E tu Didi? O que foste tu nas vidas passadas?

Garimpeira! Fui garimpeira no Velho Oeste com toda a certeza!
Há quem queira acreditar que foi princesa, rei, faraó, artista, mecenas, prostituta, rabicholas... mas eu cá sou muito terra-a-terra e sei perfeitamente qual foi a minha profissão passada. É que nem valeu a pena tentar a minha sorte nos jogos de grande credibilidade do facebook que garantem o resultado com 99,9999% de certezas porque estou tão convicta do que fui que nada abalará a minha fé. Até porque ainda me diziam que eu era uma dona de casa exemplar e dedicada aos filhos e eu acabava já aqui com o meu sofrimento kármico.
E se pensam vós que eu era garimpeira por causa da minha paixão por ouro e pedras preciosas estão vocês bem enganados. Porque apesar de eu dar o cú e oito tostões por bens materiais, há um dom eterno que me acompanha de outras vidas em que a palavra chave é: cocó.
Eu peneiro tão bem os cagalhotos dos meus felinos como peneirava ouro e com tanta mestria que isto seria impossível de se adquirir numa vida. Seriam precisas pelo menos duas encarnações a fazer o mesmo e um part-time de uma terceira encarnação para suportar o pivete de merda com tanto estilo que quem vê por fora diria que estava a cheirar chocolate (bem, lá castanho ele é...).
Todos nós temos uma tarefa a cumprir neste planeta, a minha é limpar merda dos outros. E por falar nisso, os meus gatos já estão todos lado a lado a colocarem-me pressão para ir efectuar o ritual de limpezas da cagadeira deles, mas que grandes cabrões que estes gajos me saíram!
Agora que penso bem neste assunto, se calhar, não fui garimpeira. Cá para mim fui uma escrava que é o que estes filhos de uma gaita fazem de mim.

O meu querido chaçomobile

Eu admito que sempre fui uma tipa com um fraquinho por latas velhas. Há quem goste de andar montado em grandes carros mas o que eu gosto mesmo é que me montem e de andar com carros podres. Passar por grandes máquinas encostadas à berma da estrada com a centralina avariada, ou porque aqueceram um bocadinho mais do que é suposto e eu a passo por eles a cagar lume a vinte à hora.
Adiante. Uns cem anos depois tirei a carta e também eu arranjei um chaço amoroso com quem compartilhar o meu coração. Um Twingo com um médio e um stop fundido e a luz do habitáculo também fundida. Sem o tampo da gasolina, com uma teia de aranha de estimação no espelho retrovisor lateral e um sem fim de riscos do lado direito, fruto da condução espectacular do meu avô (pensavam que tinha sido eu, não?) Um vidro que se o baixar totalmente quando está muita humidade já não fecha sem o carro aquecer, por isso conseguem imaginar no Inverno gelado eu de janela aberta a apanhar com chuva e vento na tromba? Conseguem? Ainda bem. Porque eu fico tão gelada dos miolos que não consigo.

Mas uma coisa o meu carro tem que muitos topos de gama não têm (quem disser o contrário, agradeço que deixe o e-mail para que eu possa ofender). Se eu ousar abrir uma porta e tiver os faróis acesos, o meu twingo desata numa chiadeira que acorda a malta daqui até ao Paquistão. Pode ter muitos defeitos, mas nunca me deixará pendurada por falta de bateria porque no dia anterior me esqueci de desligar as luzes. É mais que óbvio que o Michael Bay se inspirou num Twingo para criar o filme dos Transformers.

E porque é que me lembrei duma cena tão desnecessária como isto? Como eu sou uma moça porreira eu até vos digo. É que hoje quando estacionei estava um BMW com as luzes ligadas e eu fiquei orgulhosa da minha latinha que nunca me deixaria fazer uma burrice dessas.
Eu até que poderia andar com o meu Juke. Podia. Mas não era a mesma coisa porque eu sou devota a cenas vintage. Espero que agora que fiz este texto a elogiar o meu Twingonáites o gajo amanhã não se lembre de me desiludir e se entretanto algum dos meus leitores trabalhar no centro de inspecções lembrem-se que eu sou uma tipa porreiraça e não me chumbem o mono.

