15º mandamento: Não delegarás nada a um indivíduo do sexo masculino

Fundiu-se-me a lâmpada do tecto da casa de banho. Talvez em consequência de eu lá passar metade da minha vida útil.
Como sou uma moça para lá de atarefada pedi ao Abade para comprar uma lâmpada, mas daquelas de luz amarela para substituir a outra, porque eu recuso-me a ler banda desenhada às escuras, ou então com as luzes do espelho da casa de banho que são tão suaves que dá um arzinho a bordel badalhoco e agrava-me a miopia.
Pedi uma simples coisa. Abade. Amor da minha vida com 3 segundos de memória. Traz-me uma lâmpada amarela, sim? Sim - diz-me ele.
A meio da tarde recebo uma sms, a dizer que já tinha posto a lâmpada e para ver se eu gostava dela, caso contrario trocava-a. Mau. Para me dizer 'se eu gosto dela' é porque não é amarela. Chego a casa, vou à casa de banho. Respiro fundo e ligo a luz. E de repente. Como que por milagre sou transportada para uma ala hospitalar, para um provador de roupa ou então vinha um camião na minha direcção, não consegui distinguir muito bem. Era uma luz tão branca, mas tão branca que das duas uma ou era um OVNI ou então Fátima sempre se tinha dignado a aparecer na minha WC.
Claro está, que liguei logo para o Abade para mandar vir com ele. O moço ainda tentou defender-se que é uma lâmpada economizadora de categoria A, mas isso para mim são desculpas. Ele quer é que me dê uma síncope qualquer com o cagaço do meu reflexo e fique estatelada no chão, porque toda a gente sabe que perante uma luz branca até a mulher mais bronzeada fica branca como a cal.
Hoje vou para a cama com os dentes e o pito por lavar, não quero saber, sou jovem de mais para morrer do coração!

Ainda me faltam 3 dias até à minha folga e eu já estou assim

Eu não ando bem. Admito que ter férias só me deixou pior, sinto-me lerda, com um tempo de resposta demorado e com um distúrbio de atenção maior do que é normal, distraindo-me facilmente de uma tarefa ou linha de pensamento.
Quando os clientes... clientes, adoro esta palavra. Quando digo 'clientes' sinto-me uma prostituta de luxo a falar do seu cliente da noite passada. Tenho mesmo de arranjar um nome diferente para aqueles sacanas, talvez... cabrões. Sim. Cabrões parece-me bem. Estão a ver? Distraí-me do que ia a dizer!
Ia a dizer que o gajos pedem-me cenas e eu fico a olhar para eles com cara de parva à espera que me caia qualquer coisa do céu, quiçá um perdigoto. Já uma colega minha se queixou que lhe parece que eu estou num mundinho à parte, é possível, um mundo onde eu possa dizer-lhes tudo o que me vai na alma e ficar cinco anos mais nova, deixar de ser politicamente correcta, sem o meu sorriso amável e tom de voz de linha erótica, apetecia mesmo, mesmo tirar o rolo do multibanco e enfiar nas goelas de certas personagens até lhes saltarem os olhos das órbitas, mas não, sê fofa Didi, sê uma jóia de rapariga, acredita no positivismo e que boas coisas advêm a quem as pratica (já foste).
Já me desorientei outra vez. Mas tudo isto para dizer que eu estava a falar com uma colega minha sobre uma loja super fofa A Conto da Fadas que tem cenas mesmo amorosas e a minha colega pergunta-me que tipo de cenas. E eu digo-lhe 'cenas pá, caixas de música e aquelas cenas redondas. Globos. Aqueles globos" e vendo que ela não percebia nada do que lhe estava a dizer saio-me com um 'aqueles globos de merda, 'tás a ver?'.
Ora bem, daquilo que me fui lembrar. Imaginei-me logo a criar uma empresa na hora, graças ao Simplex (obrigada ó Sócas) sob o nome ShitGlobe com o slogan "transformamos a sua merda em sonhos" e solicitaríamos o envio de amostras sem qualquer tipo de compromisso para criarmos o seu Globo de Merda personalizado. Eu tenho originalidade, só me falta mesmo é o capital para investir, porque eu acredito piamente que o meu projecto iria ter um grande sucesso por terras lusas visto que um dia destes, pelo andar da carruagem, andamos literalmente a nadar em merda.
Quem é que se chega à frente? Ofereço 50% da sociedade.

