitiu, que já tens cadastro de agressão por esquizofrenia e que estás prestes a ter um ataque a qualquer momento.
Irás ver que te irão abordar cada vez menos porque, inevitavelmente, vão espalhar o rumor que és louca e convém manter uma distância mínima de segurança!

Se isto não funcionar. Mandai-os tomar no cú!

Agente piadolas

Eram 23h30 de um quinta-feira gelada de Fevereiro. Estava a sair do trabalho e sou mandada parar numa operação stop junto a uma rotunda. Para além de ser difícil encostar numa rotunda porque aquela treta é redonda pergunto-me quem é que faz uma operação stop à procura de bêbados às onze e tal da noite de uma quinta feira quando estamos a meio do mês e o pessoal está demasiado teso para se embebedar?! Adiante.
De repente lembrei-me que ando há coisa de um mês com o pisca do lado direito fundido e que ia ser multada por causa disso. Pensei meter prego a fundo e fugir mas depois, possivelmente, iam dar comigo cinco metros mais à frente parada. Porque está frio e o carro é um bocado podre para aguentar cenas à too fast too furious.

Encosto o carro e o xôr Agente pede-me os documentos e desaparece deixando-me ali com um cacho de bananas no banco do pendura ao frio. Regressa uns cinco minutos depois e pergunta-me se bebi alguma coisa, digo-lhe que não até porque tinha acabado de sair do trabalho. Perguntou-me se me importava de o acompanhar para ir soprar ao balão. Abri logo a porta do carro toda contente e disse-lhe que não tinha problema até porque nunca tinha soprado e deveria ser uma coisa engraçada. Acho que foi aí que ele pensou que me tinha apanhado e que eu estava mesmo sob o efeito de alguma substância com mais de 10 graus.
Saí do carro e deixei as bananas no banco do pendura ao frio. Soprei no balão e notei que ele ficou desiludido com os 0.000000 que o aparelhómetro mostrou. No entanto, senti-me na obrigação de o informar que se tivesse bebido um bagaçinho com este frio só me tinha feito bem. Riu-se e disse que era bem verdade, os colegas riram-se e disseram que realmente não tinha sentido nenhum mandar parar uma menina com este frio.

Entrei no carro e segui caminho. Vim a bater o dente até casa porque a sofagem do twingo não funciona e tenho de ter uma janela aberta para o vidro não embaciar mas valeu a pena tendo em conta que há uns dias publiquei um post a dizer que nunca me mandavam parar nas operações stops. Não só o Universo fez-me a vontade como colocou naquela rotunda não um, não dois, mas sim, oito polícias novos, giros e engraçados. Valeu a pena, eu e as minhas bananas, quase termos entrado em hipotermia.

Cattitude

Esta publicação é dedicada a todos aqueles que são uns grandíssimos cagões com o paranormal. Normalmente são aqueles que após a meia noite se ouvirem um barulho estranho gritam que nem umas meninas, correm para debaixo do lençol, sacam do terço e começam a rezar e a chorar que nem umas beatas.
Imbuída no espírito do Dia Internacional do Gato e como eu só penso no bem estar da minha gente digo-vos que a  solução para estes medos é arranjar um gato, ou vários, consoante o grau de cagufice já existente.

Ter um gato é estar a dormir tranquilamente e a meio da noite começar a ouvir passos, seguidos de corrida e de repente um peso enorme em cima de ti, ao início pensas que é um espírito que veio das trevas para se vingar mas depois ligas a luz e apercebes-te que o bichano se lembrou que era engraçado saltar para cima da tua pança e ficar lá aninhado mesmo que isso signifique que fiques sem ar.
Ter um gato é estar em casa e ver o bichano a olhar fixamente para a parede, de repente ficar de pêlo eriçado e a "bufar" para o que quer que lá esteja, começas a transpirar e só te lembras do Constantine dizer que os gatos conseguem ver ambos os mundos.
Ter um gato é estar constantemente com a sensação de estar a ser observado por uns olhos redondos, brilhantes e assustadores. Enquanto cozinhas, enquanto pinas, enquanto lavas a loiça, enquanto arreias o calhau.. sempre... sempre...
Ter um gato é acordar a meio da noite para ir à casa de banho, não ligar as luzes e pisar uma coisa felpuda que guincha com a força de mil almas a serem arrastadas para o submundo.

Claro que ao fim dos primeiros mil cagaços que os gatos nos causam ganhamos imunidade às coisas do paranormal até porque parece-me que o próprio paranormal tem medo dos gatos.

Especial Dia dos Namorados

Porque eu também sei ser panasca e como tal vou tocar, ao de leve, neste assunto em forma de serviço público para melhorar a vossa vida amorosa.
Existem mais 364 dias num ano para demonstrarem a vossa dedicação sendo que não passa só por prendas, jantaradas, declarações de amor via facebook e nem pela berlaitada do Dia de São Valentim para depois andarem o resto do ano à porrada!
O amor está nos pequenos pormenores, nos olhares e na preocupação que demonstram um para com o outro. Está na saudade quando ele(a) nunca mais chega do trabalho e nós estamos esganadas(os) de fome mas queremos esperar para jantarmos juntos. O amor está quando se gosta de uma série mas não vemos o novo episódio sem que ele(a) esteja presente e, quando, às vezes, não aguentamos e vemos o episódio, mentimos e vemos novamente enquanto controlamos cada fibra no nosso ser para não dar indícios que já o vimos.
Se não festejarem o vosso amor só neste dia têm metade dos vossos problemas resolvidos. Para resolver a outra metade basta comprarem um vibrador e uma boneca insuflável para quando um dos dois "não está para aí virado" e a vida fica perfeita.
Depois não digam que eu não sou amiga! Agora podem ir pinocar que têm a minha bênção!

Foi por um pintelho

Nunca me tinha acontecido e vivia bem sem esta experiência mas como eu dou sempre o pito às balas e sou experiente nos azares da vida fui à frente para vos contar na primeira pessoa como se processa um curto-circuito de um secador na óptica do utilizador.

Antes de mais quero agradecer à minha inteligência (uma salva de palmas para ela) que não me deixou ligar o aparelho depois de tomar banho onde, certamente, teria as mãos molhadas e seria garantido que ia ficar agarrada ao secador a dançar breakdance. E depois, queria também agradecer ao meu metabolismo por ser friorenta o que me permitiu ligar o dito cujo para aquecer a toilette antes de ir lavar as côdeas. Sim. Eu tenho aquecedor na WC mas o secador surte mais efeito num curto espaço de tempo e eu sou adepta do rápido e eficaz.

Maneiras que agarrei profissionalmente na ficha, conectei profissionalmente à tomada e aquela merda disparou num estoiro que me rebentou os tímpanos mas antes, ainda consegui ouvir o meu guincho a dizer FODA-SE!!! Larguei o secador num ápice enquanto acontecia um fogo de artíficio digno da passagem de ano na Madeira. Desatei a fugir da casa-de-banho em pelota porque quem tem cú tem medo e não queria que os bombeiros fossem dar com o meu cadáver todo esbardalhado no chão e com a depilação por fazer.

Para os mais preocupados eu estou bem. Fiquei só com a cabecinha dos dedos meio esturricadas e não ganhei para o susto. Enquanto me lembrar desta não ligo o secador e quando o ligar vou fazer questão de vestir uma cuequinha de renda não vá o diabo tecê-las!!!