Didi e o emigrante

Como é que eu hei-de por isto sem parecer uma besta sem coração e xenófoba? Talvez, dizendo que odeio aqueles emigrantes que são parasitas da sociedade. Daqueles que só vêm para cá para roubar, viver às custas o estado e perturbar a nossa tranquilidade.
E se já de mim quando vejo esses parasitas quase que os fulmino com o olhar então quando se metem comigo no meu local de trabalho deixam-me a borbulhar de ódio e se pudesse vomitava-lhes em cima e mandava-lhes um pontapé no bucho.
Se por um lado, ucranianos e russos, em geral são gente trabalhadora já os romenos e búlgaros fazem questão de contribuir para o aumento da xenofobia com a suas atitudes.
Maneiras que estou eu, como sempre, no meu trabalho e o meu colega chama uma senha e vêm de lá quatro búlgaros. O meu colega começa a tratar do assunto com um e o outro abeira-se de mim e diz-me:
Tens facebook? - Não
Estás a mentir. - Não estou.
Dá-me o teu número de telemóvel. - Não
Porquê? - Porque não.
És casada? - Sou.
Mentirosa.
Encolhi os ombros e não lhe respondi mais. Lá se foi embora, mas não sem antes me dizer que foi chateado comigo porque não lhe dei o meu número. Eu cá gostava mesmo era que esta malta tivesse esta inteligência para trabalhar como têm para a malandragem.
Bem, mas nada ultrapassa o cliente que perguntou se eu aceitava dinheiro a troco de uma noite bem passada... é o que eu digo, eu acho que o termo "clientes" traz uma outra realidade ao meu trabalho.
Que malucos é que irei encontrar hoje?

Coisas extremamente banais que me afligem #1

Ainda me lembro da altura em que eu era mais feliz era quando os ténis tinham velcro. Depois a moda acabou, ficaram os atacadores e partir daí eu nunca mais fui a mesma.
Há quem tenha medo de cobras e ratazanas, eu tenho de centopeias e de atacadores. Atrevo-me a dizer que os atacadores afligem-me ainda mais, porque se eu vir uma centopeia grito, dou-lhe com um pau e fujo. Com as atacadores é outra história, porque se desato a fugir eles vêm atrás de mim e eu sou mesmo obrigada a mexer neles, caso contrário ainda aterro no chão ou tenho um acidente de viação.
Então, sempre que compro uns ténis e os malditos vêm embrulhadinhos ao lado da sola eu já sei que tenho de ir tomar dois Valdispert e um chá de camomila para os nervos. Gostava de vos explicar melhor, mas a única coisa que consigo dizer é que o facto de ter de enfiar as pontas nos buraquinhos, puxá-los e sentir os ditos a passar nos orifícios é coisa para me fazer morder os lábios, começar com palpitações, suores frios e, se estiver em pé, uma quebra de tensão. Só de imaginar já começo a ficar nervosa. E depois ter de igualar as pontas em ambos os lados é outro drama.
Tivesse eu um puto e ele havia andar sempre de meias, ou então, tinha de ser uma criança prodígio e saber atar atacadores desde tenra idade, assim, ainda o explorava e ele atava os meus. Possivelmente o puto seria-me retirado pelas assistentes sociais mas antes isso do que mexer em atacadores.
É uma sensação equiparada a cortar papelão com uma faca. Estão a perceber?! Não? Então ficam na mesma. E ficam também a saber que eu tenho uns hábitos muito estranhos.