Tenho para mim que me querem matar

Mas que sol demoníaco é este que quando de manhã fui apanhar a roupa levei com ele na tromba e tive de andar 1 metro para trás e resguardar-me na sombra? Já não está na altura de começar a chegar o frio intenso para eu usar o meu gorro fofo? Isto é obra do demónio.
Mas adiante. Isto para dizer que na segunda feira fui andar de bina mas cometi o erro de beber um café antes. Eram 14h00 e depois do almoço cai sempre bem um café. Lá fomos. Peço à moça dois cafés e um copinho de água. Eu não sei o que é que ela percebeu, se foi um café com um pinguinho ou um café com leitinho o que é certo é que a vi a despejar uma coisa para um café mas não liguei, pensei que não fosse o meu.
Ela traz os cafés e quando vejo que se esqueceu do copo de água e reparo no café mais claro do que é costume vi a minha vida a andar para trás, mas tive vergonha. Bebi e não disse nada, afinal todos temos o direito a errar, especialmente quando eu sei que às vezes falo para dentro e ninguém me percebe.
Bem, foram os 20 kilómetros mais longos de toda a minha vida e não consegui mais. Ora mexia-me para um lado, ora para o outro, ora apertava a barriga, ora rezava 10 pais-nossos para que, por favor, não me deixassem borrar toda em cima do selim. Tinha a opção de obrar numa casa de banho pública quando passasse por uma, mas essa opção está completamente fora de questão, porque eu só cago na minha casa de banho imaculada. É uma fobia inexplicável pensar que me sento numa sanita badalhoca e depois vem aquela pinguinha de aviso de recepção que me toca na nalga e é coisa para me deixar a pensar o resto da semana que apanhei sífilis numa casa de banho porcalhota. Portanto, posso estar a aflita durante oito horas de trabalho, mas aguento, só me borro em casa e não sei porquê, tenho sempre tendência a piorar quando meto a chave na fechadura, não sei como é que nunca me escagaçei no tapete da entrada.
Mas foi complicado, principalmente com os solavancos, mas lá consegui chegar com as calças (e o orgulho) limpas, tudo para sentar-me no trono e ouvir um PFFFFF e ficar sem vontade de fazer mais nada.
Olhem, café antes de andar de bicicleta? É que nunca mais, que eu cá não quero morrer no meio de monte.

