Desmoralizei porque nunca conseguia fazer mais de 20/30km com diferença de uma semana entre cada volta sem que ficasse com fortes dores nas nalgas e mais tarde na testa do pito, foram alturas dolorosas em que eu pensei que fosse falta de hábito mas as dores nunca passaram e eu desisti. Quis acreditar que eu e o desporto éramos eternamente incompatíveis, amantes há muito separados, pior que Romeu e Julieta. Quis escrever uma teoria sobre o assunto mas o Abade chamou-me de parva e mandou-me pedalar que era falta de calo no cú.
Até que chegou o dia em que achei que tinha de investir num selim porque isto assim não podia ser, ou era isso ou Abade ia desmontá-la e usar as peças dela na dele, coisa que já há muito me andava a ameaçar e isso é que não! Maneiras que lá comprei um todo catita e um todo ou nada paneleiro, mas que é normal, porque afinal é um "selim para senhora" e deixem que vos diga que o meu cagueiro anda nas nuvens e em dois dias já fiz 36km e não estou nada dorida. Mas acho por bem começar devagar para não ficar assada numa virada e renunciar para todo o sempre ao desporto.
Podiam era ter-me dito que convinha pedalar com o selim posto, tinha poupado muitas dores de cabeça e evitava o cheiro a carne de porco chamuscada. Agora sim. Vamos lá então fazer a Tour de France (mas em Portugal).