15º mandamento: Não delegarás nada a um indivíduo do sexo masculino

Fundiu-se-me a lâmpada do tecto da casa de banho. Talvez em consequência de eu lá passar metade da minha vida útil.
Como sou uma moça para lá de atarefada pedi ao Abade para comprar uma lâmpada, mas daquelas de luz amarela para substituir a outra, porque eu recuso-me a ler banda desenhada às escuras, ou então com as luzes do espelho da casa de banho que são tão suaves que dá um arzinho a bordel badalhoco e agrava-me a miopia.
Pedi uma simples coisa. Abade. Amor da minha vida com 3 segundos de memória. Traz-me uma lâmpada amarela, sim? Sim - diz-me ele.
A meio da tarde recebo uma sms, a dizer que já tinha posto a lâmpada e para ver se eu gostava dela, caso contrario trocava-a. Mau. Para me dizer 'se eu gosto dela' é porque não é amarela. Chego a casa, vou à casa de banho. Respiro fundo e ligo a luz. E de repente. Como que por milagre sou transportada para uma ala hospitalar, para um provador de roupa ou então vinha um camião na minha direcção, não consegui distinguir muito bem. Era uma luz tão branca, mas tão branca que das duas uma ou era um OVNI ou então Fátima sempre se tinha dignado a aparecer na minha WC.
Claro está, que liguei logo para o Abade para mandar vir com ele. O moço ainda tentou defender-se que é uma lâmpada economizadora de categoria A, mas isso para mim são desculpas. Ele quer é que me dê uma síncope qualquer com o cagaço do meu reflexo e fique estatelada no chão, porque toda a gente sabe que perante uma luz branca até a mulher mais bronzeada fica branca como a cal.
Hoje vou para a cama com os dentes e o pito por lavar, não quero saber, sou jovem de mais para morrer do coração!

Ainda me faltam 3 dias até à minha folga e eu já estou assim

Eu não ando bem. Admito que ter férias só me deixou pior, sinto-me lerda, com um tempo de resposta demorado e com um distúrbio de atenção maior do que é normal, distraindo-me facilmente de uma tarefa ou linha de pensamento.
Quando os clientes... clientes, adoro esta palavra. Quando digo 'clientes' sinto-me uma prostituta de luxo a falar do seu cliente da noite passada. Tenho mesmo de arranjar um nome diferente para aqueles sacanas, talvez... cabrões. Sim. Cabrões parece-me bem. Estão a ver? Distraí-me do que ia a dizer!
Ia a dizer que o gajos pedem-me cenas e eu fico a olhar para eles com cara de parva à espera que me caia qualquer coisa do céu, quiçá um perdigoto. Já uma colega minha se queixou que lhe parece que eu estou num mundinho à parte, é possível, um mundo onde eu possa dizer-lhes tudo o que me vai na alma e ficar cinco anos mais nova, deixar de ser politicamente correcta, sem o meu sorriso amável e tom de voz de linha erótica, apetecia mesmo, mesmo tirar o rolo do multibanco e enfiar nas goelas de certas personagens até lhes saltarem os olhos das órbitas, mas não, sê fofa Didi, sê uma jóia de rapariga, acredita no positivismo e que boas coisas advêm a quem as pratica (já foste).
Já me desorientei outra vez. Mas tudo isto para dizer que eu estava a falar com uma colega minha sobre uma loja super fofa A Conto da Fadas que tem cenas mesmo amorosas e a minha colega pergunta-me que tipo de cenas. E eu digo-lhe 'cenas pá, caixas de música e aquelas cenas redondas. Globos. Aqueles globos" e vendo que ela não percebia nada do que lhe estava a dizer saio-me com um 'aqueles globos de merda, 'tás a ver?'.
Ora bem, daquilo que me fui lembrar. Imaginei-me logo a criar uma empresa na hora, graças ao Simplex (obrigada ó Sócas) sob o nome ShitGlobe com o slogan "transformamos a sua merda em sonhos" e solicitaríamos o envio de amostras sem qualquer tipo de compromisso para criarmos o seu Globo de Merda personalizado. Eu tenho originalidade, só me falta mesmo é o capital para investir, porque eu acredito piamente que o meu projecto iria ter um grande sucesso por terras lusas visto que um dia destes, pelo andar da carruagem, andamos literalmente a nadar em merda.
Quem é que se chega à frente? Ofereço 50% da sociedade.