Cromos de uma vida

Depois de estar quinze dias de férias e de chinelo no pé lembrei-me de que precisava urgentemente de uns ténis, estava era longe de imaginar que ao ir à Sportzone iria cruzar-me com um dos maiores cromos do cosmos.
Que dizer do moço? Bem, ao longe até parecia ser uma pessoa competente até ao momento em que ele abriu a boca, aliás, até ao momento em que respirou.
Começou com a minha amiga, a famigerada Iny (a javardolas que lê este blog mas que nunca comenta), ao ver que o tipo não me ligava patavina ousou dizer 'Boa tarde, pode ajudar-nos?' O que é que ela foi dizer! O gajo, que ia a andar em passo de corrida a ver se ninguém reparava nele, pára imediatamente. E de costas voltadas para nós vira a cabeça a 180 graus, qual Chuck o Boneco Diabólico e quando a Iny lhe pergunta 'Tem este modelo no 37?' Ele dá um redondo 'Não', tão rápido, que eu nem soube o que me atingiu.
Eu, que até então, tinha ficado muda com a simpatia dele, digo-lhe que pretendia ver o 38 porque há umas formas maiores do que as outras. Ele olha-me de soslaio, eu quero acreditar que ele estava rever mentalmente os números mas tenho a certeza que ele estava era a mandar-nos à merda mentalmente. Eu faço o meu olhar de cachorro abandonado, e ele diz-me que 'Acho que sim' e acompanha-nos até ao sítio onde os ténis estavam.
Ele chega. Pára. Olha para cima. Olha para baixo. Fica de olhar fixo no infinito. E de repente lança as mãos à cabeça em sinal de desespero, como se tivesse descoberto que afinal não havia o 38 e o mundo iria acabar porque disse uma informação errada e fica assim uns bons segundos. Eu fiquei com a sensação que a qualquer momento ele ia lançar-me as mãos ao pescoço e apertar-me o pipo, mas não. Encontrou a caixa, entregou-ma e disse com a maior convicção e descontracção do mundo a apontar para a fonte da cabeça com o dedo indicador 'Isto aqui é melhor do que um computador! Nunca falha!' e dito isto, abandonou-nos.
Ficámos as duas especadas, eu de caixa na mão, um pé calçado e o outro descalço, a Iny de chapéu de chuva numa mão e mala pendurada na outra, a olharmos uma para a outra como se de um filme romântico se tratasse, onde tínhamos acabado de ser abandonadas pelos nossos namorados numa noite de chuva e trovoada.
Menos mal, que os ténis serviram. E com isto tudo vocês ficaram a saber o tamanho da minha pata e que a Sportzone aqui da minha zona tem um tratamento de excelência.

Hmpf...

Hoje é o meu penúltimo dia de férias e só me apetece atirar-me para a frente de um carro para ficar mais uns dias em casa a trabalhar para o ócio.
Lá vou eu entrar em modo piloto automático, com as respostas monocórdicas de sempre. Sim. Não. Talvez. Em princípio. Vá para a púncia. Tem de aguardar a resposta.
Gostava de trabalhar numa morgue, ou numa funerária. As coisas são calmas. As pessoas não estão vivas. Podia ouvir uma música e podia pintar as unhas da cor que bem me apetecesse. O máximo de interacção com humanos seria para dizer "lamento imenso" ou "compreendo perfeitamente a sua situação" frases que já digo vezes e vezes sem conta com a diferença que se calhar começavam a ser ditas com intenção. Precisava mesmo de um trabalho novo, mas a culpa é minha. Acomodo-me. Porque vejo o panorama tão negro que vou mudar para quê? Para ser mais explorada? Deixo-me estar onde estou, ao menos gosto dos meus colegas.
Estou deprimida, mas também sei que na quarta-feira assim que começar a trabalhar esta depressão passa e eu transformo-me, porque apercebo-me que gosto de lidar com pessoas, que se aprende bastante e de bónus ainda sabemos de histórias engraçadas.
Acho que o meu problema é que não gosto mesmo de trabalhar e só me lembro disso quando estou de férias.

Are you alive? How does it feel to be alive?

