Cenas do Fitness #2

Jovem! Sim tu! Tu que estás na demanda por um corpo saudável.
Há-de chegar uma altura em que as gentes com dor de cotovelo te irão abordar, como um arrumador de carros aborda num parque de estacionamento a abarrotar, e vão-te questionar se estás mais magra por motivos de doença ou se é porque (pasmem-se!!!) simplesmente assim o queres. Tu juras que lhes consegues ver na expressão que elas preferiam que fosse doença para poderem falar por trás, por isso, não sejas desmancha-prazeres, faz-lhes a vontade e diz-lhes que o teu sonho de consumo era ser uma bola de berlim mas que a tua doença mental assim não o permitiu, que já tens cadastro de agressão por esquizofrenia e que estás prestes a ter um ataque a qualquer momento.
Irás ver que te irão abordar cada vez menos porque, inevitavelmente, vão espalhar o rumor que és louca e convém manter uma distância mínima de segurança!

Se isto não funcionar. Mandai-os tomar no cú!

Agente piadolas

Eram 23h30 de um quinta-feira gelada de Fevereiro. Estava a sair do trabalho e sou mandada parar numa operação stop junto a uma rotunda. Para além de ser difícil encostar numa rotunda porque aquela treta é redonda pergunto-me quem é que faz uma operação stop à procura de bêbados às onze e tal da noite de uma quinta feira quando estamos a meio do mês e o pessoal está demasiado teso para se embebedar?! Adiante.
De repente lembrei-me que ando há coisa de um mês com o pisca do lado direito fundido e que ia ser multada por causa disso. Pensei meter prego a fundo e fugir mas depois, possivelmente, iam dar comigo cinco metros mais à frente parada. Porque está frio e o carro é um bocado podre para aguentar cenas à too fast too furious.

Encosto o carro e o xôr Agente pede-me os documentos e desaparece deixando-me ali com um cacho de bananas no banco do pendura ao frio. Regressa uns cinco minutos depois e pergunta-me se bebi alguma coisa, digo-lhe que não até porque tinha acabado de sair do trabalho. Perguntou-me se me importava de o acompanhar para ir soprar ao balão. Abri logo a porta do carro toda contente e disse-lhe que não tinha problema até porque nunca tinha soprado e deveria ser uma coisa engraçada. Acho que foi aí que ele pensou que me tinha apanhado e que eu estava mesmo sob o efeito de alguma substância com mais de 10 graus.
Saí do carro e deixei as bananas no banco do pendura ao frio. Soprei no balão e notei que ele ficou desiludido com os 0.000000 que o aparelhómetro mostrou. No entanto, senti-me na obrigação de o informar que se tivesse bebido um bagaçinho com este frio só me tinha feito bem. Riu-se e disse que era bem verdade, os colegas riram-se e disseram que realmente não tinha sentido nenhum mandar parar uma menina com este frio.

Entrei no carro e segui caminho. Vim a bater o dente até casa porque a sofagem do twingo não funciona e tenho de ter uma janela aberta para o vidro não embaciar mas valeu a pena tendo em conta que há uns dias publiquei um post a dizer que nunca me mandavam parar nas operações stops. Não só o Universo fez-me a vontade como colocou naquela rotunda não um, não dois, mas sim, oito polícias novos, giros e engraçados. Valeu a pena, eu e as minhas bananas, quase termos entrado em hipotermia.

Cattitude

Esta publicação é dedicada a todos aqueles que são uns grandíssimos cagões com o paranormal. Normalmente são aqueles que após a meia noite se ouvirem um barulho estranho gritam que nem umas meninas, correm para debaixo do lençol, sacam do terço e começam a rezar e a chorar que nem umas beatas.
Imbuída no espírito do Dia Internacional do Gato e como eu só penso no bem estar da minha gente digo-vos que a  solução para estes medos é arranjar um gato, ou vários, consoante o grau de cagufice já existente.

Ter um gato é estar a dormir tranquilamente e a meio da noite começar a ouvir passos, seguidos de corrida e de repente um peso enorme em cima de ti, ao início pensas que é um espírito que veio das trevas para se vingar mas depois ligas a luz e apercebes-te que o bichano se lembrou que era engraçado saltar para cima da tua pança e ficar lá aninhado mesmo que isso signifique que fiques sem ar.
Ter um gato é estar em casa e ver o bichano a olhar fixamente para a parede, de repente ficar de pêlo eriçado e a "bufar" para o que quer que lá esteja, começas a transpirar e só te lembras do Constantine dizer que os gatos conseguem ver ambos os mundos.
Ter um gato é estar constantemente com a sensação de estar a ser observado por uns olhos redondos, brilhantes e assustadores. Enquanto cozinhas, enquanto pinas, enquanto lavas a loiça, enquanto arreias o calhau.. sempre... sempre...
Ter um gato é acordar a meio da noite para ir à casa de banho, não ligar as luzes e pisar uma coisa felpuda que guincha com a força de mil almas a serem arrastadas para o submundo.