Tenho para mim que me querem matar

Mas que sol demoníaco é este que quando de manhã fui apanhar a roupa levei com ele na tromba e tive de andar 1 metro para trás e resguardar-me na sombra? Já não está na altura de começar a chegar o frio intenso para eu usar o meu gorro fofo? Isto é obra do demónio.
Mas adiante. Isto para dizer que na segunda feira fui andar de bina mas cometi o erro de beber um café antes. Eram 14h00 e depois do almoço cai sempre bem um café. Lá fomos. Peço à moça dois cafés e um copinho de água. Eu não sei o que é que ela percebeu, se foi um café com um pinguinho ou um café com leitinho o que é certo é que a vi a despejar uma coisa para um café mas não liguei, pensei que não fosse o meu.
Ela traz os cafés e quando vejo que se esqueceu do copo de água e reparo no café mais claro do que é costume vi a minha vida a andar para trás, mas tive vergonha. Bebi e não disse nada, afinal todos temos o direito a errar, especialmente quando eu sei que às vezes falo para dentro e ninguém me percebe.
Bem, foram os 20 kilómetros mais longos de toda a minha vida e não consegui mais. Ora mexia-me para um lado, ora para o outro, ora apertava a barriga, ora rezava 10 pais-nossos para que, por favor, não me deixassem borrar toda em cima do selim. Tinha a opção de obrar numa casa de banho pública quando passasse por uma, mas essa opção está completamente fora de questão, porque eu só cago na minha casa de banho imaculada. É uma fobia inexplicável pensar que me sento numa sanita badalhoca e depois vem aquela pinguinha de aviso de recepção que me toca na nalga e é coisa para me deixar a pensar o resto da semana que apanhei sífilis numa casa de banho porcalhota. Portanto, posso estar a aflita durante oito horas de trabalho, mas aguento, só me borro em casa e não sei porquê, tenho sempre tendência a piorar quando meto a chave na fechadura, não sei como é que nunca me escagaçei no tapete da entrada.
Mas foi complicado, principalmente com os solavancos, mas lá consegui chegar com as calças (e o orgulho) limpas, tudo para sentar-me no trono e ouvir um PFFFFF e ficar sem vontade de fazer mais nada.
Olhem, café antes de andar de bicicleta? É que nunca mais, que eu cá não quero morrer no meio de monte.

Cromos de uma vida

Depois de estar quinze dias de férias e de chinelo no pé lembrei-me de que precisava urgentemente de uns ténis, estava era longe de imaginar que ao ir à Sportzone iria cruzar-me com um dos maiores cromos do cosmos.
Que dizer do moço? Bem, ao longe até parecia ser uma pessoa competente até ao momento em que ele abriu a boca, aliás, até ao momento em que respirou.
Começou com a minha amiga, a famigerada Iny (a javardolas que lê este blog mas que nunca comenta), ao ver que o tipo não me ligava patavina ousou dizer 'Boa tarde, pode ajudar-nos?' O que é que ela foi dizer! O gajo, que ia a andar em passo de corrida a ver se ninguém reparava nele, pára imediatamente. E de costas voltadas para nós vira a cabeça a 180 graus, qual Chuck o Boneco Diabólico e quando a Iny lhe pergunta 'Tem este modelo no 37?' Ele dá um redondo 'Não', tão rápido, que eu nem soube o que me atingiu.
Eu, que até então, tinha ficado muda com a simpatia dele, digo-lhe que pretendia ver o 38 porque há umas formas maiores do que as outras. Ele olha-me de soslaio, eu quero acreditar que ele estava rever mentalmente os números mas tenho a certeza que ele estava era a mandar-nos à merda mentalmente. Eu faço o meu olhar de cachorro abandonado, e ele diz-me que 'Acho que sim' e acompanha-nos até ao sítio onde os ténis estavam.
Ele chega. Pára. Olha para cima. Olha para baixo. Fica de olhar fixo no infinito. E de repente lança as mãos à cabeça em sinal de desespero, como se tivesse descoberto que afinal não havia o 38 e o mundo iria acabar porque disse uma informação errada e fica assim uns bons segundos. Eu fiquei com a sensação que a qualquer momento ele ia lançar-me as mãos ao pescoço e apertar-me o pipo, mas não. Encontrou a caixa, entregou-ma e disse com a maior convicção e descontracção do mundo a apontar para a fonte da cabeça com o dedo indicador 'Isto aqui é melhor do que um computador! Nunca falha!' e dito isto, abandonou-nos.
Ficámos as duas especadas, eu de caixa na mão, um pé calçado e o outro descalço, a Iny de chapéu de chuva numa mão e mala pendurada na outra, a olharmos uma para a outra como se de um filme romântico se tratasse, onde tínhamos acabado de ser abandonadas pelos nossos namorados numa noite de chuva e trovoada.
Menos mal, que os ténis serviram. E com isto tudo vocês ficaram a saber o tamanho da minha pata e que a Sportzone aqui da minha zona tem um tratamento de excelência.