Como colocar em palavras aquilo que não é possível colocar? Talvez começando por dizer que nunca fui fã de Metallica, conhecia a Entersandman e a Nothing Else Matters e bastava-me.
É certo que nunca tive a inclinação da moda para o rap, pops e afins. Na adolescência sempre fui mais ligada ao punk, destacando-se Offspring e Pennywise, e numa outra vertente, adorava (e adoro) Pink Floyd, Queen, Deep Purple, Guns entre outros do mesmo género. Mas a verdade é que depois de ter conhecido o Abade tudo mudou. Posso dizer que conhecê-lo fez-me evoluir musicalmente e em assuntos paneleiros do coração também, mas isso são conversas demasiado rabetas para este post.
Como sou dotada de um bom mau feitio, quando ele começou a tentar converter-me a um Metal mais pesado a minha primeira reacção foi resistir, não gosto da mudança, de sair da minha zona de conforto. Não gostava, era muito barulho, a voz do James irritava-me e também não ajudava o facto de o Abade tentar fazer-me gostar daquilo com a música em altos berros com uma distorção enorme. Mas por ele decidi dar uma segunda oportunidade a Metallica. Cheguei a casa e comecei a pôr os álbuns, um a um, no discman e depois de os ouvir, renasci. De repente, Offspring e Pennywise pareciam-me um bando de putos a dar ali umas guitarradas malucas à toa. De repente, tudo aquilo que eu tinha gostado desde que me lembrava até aos 20 anos tinha mudado. De repente, a minha verdade tinha mudado e eu não podia fazer nada contra isso.
E assim mantenho-me até hoje. Não consigo viver sem Metallica e não consigo ouvir um álbum no volume baixo. Posso dizer que é a minha religião e o James Hetfield o meu deus, porque a música que eles criam não é música, é vida. Cada acorde, cada rift, cada timbre na voz do James arrepiam-me desde a ponta do cabelo à ponta dos dedos dos pés. E desde aí nunca perdi um concerto deles em Portugal. E se no outro dia até tinha agradecido o facto de não ter gasto 10€ no bilhete para ir ao cinema, hoje digo exactamente o inverso, e vou repetir a experiência.
O que dizer de Metallica: Through the Never? Que é uma experiência extra-sensorial. Eu não vi um concerto, eu fui transportada para dentro de um. Eu estive lado a lado com cada membro da banda. Foi uma experiência surreal, maravilhosa e nítida com uma qualidade de som espectacular.
Acho que ontem deixei o meu coração na sala IMAX do Colombo e hoje tenho de regressar para o ir buscar.

Ódio, muito ódio que por aqui anda

Se as Sextas-Feiras 13, fossem às Quintas-feiras 26 eu diria com todo o gosto que isto é um dia de azar.
Sinceramente, eu acho que isto foi agoiro do Abade que gozou hoje o seu último dia de férias, estando o dia inteiro a lamentar-se que eu ainda estava de férias até segunda, mas eu não lhe posso dizer isto directamente senão apanho no focinho. Adiante.
Quando hoje me levantei estava cheia de força, tinha as pernas eléctricas e o pito assado dos 15km que andei de bina sem que me saltasse um pulmão pela boca com o cansaço, por isso sentia-me impecável. Já tínhamos programado ir ao Colombo ver o filme Metallica: Through de Never e apesar de estar em pulgas para ver qualquer coisa relacionada com Metallica não me estava nada a agradar largar 10€ por um bilhete de cinema IMAX, que é como quem diz, uma forma elegante de roubar dinheiro. Mas, apesar disso estava entusiasmada. Lá fomos, estacionámos o carro longe para burro, como daqui a Belas, tudo para não pagar parquímetro porque já que me iam enrabar no bilhete não me iam enrabar no parque. De qualquer das maneiras fui enrabada à mesma porque ao chegar à bilheteira e abro a carteira o cartão multibanco não estava. Gastei gasóleo para ir ao Colombo porque a treta do filme apenas está disponível em IMAX e na volta, toma, voltas para casa e não bufas.
Chegados ao destino, olho de esguelha para o meu Twingo e vejo algo diferente! Foda-se! Roubaram-me o tampo da gasolina. Que cabrões! Fiquei 5 minutos a olhar para o carro a repetir "Não acredito que me roubaram aquilo. Não acredito que me roubaram aquilo". Parecia uma atrasadinha mental é que o que era. Mas como eu não sou de me ficar, sei que existem mais dois twingos aqui na zona e fui à procura deles mas ambos eram de cor diferente e tinham o respectivo tampo. Como se isto não bastasse ia levando com um ramo nos cornos com esta ventania que se faz sentir por aqui. Ainda fiquei 5 minutos a olhar para a árvore a pensar se a mandava para um certo sítio, ou não. Achei melhor não abusar da sorte não fosse cair-me um cagalhão de pombo mesmo no meio dos olhos.
Quando pensei que era impossível estragarem-me mais o dia, o que é que eu vejo?! Um anúncio dos ladrões da EDP que me deixou a pensar se lhes havia de mandar um e-mail a mandá-los para a piça ou não.
Mas que merda de anúncio é aquele que acha que a diversão para um homem se centra no trabalho e em diversão e a da mulher em trabalho e na família?! Mas que anúncio machista é aquele??!! Espero que os gajos do marketing tenham hemorróidas até à terceira geração e daquelas grossas e bem saídas da casca (ou neste caso, do cú).
E digo mais! Eu, que sempre paguei tudo certo e a horas àqueles gajos vou meter um alfinete no contador porque recuso-me a pagar electricidade para depois me espetarem nas trombas anúncios ranhosos e sem pingo de originalidade, mesmo a gozarem com uma pessoa.
Cabrões. Até tenho as veias das fontes aqui a papejar com os nervos! É hoje que tenho um AVC.