Claro que ao fim dos primeiros mil cagaços que os gatos nos causam ganhamos imunidade às coisas do paranormal até porque parece-me que o próprio paranormal tem medo dos gatos.

Especial Dia dos Namorados

Porque eu também sei ser panasca e como tal vou tocar, ao de leve, neste assunto em forma de serviço público para melhorar a vossa vida amorosa.
Existem mais 364 dias num ano para demonstrarem a vossa dedicação sendo que não passa só por prendas, jantaradas, declarações de amor via facebook e nem pela berlaitada do Dia de São Valentim para depois andarem o resto do ano à porrada!
O amor está nos pequenos pormenores, nos olhares e na preocupação que demonstram um para com o outro. Está na saudade quando ele(a) nunca mais chega do trabalho e nós estamos esganadas(os) de fome mas queremos esperar para jantarmos juntos. O amor está quando se gosta de uma série mas não vemos o novo episódio sem que ele(a) esteja presente e, quando, às vezes, não aguentamos e vemos o episódio, mentimos e vemos novamente enquanto controlamos cada fibra no nosso ser para não dar indícios que já o vimos.
Se não festejarem o vosso amor só neste dia têm metade dos vossos problemas resolvidos. Para resolver a outra metade basta comprarem um vibrador e uma boneca insuflável para quando um dos dois "não está para aí virado" e a vida fica perfeita.
Depois não digam que eu não sou amiga! Agora podem ir pinocar que têm a minha bênção!

Foi por um pintelho

Nunca me tinha acontecido e vivia bem sem esta experiência mas como eu dou sempre o pito às balas e sou experiente nos azares da vida fui à frente para vos contar na primeira pessoa como se processa um curto-circuito de um secador na óptica do utilizador.

Antes de mais quero agradecer à minha inteligência (uma salva de palmas para ela) que não me deixou ligar o aparelho depois de tomar banho onde, certamente, teria as mãos molhadas e seria garantido que ia ficar agarrada ao secador a dançar breakdance. E depois, queria também agradecer ao meu metabolismo por ser friorenta o que me permitiu ligar o dito cujo para aquecer a toilette antes de ir lavar as côdeas. Sim. Eu tenho aquecedor na WC mas o secador surte mais efeito num curto espaço de tempo e eu sou adepta do rápido e eficaz.

Maneiras que agarrei profissionalmente na ficha, conectei profissionalmente à tomada e aquela merda disparou num estoiro que me rebentou os tímpanos mas antes, ainda consegui ouvir o meu guincho a dizer FODA-SE!!! Larguei o secador num ápice enquanto acontecia um fogo de artíficio digno da passagem de ano na Madeira. Desatei a fugir da casa-de-banho em pelota porque quem tem cú tem medo e não queria que os bombeiros fossem dar com o meu cadáver todo esbardalhado no chão e com a depilação por fazer.

Para os mais preocupados eu estou bem. Fiquei só com a cabecinha dos dedos meio esturricadas e não ganhei para o susto. Enquanto me lembrar desta não ligo o secador e quando o ligar vou fazer questão de vestir uma cuequinha de renda não vá o diabo tecê-las!!!

Cenas do Fitness #1

Não gemerás, grunhirás ou gritarás 'SÓ MAIS UMA! SÓ MAIS UMA' dentro da tua própria casa enquanto estiveres a fazer o teu exercício sob o risco de os teus vizinhos te acharem "A" fodilhona cá do sítio e começarem a mandar-te olhares lascivos que quase te acertam com uma gotazinha de meita nas vistas, e as vizinhas começarem a olhar para ti como se fosses uma grande pega que a qualquer momento lhes irás roubar os seus preciosos maridos.
Em circunstância alguma deverás gritar por misericórdia porque irás aguçar ainda mais a curiosidade das alcoviteiras que acham que para além de seres uma grande putona também és adepta do sado-maso e que gostas de apanhar na tromba.
Meterás música a altos berros ou usarás uma mordaça durante as repetições dos vários exercícios que te deixam a quase a quinar, de rastos e a babar no chão.

Sugestões para o Carnaval

Eu tentei mas não consegui evitar que a fashion blogger que habita nos cantos recônditos (e cheios da cotão) da minha mente viesse ao de cima. E como tal, cá estou eu para vos dar as sugestões de outfits para esta quadra festiva. Estas sugestões não são dadas levianamente, uma vez que, em tudo o que faço dispenso muito tempo em pesquisas e em estudos de mercados sobre os modelitos mais escolhidos e mais apreciados pelo público feminino e masculino.

Para as ladys está na moda (desde há vinte carnavais para cá) a fatiota de enfermeira putona, Minnie prostituta, freira bardajona, gata com o cio e coelhinha da playboy ainda mais pega do que já o era.
Para os machos está em alta, nada mais nada menos, do que a fantasia de mulheres da vida com as suas meias rasgadas, pelos nos sovacos, pernas raquíticas, pés tortos dos saltos, lábios borrados e barba de três dias.

