Tanta coisa para fazer e eu sem vontade nenhuma

Estou finalmente de férias. O problema é que eu tenho tanta, mas tanta coisa para fazer que só de pensar dá-me vontade de ir trabalhar só para arranjar desculpa para não o fazer. Já se passaram dois dias e a única coisa que eu fiz foi estar no sofá a roncar, abrir de vez em quando a pestana e falar com Abade para que ele não se aperceba que eu adormeci senão começa logo a dizer que eu sou um cú de sono e que não lhe faço companhia nenhuma, mas o moço ronca que nem uma motoserra à noite e eu não consigo dormir um sono tranquilo porque aos sonhos junta-se o som e aquilo transformasse num filme de terror com um gajo munido de uma motoserra atrás de mim.
Mas agora a sério. Eu andava mesmo a dar as últimas no trabalho, ao ponto de ter dito na brincadeira a um cliente que ainda bem que no dia a seguir ia entrar de férias, caso contrário, um dia destes levava uma metralhadora e começava a dizimar toda a gente. Ele esbugalhou os olhos e foi-se embora num ápice. Cum catano, como eu estava a precisar de folga das mesmas fronhas que lá estão dia após dia, com as mesmas perguntas da treta, que já respondemos quinhentas vezes mas como não é a resposta que querem voltam lá vezes sem conta à espera da resposta que lhes agrade. Chatos. Era um taco de basebol e começar a rachar cabeças só por diversão.
Eu queria mesmo era ia à praia, mas para isso eu tenho de desbastar o matagal no pito e não me sinto com coragem. Queria ir ver as Galerias Romanas na Rua da Prata mas isso implica levantar muito cedo e não tenho paciência. Acho que vou aproveitar e ficar quinze dias seguidos fechada em casa para desenjoar do contacto humano em excesso. Já começo a treinar com o Abade que ele anda mudo que nem uma porta sempre a jogar Candy Crush Saga. Portanto tudo se encaminha para uns quinze dias à ermita.

Ainda estou à espera do Karma

Quatro meses depois deste post "Onde é que anda o Karma" continuo à espera desse cabrão.
Quatro meses se passaram desde que eu vi os meus avós e penso que a próxima vez que os irei ver será quando um dos dois morrer. Continuo com um ódio de morte à pessoa que se intitula meu pai, mas neste momento o que mais me dói é a desilusão que sinto pelo meu avô, ele que dizia que eu era a sua netinha querida, desde que foi para casa do filho nunca mais me telefonou e da única vez que liguei tratou-me com uma indiferença tão grande ao ponto de eu, com uma pilha de nervos, lhe dizer que ele parecia uma criança de 12 anos que não sabia o que queria.
A minha avó pelo que sei continua com demência e a achar que a situação é temporária e que dali a dois dias volta para a casinha dela. Pergunta pela neta. Porque é que agora nunca a vem ver. Pergunta pelas gatinhas. Onde estão? Porque é que não estão com ela. E o cacto? Pede pelo menos por dois dias trazerem o cacto para junto dela algo que lhe lembre da casa. Tudo perante uma resposta fria de que não o trazem e para esquecer as gatas. Quando tem ataques de lucidez, a minha avó chora porque se apercebe que já não tem nada seu e imediatamente dão-lhe Lorazepam para a acalmar, dizem eles.
Eu poderia ligar para a minha avó, mas ou tem o telemóvel desligado ou quando está ligado quem atende é o meu avô e nunca consigo falar com ela sem estar outra pessoa à escuta. É difícil e complicado porque não tenho por onde me mexer para falar e estar com ela.
As gatas foram despejadas para uma parente minha com a desculpa de ser só durante quinze dias que iam de férias para o norte, quando chegaram ligaram-lhe e disseram para fazer o que quisesse com elas porque não as iam levar, largam pêlo. Ainda bem que essa parente tem bom coração que perante a situação ficou com as gatas porque era incapaz de as abater (sugestão da besta do meu pai) ou abandoná-las.
O meu avô é tão cego ao ponto de não se aperceber que o único motivo porque o filho e a nora os levaram para casa deles foi o dinheiro porque felizmente (ou infelizmente) têm uma boa reforma. Os meus avós poderiam estar perfeitamente tranquilos na sua casa. Contratavam uma empregada-a-dias, não teriam de estar sobre o controlo de ninguém e a minha avó não se sentiria tão desamparada.
Quatro meses depois e o meu avô continua sem me ligar, sem uma notícia, tudo o que sei é porque consigo descobrir, porque eu só não descubro o que não quero mas quanto mais descubro mais desiludida fico.