Isto é uma conspiração contra mim, é o que é

Eu nasci para lavar casas de banho. A sério. É uma coisa que me fascina ficar a esfregar aquilo horas intermináveis, ver a loiça a reluzir e ver os fungos que se metem nos azulejos a desaparecerem, gosto de imaginar que eles gritam por clemência e eu de escova dos dentes em riste besuntada em lixívia impiedosa, cruel, magnífica a limpar o sebo àqueles gajos. Atrevo-me a dizer que a minha casa de banho é tão purificada que se existisse uma nova aparição de Fátima seria na minha casa da banho. Adoro aquela divisão, dá-me bastantes alegrias diariamente.
Em contrapartida odeio limpar vidros! Um ódio tão profundo, tão primitivo que se eu pudesse partir as janelas à cabeçada só para não ter que as limpar, eu partia. Quer dizer, poder eu posso, mas possivelmente não vivia para contar a história. Por isso não é de admirar quando eu digo timidamente que lavo as janelas de ano a ano há sempre alguém que diz "Eh lá, és um bocado porcalhota, não?" e eu digo "Porcalhota o caralho! Não vês que aquilo é um trabalho ingrato e que no dia a seguir já estão todos cheios de surro ó estúpido".
Apesar deste ódio fofo, há dias em que acordo com a força do mundo nos braços e como que por milagre (eu continuo a dizer que a minha WC é perita em milagres) agarro no balde, no pano, no limpa-vidros e lá vou eu. Bumba, bumba sempre a limpar aquilo. Quando finalmente termino, vou tomar uma banhoca porque mando um pivete que nossa senhora nos acuda e massajar as costas com água quente porque limpar janelas desperta a velha raquítica que há em mim e fico toda marreca, eis quando chego à cozinha olho para o céu, que agora já consigo ver bem já que antes parecia estar um nevoeiro constante na rua, e vejo que de repente ficou com cara de chuva e trovoada.
Porra pá! Com tantos dias em que podia chover e eu já ando a pedir há uns dias evitando assim o meu suplício a limpar aquela treta, começa precisamente hoje o tempo de Outono?!? Eu juro! Juro que se chover nos próximos dois dias eu nunca mais lavo a porra das janelas. Hão-de conseguir fazer o teste do Carbono 14 nas minhas janelas quando eu for para a cova!

