007: Licença para Procriar

Nestes maravilhosos 15 dias de férias (que por sinal terminam hoje e eu estou com uma lua de todo o tamanho) tive a oportunidade de me aperceber que a maioria das pessoas deveria ser impedida de se reproduzir. Se um casal quisesse ter filhos deveria passar por uma série de testes para averiguar a inteligência (ou falta dela) e se era apto ou não para criar um ser que seja respeitado, que respeite os outros e que respeite o meio ambiente onde se encontra e não um selvagem atrasado mental.
Eu nunca me tinha apercebido o quão mal educadas são as nossas crianças e que os pais (ou avós) são demasiado permissivos com tudo e incapazes de dizer um 'não' e se preciso dar um tapa na nalga.
Por entre maus comportamentos na praia, em exposições, na rua e afins o que me deixou mais perplexa foi no Oceanário com a maioria das crianças a enfiar mãos nos aquários, aos pontapés e murros nos vidros perante a impassividade dos pais que sorriam e achavam graça. Deixa-me envergonhada ver que crianças da mesma faixa etária mas de outras nacionalidades estarem concentradas no que viam e fascinadas enquanto que as nossas pareciam uns animais que só dava vontade de as atirar ao tanque principal ou dar-lhes com dardos tranquilizantes para elefantes nas nalgas.

Com isto tudo só quero dizer que aquilo que vi durante as minhas férias deixou-me preocupada porque se o nosso futuro recai nestas criancinhas estamos todos bem fodidos!

Aquele momento...

Em que quase não tive tempo de baixar as calças com a tremenda caganeira que se abateu sobre a minha pessoa e que originou a maior colectânea à pressão de ditos portugueses sobre a nobre arte de cagar:

Estava a ver que morria. Estive mais para lá do que para cá. Ia morrendo. Caguei daqui até à Lua. Estive vai que não vai. Fiquei vazia. Caguei tudo o que tinha e o que não tinha. Caguei até a alma. Estive na eminência de uma calamidade. Até me arde o olho. Foi um golpe de misericórdia. Estava mesmo a dar as últimas. Eu caguei por mim, por ti, por nós e por vós.

Olhem depois disto só vos posso aconselhar a nunca beberem um copo de água fresca depois de beberem um galão e a comprarem papel higiénico de dupla folha, de preferência fofinho pois não há nada pior do que ter as bordas assadas.

Viagem ao outro mundo

Se estão em casa e a pensar enfiarem-se num shopping porque estão entediados percam a conta a 17,00€ e vão ao Oceanário ver a Exposição Permanente (que é o Oceanário) e a Exposição Temporária "Floresta Submersas" de Takashi Amano.
Poderia dizer muita coisa sobre esta última exposição mas a arte de aquascaping é tão bonita, aliada à banda sonora relaxada que inundava toda a sala que não consigo pôr por palavras aquilo que me toca o coração.

Digo apenas que no final da Exposição Temporária passaram dois documentários: o primeiro sobre a montagem do aquário de 40 metros e o segundo que era um género de reportagem com Takashi Amano onde se nota a léguas a paixão deste mestre pela natureza. Quando por último uma das pessoas que também estava a ver o documentário disse que Takashi tinha falecido no dia 3 de Agosto eu comecei logo a choramingar, de nariz vermelho, olhos inchados e fiquei deprimida o resto do dia.
Hoje deixo-vos com algumas fotos do meu dia e amanhã venho para aqui destilar veneno sobre as criancinhas mal educadas que só me deram vontade de as afogar e atirá-las aos tubarões.

Fenómenos nunca antes vistos

Este é o ano em que estou a fazer praia como manda a lei. Sem dias fracos, sem temperaturas amenas e sem comer areia com o vento. E hoje, excepcionalmente, deixámos a Fonte da Telha de lado e fomos aventurar-nos para a Praia de Galapinhos que é ali para as bandas da Arrábida.

O que dizer? Posso dizer que tira-nos o fôlego quando olhamos para a beleza dela, tira-nos o fôlego quando entramos na água e ficamos em hipotermia e tira-nos o fôlego quando ao final do dia temos de sair da praia e subir pela encosta da Serra no meio de pedras, calhaus e alguns cagalhões (de pessoas!!!!!!!!!) que quase que nos esbardalhamos e partimos os dentes. É a típica praia de olhar e não tocar: bonita até ao momento em que tocamos com o dedo grande do pé na beirinha água para avaliar a temperatura e largamos um Dassssssss bem audível. É também contra indicada para pessoas com artrite, artroses, todo o tipo de problemas ósseos e problemas cardíacos.

Queria dar aqui um agradecimento pessoal à leve brisa marítima que escondeu o calor que havia e que graças a isso apanhei um escaldão no rego das mamas e no peito dos pés e já agora aos porcalhões que cagam na mata e deixam sacos de lixo na arriba, a esses gajos desejo um senhor escaldão na ponta da gaita!

Ascensão de Júpiter...