Momento de reflexão: Os lindos tomates do meu cão

Como isto tem sido um Verão rigoroso e como o meu cão é demasiado peludo decidi levar o canito à tosquia. E se antes elogiavam o porte majestoso dele, o pêlo luzidio e sedoso agora a primeira reacção quando olham para ele é de contemplação pelas suas jóias de família, grandes, redondas, inchadas e roliças.
Cheguei a mandar uma foto da tomatada às minhas colegas de trabalho que desconfiavam da veracidade das minhas informações, claro que assim que abriram a imagem ficaram encantadas e histéricas com o macho canino cá da casa e quase que se atropelaram para o conhecer. Eu que sou eu, quando vou com ele à rua deixo-o sempre ir à minha frente para que eu possa tirar as medidas àqueles badalos pendurados, ora-para-cá, ora-para-lá, ora-para-cá, ora-para-lá, qual relógio para hipnotizar qual quê! Metam um par de tomates assim à frente de qualquer mulher e ela faz reset ao cérebro, o mesmo equivale para os homens porque eles são tão redondinhos que se assemelham a um par de maminhas pequenino, mas, ainda assim um par de mamas e pronto temos um reset também ao cérebro dos homens.
Estou aqui com uma ideia em mente. Pôr o Abade e a fera lado a lado e comparar qual deles está mais bem apetrechado, atrevo-me a dizer que talvez o Yoshi tenha vantagem porque o animal ainda é virgem e aquilo está bem guarnecido.

Neste momento ele está deitado no chão de barriga para o ar e os ditos todos à mostra, vocês já mereciam uma foto desta preciosidade, mas como eu penso no vosso bem estar mental e não quero que vocês passem a noite a sonhar com um bons tomates achei por bem não colocar, tudo em nome da vossa saúde mental, ou isso, então sou egoísta e não quero partilhar isto com vós.

Agora é que ninguém me pára!

Pela primeira vez em dez anos de trabalho sindicalizei-me!
Não sei se realmente vale alguma coisa, ou não, o que é certo é que cada vez o desrespeito pelos trabalhadores aumenta, a exploração aumenta, a precariedade aumenta. O patronato espezinha e o empregado aguenta porque precisa do seu emprego, precisa do dinheiro mas aquilo que precisamos mesmo é de saúde mental, coisa que nos dias que correm é cada vez mais rara, por isso, enquanto hoje estava no meu local de trabalho e recebemos uma visita do delegado sindical, eu, que sempre fui contra sindicatos, dei por mim a dizer "olhe dê-me cá uma folhinha porque ter as costas quentes nunca foi demais", após estarmos num aceso debate com clientes à espera com vontade de me enfiarem uma faca no buxo o gajo ainda me diz que eu deveria ser delegada sindical porque eles precisam é de gente que não tenha papas na língua e saiba falar.
Eu, que sempre fui de extrema direita associei-me agora aos sindicalistas comunistas, esses malandros, mas no que toca a emprego se eu cumpro os meus deveres também quero ter direito aos meus direitos e se tenho possibilidade de fazer valer os mesmos até vendia a minha alma ao demo se assim fosse necessário.

Espero agora que um dia, que deve estar para breve, que eu me passe dos cornos e der com uma rebarbadora na tromba de um cliente o sindicato me defenda porque o atendimento ao público mata a humanidade que existe dentro de qualquer pessoa, que, diga-se de passagem, em mim nunca foi muita.

Avante camarada, avante camarada! Na próxima manifestação estou novamente lá a marcar presença mas agora já terei direito à minha merendinha e ao meu copo de vinho porque já sou sindicalizada e tenho outro estatuto!

Devia ter estado quieta

Andava há milénios a tentar converter a senhora minha mãe ao maravilhoso mundo da internet e suas aplicações sociais e agora que finalmente a converti quero uma máquina do tempo para voltar atrás e dar-me um auto-pontapé no lombo na altura em que tive aquela ideia.
Nunca tive tanta notificação como agora, é likes em tudo, é mensagens, é comentários em tudo e a última das últimas deixou-me uma mensagem de boa noite numa página de amantes de gatos. A mulher apanha o rato na mão e é; bumba, bumba, bumba a clicar em tudo! Tudo o que é passível de clicar lá está ela a marcar presença.
Da última vez que falamos ao telemóvel estive duas horas a explicar que botõezinhos eram aqueles lá em cima ao pé da palavra Facebook, eu explicava e ela dizia "ahhhhh! ohhhhhh!" até que perdi a paciência e tive de passar ao Abade que (por incrível que pareça) teve mais paciência que eu.
É nestas alturas que eu vejo que daria uma óptima professora, a criança à segunda pergunta que me fizesse com a desculpa que não percebeu a resposta, pumbaaaaaa, levava logo um berro que andava 5 metros para trás.
Mas posso dizer orgulhosamente que ela já começa a dominar aquilo, tirando os pontapés na ortografia que ela manda, já não me manda mensagens de boa noite onde calha e até já sabe por em play as músicas do youtube. Resta-me ensinar-lhe a usar o Skype e a ir ao Redtube para se entreter.
Uma pessoa fica orgulhosa, de a ver crescer e aprender assim, é para isto que a gente vive!