Agora ide e aproveitai as minhas sugestões para serem hoje aquilo que gostariam de ser nos outros 364 dias do ano mas depois não se queixem das fotografias em poses comprometedores que possam aparecer nas redes sociais.

As Cenas do Fitness

Calma! Calma! Não é preciso começarem já um motim que eu não vou transformar o blog num "FIT Blog" e começar a dar dicas de boa alimentação, de exercícios ou tentar converter o eleitorado para o lado saudável.
Eu cá não sou personal trainer, nem nutricionista e muito menos vossa mãe, no entanto, isto de andar há nove meses nesta vida já me tem dado umas boas histórias: umas com piada, outras nem por isso e outras simplesmente estúpidas mas que merecem ser partilhadas em forma de "As Cenas do Fitness" para alegrar o dia a alguém.
Vou partilhar porque é giro e porque preciso de encher chouriços no blog.
Entretanto dúvidas e questões é ali no balcão de informação.

São portugueses caramba!


E a prova disso é que se esbardalharam à grande junto à Gare do Oriente. Segundo as perícias dos tipos do FBI, que por incrível que pareça falavam a língua de Camões, o gajo não deu prioridade ao que vinha da direita, deu uma guinada à esquerda e escangalhou o capô todo tendo ainda levado, segundo algumas testemunhas oculares nada imparciais, umas quantas pedras da calçada à frente e a bengala de um velho.
Ora, conforme o decreto lei da carta espacial por sistema de pontos nos indica, este condutor, que se encontra temporariamente desaparecido, irá ficar sem carta de 4 a 6 milénios por infringir o C.A.E e ter dado à soleta (para os mais leigos no assunto, trata-se do Código da Autoestrada Espacial).

Uma nave novinha em folha e ficou nestes preparados! Digo-vos mais: é que para além de portugueses de certeza que também eram imigrantes.

Sim, eu sei. Sou pior do que as crianças...

Ironia divina

É raro ir ao cinema. Gosto mais de apreciar um filme no conforto de minha casa do que ir para uma sala de cinema na companhia de javalis a comerem pipocas. Mas toda a gente dizia que este era "O" filme do ano que levaria o DiCaprio a ganhar o Óscar maneiras que decidi ir ver.

Para começar o povo português é coninhas. Eu juro que começo a duvidar se realmente fomos os grandes descobridores que dizemos que fomos. Cá para mim atravessámos o Tejo e aumentámos a façanha em milhas marítimas e isto porquê? Porque uma das colunas do lado direito estava a fazer uma grande distorção e com dez minutos quase a ensurdecer levanto-me para ir estrabuchar porque se há coisa que me enerva é pagar e ser mal servida. Toda a gente reclamava baixinho mas ninguém levantou a peida quadrada do assento para resolver o problema. Vinte minutos depois de uma grande dor de cabeça. Pausaram o filme. Desligaram a coluna e continuaram. Sei agora que aquele problema inicial foi uma mensagem divina a avisar-me que estava prestes a desperdiçar duas horas e meia da minha vida e os 6,50€ do bilhete.

Soubesse eu para o que estava guardada e tinha deixado a coluna rebentar-me o tímpano, garanto que teria sido mais feliz no hospital a levar soro na veia. Ora, The Revenant ou em bom português: Eu não fiz mal a ninguém para merecer isto, fala sobre um gajo que sofre muito, que grunhe muito, que leva muito na tromba e que sempre que se tenta levantar há algo que o manda abaixo mas ele nunca desiste. Isto é claramente uma metáfora para as nossas vidas de merda em que grunhimos palavras para não mandar o patrão para o pipi da santa mãe dele e sobre as contas que mensalmente temos para pagar, que quando pensamos que, finalmente, já as pagámos todas vem a cereja no topo do bolo e incha lá com uma multa de estacionamento e agora comes sopa até ao final do mês.

Mas à parte disto, o filme parecia-me levemente familiar. Os reencontros imaginários (e chatos) da personagem principal, os 10 minutos seguidos a filmarem uma respiração, os 10 minutos seguidos a filmarem árvores, os diálogos atrofiados e aquela sensação que o filme não acabava. Nem falo na violência porque eu não sou facilmente impressionável. Mas no geral já tinha tido esta sensação anteriormente.
Assim que o filme acabou saí disparada da sala arrastando o Abade comigo quando dou de caras com o cartaz do filme e leio o nome do realizador Iñarritu, o realizador de Birdman e digo-vos isto: se eu tivesse tomates eles tinham-me caído no chão porque Birdman traumatizou-me mais do que eu alguma vez esperei. Foi o filme mais parvalhão do século e acredito que é por causa deste filme que os ETs nunca nos acharão intelectualmente interessantes para quererem entrar em contacto connosco.

Como se não bastasse abro a aplicação do facebook e aparece-me no topo uma publicação que fiz exactamente há um ano atrás sobre Birdman e o meu tempo perdido. Se isto não é ironia divina... não sei o que chame a isto!