Ou como foi mundialmente conhecido posteriormente: a Queda do Abade.
Era cerca de meia noite e coiso quando o Abade decidiu que queria ver um filme. Não queria ir para a cama cedo porque estava sem sono e apesar de eu já estar em modo zombie fiz o sacrifício e pus o filme a rolar só para não o ouvir chamar-me de cú de sono, sei agora que ele só quis mesmo foi dar-me cabo da paciência.
E se por um lado a história era cativante com alguma lógica mas que podia ter sido melhor explorada, por outro lado, ao fim de dez minutos de disparos de laser, explosões e perseguições em modo de pirilampo psicadélico começou a dar-me umas más disposições que por momentos pensei ter epilepsia e tive de fazer uma pausa. A actuação da Mila Kunis também não ajudou à festa que a correr no meio de Júpiter que ardia por todos os lados juntamente com a atmosfera a tornar-se tóxica nem uma gota de suor transpirou enquanto corria e nem um fio de cabelo desalinhou, já eu, quando eu faço trinta minutos de exercício parece que passei no meio do Olho do Katrina.
Para rematar, quando tudo não poderia piorar olho para o lado e a personagem que me impediu de ir dormir porque era muito macho-man para sucumbir ao sono estava ferrado a dormir de boca aberta e nem quando lhe mandei uma punhada no cotovelo para o acordar e bateu com a tromba no sofá foi capaz de admitir que tinha adormecido e continuou a teimar que só estava com a vista cansada naquele preciso momento.
E por último só quero aqui dizer que um filme em que um dos actores tem o último nome de um elixir bucal nunca poderá ser um sucesso de bilheteira.

O drama do Verão

Eventualmente sou capaz de já ter comentado por aqui umas quantas vezes que não gosto de fazer compras. Chateia-me a confusão, o barulho, as pessoas que param no meio do corredor só porque sim, as crianças a berrarem, os adultos a gritarem, a música em altos berros, o dinheiro a voar, demasiada confusão. O vestir, o despir, o buscar, o 'precisa de ajuda?' cinquenta vezes seguidas.
Não sou moça de compras mas há mais de 4 anos que tenho o mesmo bikini que já está todo lasso na peida e, às vezes, ao entrar na água e apanhar com uma onda mais brincalhona as cuecas fugiam e ficava de pito à mostra. Tem piada as primeiras cinco vezes mas depois começa a dar cãibras nas pontas dos dedos.
Maneiras que a muito custo, fui a uma SportZone que entrei e sai logo a seguir porque não gosto que me enfiem o dedo no cú comigo a ver. Depois fui a uma Decathlon onde experimentei quatro cuecas e 3 soutiens e não comprei nenhum. Fui a uma segunda Decathlon e experimentei exactamente os mesmos modelos e lá ganhei coragem de trazer um conjunto.
Poderia estar feliz e contente porque fiz a festa com um bikini bem giro por 4,95€, poderia estar feliz, senão tivesse chegado a casa e decidido fazer umas arrumações e abrir uns gavetões que desde 1530 que não eram abertos e descobrir dois conjuntos de bikinis por estrear ainda com etiqueta e com o brinde de terem o cheirinho característico a mofo.
Preciso de coragem para dizer ao Abade que o arrastei por três lojas onde perdemos cerca de duas horas de vida porque eu não tinha mesmo o que vestir e agora vou-me apresentar com um bikini novo a cada dia... o gajo vai-me empalar.

Flagelos da humanidade

De vez em quando gosto de me debruçar e analisar as causas da decadência humana. Sinto-me na obrigação já que os grandes filósofos morreram e porque o Abade está a lavar a loiça o que me deixa bastante tempo livre para ocupar o cérebro com pintelhices destas.
É que já não bastava terem inventado as unhas de gel pindéricas que não tem utilidade nenhuma para além de tirar merda do meio dos dentes e a cera das orelhas, alguém foi por trás e inventou as pestanas postiças e extensões de pestanas e tornou-as acessíveis às pessoas com mau gosto. Pessoas essas, que assim que pusessem aquelas extensões de pestanas deveriam imediatamente cessar de respirar e por conseguinte falecer.

Mas o que realmente me fascina no meio disto tudo é que se acham sensuais com uns toldos felpudos pendurados nos olhos que às tantas parece mesmo que estão com uma grande conjuntivite que mal os conseguem abrir e ainda se habilitam a que uma coisa daquelas se despregue da nave-mãe e vaze uma vista.

Eu preciso que alguém me explique com é que eu posso continuar a viver neste planeta e ficar imune a tanta parvalheira.

Metal vs Pop

Jornalistas nos festivais a fazer as perguntinhas chatas do costume "Então e o que é que está a achar? Está a gostar?!" e as respostas dos ouvintes;

Pop: Ai estou a gostar muito ele é muito lindo, muito fofinho. Estou apaixonada.
Metal: AHHHGGGGGGGGRRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!!!