Desatino largar dinheiro e ficar com a sensação que foi mal gasto

É que foi exactamente isto que aconteceu quando vi num folheto da PizzaHut uma campanha nova. Allin1box, parecia aliciante, um menu enfarda brutos para três pessoas (sim eu sei que só somos dois mas comemos por quatro) composto por uma pizza média, uma lasanha, quatro asinhas de frango, dois pães com chouriço e dois pães de alho. Por 17€ parecia mesmo à medida para dois esfomeados como nós.
Eis que quando chega o estafeta à porta e passa-me a caixa eu fico logo com a sensação que vou ser enrabada, mas como ele não tinha culpa, paguei e fomos para a mesa.
Porra. Mal abro a caixa deparo-me com uns mini pães d'alho, uns mini-mini pães com chouriço, umas asinhas de frango demasiado vermelhas para o meu gosto e uma mini-lasanha com um ar mais rançoso do que as do Lidl. Mas afinal não estava assim tão mal. Estava pior. A única coisa que se realmente aproveitou foi a pizza, porque de resto era flagelar-me por ter sucumbido à publicidade enganosa do folheto, eu deveria ter desconfiado que era muita fruta.
Aquilo foi uma amálgama de sabores tão explosivos que não sei como é que não me deu um enfarto, a começar pelos pães com chouriço que eram mais pãezinhos de sal com côdeas de pão e raspas de chouriço. A lasanha sabia a ar. Os pães de alho estavam ensopados com tanta manteiga que ao pegar dobravam-se e partiam-se. As asinhas de frango... oh meus amigos, quem fez aquele menu ou estava com uma granda broa ou é pior do que eu na cozinha, aquilo estava tão, mas tão picante que só dei conta quando caiu no estômago e começaram a cair lágrimas de enxurrada pela minha fronha abaixo e vi a minha vida a andar para trás. Bebi 3 copos de água, comi um pão de alho, mas a coisa ficava pior, consegui acalmar os calores quando comi os restos de pão da pizza. Que mix do catano!
Pelo vosso colesterol, não gastem dinheiro naquele menu, gastem o dinheiro em duas pizzas familiares que ficam mais satisfeitos. Não façam como eu, que ainda choro o dinheiro gasto, até porque passei o resto da noite com fome e ainda hoje ando com comichão no cú.

Tanta coisa para fazer e eu sem vontade nenhuma

Estou finalmente de férias. O problema é que eu tenho tanta, mas tanta coisa para fazer que só de pensar dá-me vontade de ir trabalhar só para arranjar desculpa para não o fazer. Já se passaram dois dias e a única coisa que eu fiz foi estar no sofá a roncar, abrir de vez em quando a pestana e falar com Abade para que ele não se aperceba que eu adormeci senão começa logo a dizer que eu sou um cú de sono e que não lhe faço companhia nenhuma, mas o moço ronca que nem uma motoserra à noite e eu não consigo dormir um sono tranquilo porque aos sonhos junta-se o som e aquilo transformasse num filme de terror com um gajo munido de uma motoserra atrás de mim.
Mas agora a sério. Eu andava mesmo a dar as últimas no trabalho, ao ponto de ter dito na brincadeira a um cliente que ainda bem que no dia a seguir ia entrar de férias, caso contrário, um dia destes levava uma metralhadora e começava a dizimar toda a gente. Ele esbugalhou os olhos e foi-se embora num ápice. Cum catano, como eu estava a precisar de folga das mesmas fronhas que lá estão dia após dia, com as mesmas perguntas da treta, que já respondemos quinhentas vezes mas como não é a resposta que querem voltam lá vezes sem conta à espera da resposta que lhes agrade. Chatos. Era um taco de basebol e começar a rachar cabeças só por diversão.
Eu queria mesmo era ia à praia, mas para isso eu tenho de desbastar o matagal no pito e não me sinto com coragem. Queria ir ver as Galerias Romanas na Rua da Prata mas isso implica levantar muito cedo e não tenho paciência. Acho que vou aproveitar e ficar quinze dias seguidos fechada em casa para desenjoar do contacto humano em excesso. Já começo a treinar com o Abade que ele anda mudo que nem uma porta sempre a jogar Candy Crush Saga. Portanto tudo se encaminha para uns quinze dias à ermita.