Hmpf...

Hoje é o meu penúltimo dia de férias e só me apetece atirar-me para a frente de um carro para ficar mais uns dias em casa a trabalhar para o ócio.
Lá vou eu entrar em modo piloto automático, com as respostas monocórdicas de sempre. Sim. Não. Talvez. Em princípio. Vá para a púncia. Tem de aguardar a resposta.
Gostava de trabalhar numa morgue, ou numa funerária. As coisas são calmas. As pessoas não estão vivas. Podia ouvir uma música e podia pintar as unhas da cor que bem me apetecesse. O máximo de interacção com humanos seria para dizer "lamento imenso" ou "compreendo perfeitamente a sua situação" frases que já digo vezes e vezes sem conta com a diferença que se calhar começavam a ser ditas com intenção. Precisava mesmo de um trabalho novo, mas a culpa é minha. Acomodo-me. Porque vejo o panorama tão negro que vou mudar para quê? Para ser mais explorada? Deixo-me estar onde estou, ao menos gosto dos meus colegas.
Estou deprimida, mas também sei que na quarta-feira assim que começar a trabalhar esta depressão passa e eu transformo-me, porque apercebo-me que gosto de lidar com pessoas, que se aprende bastante e de bónus ainda sabemos de histórias engraçadas.
Acho que o meu problema é que não gosto mesmo de trabalhar e só me lembro disso quando estou de férias.

Are you alive? How does it feel to be alive?

Como colocar em palavras aquilo que não é possível colocar? Talvez começando por dizer que nunca fui fã de Metallica, conhecia a Entersandman e a Nothing Else Matters e bastava-me.
É certo que nunca tive a inclinação da moda para o rap, pops e afins. Na adolescência sempre fui mais ligada ao punk, destacando-se Offspring e Pennywise, e numa outra vertente, adorava (e adoro) Pink Floyd, Queen, Deep Purple, Guns entre outros do mesmo género. Mas a verdade é que depois de ter conhecido o Abade tudo mudou. Posso dizer que conhecê-lo fez-me evoluir musicalmente e em assuntos paneleiros do coração também, mas isso são conversas demasiado rabetas para este post.
Como sou dotada de um bom mau feitio, quando ele começou a tentar converter-me a um Metal mais pesado a minha primeira reacção foi resistir, não gosto da mudança, de sair da minha zona de conforto. Não gostava, era muito barulho, a voz do James irritava-me e também não ajudava o facto de o Abade tentar fazer-me gostar daquilo com a música em altos berros com uma distorção enorme. Mas por ele decidi dar uma segunda oportunidade a Metallica. Cheguei a casa e comecei a pôr os álbuns, um a um, no discman e depois de os ouvir, renasci. De repente, Offspring e Pennywise pareciam-me um bando de putos a dar ali umas guitarradas malucas à toa. De repente, tudo aquilo que eu tinha gostado desde que me lembrava até aos 20 anos tinha mudado. De repente, a minha verdade tinha mudado e eu não podia fazer nada contra isso.
E assim mantenho-me até hoje. Não consigo viver sem Metallica e não consigo ouvir um álbum no volume baixo. Posso dizer que é a minha religião e o James Hetfield o meu deus, porque a música que eles criam não é música, é vida. Cada acorde, cada rift, cada timbre na voz do James arrepiam-me desde a ponta do cabelo à ponta dos dedos dos pés. E desde aí nunca perdi um concerto deles em Portugal. E se no outro dia até tinha agradecido o facto de não ter gasto 10€ no bilhete para ir ao cinema, hoje digo exactamente o inverso, e vou repetir a experiência.
O que dizer de Metallica: Through the Never? Que é uma experiência extra-sensorial. Eu não vi um concerto, eu fui transportada para dentro de um. Eu estive lado a lado com cada membro da banda. Foi uma experiência surreal, maravilhosa e nítida com uma qualidade de som espectacular.
Acho que ontem deixei o meu coração na sala IMAX do Colombo e hoje tenho de regressar para o ir buscar.