Em contrapartida odeio limpar vidros! Um ódio tão profundo, tão primitivo que se eu pudesse partir as janelas à cabeçada só para não ter que as limpar, eu partia. Quer dizer, poder eu posso, mas possivelmente não vivia para contar a história. Por isso não é de admirar quando eu digo timidamente que lavo as janelas de ano a ano há sempre alguém que diz "Eh lá, és um bocado porcalhota, não?" e eu digo "Porcalhota o caralho! Não vês que aquilo é um trabalho ingrato e que no dia a seguir já estão todos cheios de surro ó estúpido".
Apesar deste ódio fofo, há dias em que acordo com a força do mundo nos braços e como que por milagre (eu continuo a dizer que a minha WC é perita em milagres) agarro no balde, no pano, no limpa-vidros e lá vou eu. Bumba, bumba sempre a limpar aquilo. Quando finalmente termino, vou tomar uma banhoca porque mando um pivete que nossa senhora nos acuda e massajar as costas com água quente porque limpar janelas desperta a velha raquítica que há em mim e fico toda marreca, eis quando chego à cozinha olho para o céu, que agora já consigo ver bem já que antes parecia estar um nevoeiro constante na rua, e vejo que de repente ficou com cara de chuva e trovoada.
Porra pá! Com tantos dias em que podia chover e eu já ando a pedir há uns dias evitando assim o meu suplício a limpar aquela treta, começa precisamente hoje o tempo de Outono?!? Eu juro! Juro que se chover nos próximos dois dias eu nunca mais lavo a porra das janelas. Hão-de conseguir fazer o teste do Carbono 14 nas minhas janelas quando eu for para a cova!