Pop: Gosto muito das letras dele, são tão profundas. Sinto que me dedica cada música que toca!
Metal: O QUÊ???? ÃHH??? NÃO TOU A OUVIR MUITO BEM!!!!

Pop: Ah. Por mim casava-me com ela! Tem um traseiro muito bom!
Metal: ............................................................. (ficou rouco).

Pop: Sim. Sim. Nota-se perfeitamente a angústia presente na letra sendo repetida 100x ao longo da música.
Metal: .............................................................. (caiu bêbado).

Pop: AIIIII EU TÔ LÔCA! FAZ-ME UM FILHO!!!!!
Metal: Epá brutal. Estou aqui com um braço partido do mosh pit mas foi o melhor concerto da minha vida. Vou seguir estes gajos até à cova.

Pop: Conhecia algumas sim. Não conhecia a 3ª música, nem a 4ª, nem a 5ª nem a 10ª mas no geral é um sonzinho bom.
Metal: F******! C********! M***** para isto!!! Tinha as músicas todas na ponta da língua e só tocaram 30! F***********

Pop: Ah as casas de banho estão assim bocadinho sujas, mas pronto, a gente tenta aliviar-se como pode.
Metal: Pera aí que eu vou mijar ali atrás da banquinha da cerveja e trago uma de caminho! Queres?

E podia continuar noite fora por aqui a dissertar sobre qual se diverte mais mas acho que resumi tudo e não quero ferir susceptibilidades.

Desprezo

É a coisa que mais furiosa me deixa neste Universo e no outro. Literalmente um desprezo do outro mundo, vindo de quem eu não esperava! Sim. É verdade: dos Extraterrestres!

Depois de ver todos os episódios dos Ficheiros Secretos. Dos filmes do Alien, do Predador, do ET e de tudo relacionado com a atividade alienígena fui ontem surpreendida com uma notícia que me atingiu como um murro no estomâgo depois de comer uma grelhada mista. Dizia então a brilhante notícia da TVI (que não se preocupou minimamente com os meus sentimentos) que o numero de pessoas abduzidas por extraterrestres tem aumentado exponencialmente.
E agora pergunto eu: E EU?! Eu fico cá é??? Dediquei uma vida a aprender toda uma linguagem alienígena e ganhei miopia depois de ver tantos episódios dos Ficheiros Secretos de seguida em cima da televisão para isto?
Ando eu uma vida a ansiar por raptos e sondas anais e depois tratam-me assim?
Mais ainda assim eu quis ler a notícia para acreditar com os meus próprios olhos no que estava a ler e lá mais para o meio (ou para o fim, eu já não sei bem porque estava com os olhos marejados de lágrimas) que junto ali à Fonte da Telha é o local onde os raptos tem sucedido com mais frequência. Justamente a minha praia de eleição todos os Verões.
É que nem me pagam um copo noutra galáxia e nem me enfiam cenas no cú. Vá... eu já não peço uma cerveja noutra galáxia que é longe e eu enjoo em longas distâncias mas fiquemos pelas colonoscopias e ficamos amigos como dantes. Agora, tratarem-me assim eu não merecia!

Notícia aqui: TVI em cima do assunto que interessa

E qual é o tema de que toda a gente fala?!

Pois que são os meus pintelhos. OK. Talvez para a maioria de vós seja o JJ mas a minha vida vai muito além disso e há assuntos bem mais interessantes, nomeadamente o meu pito.
Maneiras que aderi à depilação a laser e o que eu pensava que iria ser uma sessão dolorosa, horrorosa, com gritos e guinchos por horas intermináveis tornou-se uma coisa de 15 minutos que culminou comigo a dizer 'Então mas já está?! Eu peço desculpa mas não lhe vou pagar porque isto foi demasiado rápido para o meu gosto e eu nem senti nada'. Claro que não foi bem assim que lhe disse senão ela ainda me dava com o taser na testa e eu ficava sem sobrancelhas.
Disse-me a moça que passados cerca de 10 dias os ditos iriam começar a enfraquecer e a cair. Ora passados 5 dias e não vendo a penugem a desaparecer comecei mesmo a pensar que tinha sido aldrabada e que em vez de me roçar com a máquina ordinária de laser ela tinha usado uma lanterna* comprada no Lidl em promoção e eu tinha ficado a arder com o dinheirinho até que tive a maravilhosa ideia de puxar os pelicos e não é que eles simplesmente saíram????
Agora consigo compreender os homens que passam a vida a coçar os tomates porque eu cá às vezes até me pisgo para a casa-de-banho no horário laboral para arrancar a pintelheira. Sinto-me como que a depenar um frango... a alegoria não está completamente errada pois tecnicamente estou a depenar a franga. Só espero é que um dia destes o meu chefe não me pergunte o que é que eu tanto vou fazer à WC porque a desculpa do período já está a ser usada há 4 dias.
Não vejo a hora de ir à próxima sessão.

* para quem não sabe o laser emite um género de calor que com a continuação das sessões vai aumentando de intensidade (eu por exemplo, não sabia).