E que andas tu a fazer nas tuas folgas Didi??

Ontem fizemos pela primeira vez uma volta decente, não conto com aquelas que fiz aqui pela minha zona porque não são dignas de registo principalmente porque num dos arranques no meio do monte deu-me um bloqueio do catano e o meu cérebro dizia "arranca" mas as pernas diziam "é que neeeeeemm penses" maneiras que o meu corpo teve um tête-à-tête privado durante meia hora enquanto o Abade berrava lá da outra ponta para eu não ser maricas e me despachar!

Mas ontem é que foi! 13km feitos metade dos quais a levar com o vento de frente no trombil e se por um lado me refrescava por outro cansava um bocado, mas lá chegamos. Esvaziei o cantil, fiz os alongamentos que o mê home me mandou e hoje estou aqui fresquinha das pernas, os entrefolhos é que estão um bocado assados e vou seguir o conselho de quem percebe e para a próxima não levo roupa interior e vai tudo ali à fresca e ao badalo.

Agora estão vocês aí a gozar comigo que 13km não é nada e o camandro, mas em boa verdade eu vos digo que para mim 13km é igual a uma maratona de 500km pois eu não fazia exercício físico à colhões e estou com uma resistência de um caracol recém-nascido!
Já estou a pensar é na próxima volta porque isto até tem a sua piada.

Nunca digas nunca

A última vez que Lisboa e arredores estiveram em perigo foi quando passei com distinção no exame de condução e comecei a vir de chaço para o trabalho, baldeou-se passeios, ia atropelando um peão ou outro, esquecia-me de por gasolina, passava vermelhos, o normal! Entretanto, ganhei experiência fiquei uma profissional e depois achei que queria fazer o Abade engolir as palavras e comprei uma bina.
E pela primeira vez desde há 17 anos que não sentava a rabadilha num selim e caí, logo assim, logo à bruta e de joelho no chão encontrando-me neste momento com o meu joelho a jorrar uma nhanha branca, inchado que parece um trambolho e a ficar ligeiramente roxo, não contando com as nódoas negras novinhas em folha na barriga da perna e na palma da mão que foi contra o chão, porque eu achei que não valia a pena levar luvas uma vez que só ia só dar uma volta pequena aqui na zona para nos conhecermos mutuamente.

Bem sei que talvez não tivesse com o melhor calçado no melhor terreno, porque os gajos tinham sola lisa e o terreno era cheio de areias pequeninas, mas porra, também não era preciso eu cair parada e de lado porque a pata me escorregou e eu tombei para para a esquerda para delicia de um casal que estava dentro do carro a ver-me e a rirem-se que nem uns parvalhões (cabrões, que vos nasça uma figueira no cú) e para espanto do Abade que ficou a olhar para mim como se acabasse de me conhecer e não ficasse com a melhor impressão.

Bina Maria, ainda agora começamos este convívio e tu já me esbardalhaste no chão? Eu gosto de ti e estou a tentar com todas as minhas forças gostar dessa merda que se chama exercício físico porque dizem que é saudável, mas se isto continua assim eu vou ser saudável e é pró caralho!

Reescrever o post anterior

Acho que entrei em morte cerebral. Atenção que eu não digo isto levianamente, é que eu acho mesmo que os meus neurónios foram-se todos, pois desde que o Abade começou a andar de bicicleta que a minha capacidade cerebral diminuiu bastante e atrevo-me a dizer que deve estar próxima do zero porque se antes conseguia construir frases como um ser humano normal agora praticamente só digo "bicicleta".
Isto foi o degredo meus amigos!
O Abade mandou um grande tombo de bina. Deslocou o dedo indicador, ficou magoado das costelas e a pele do cotovelo foi toda ao ar. Mandei vir com ele, gritei com ele, chamei-lhe parvalhão por pôr a vida dele em risco e ainda lhe atirei um "vê lá se não queres que eu te parta a bina toda", isto é uma reacção normal de quem se preocupa o que não é normal é que passado uma semana eu disse-lhe que também queria uma bicicleta para ir andar nos montes!
Maneiras que ao dia 31/07/2013 eu, Didi Francisca, comprei a minha bicicleta, agora resta-me aprender a usar as mudanças porque nunca tive uma bicla com tanto acessório no guiador e ir para os montes e partir-me toda. Estou um bocadinho irritada porque a nível de equipamentos não há quase nada para gaja e logo eu, que gosto de cenas bem pirosas!
Olá, sou a Bina Maria, e adoro quando a minha dona mete a bilha em cima de mim!

Para o que eu estaria guardada...

Acho que o Abade entrou em morte cerebral. Atenção que eu não digo isto levianamente, é que eu acho mesmo que os neurónios foram-se todos, pois desde que começou a andar de bicicleta que a sua capacidade cerebral diminuiu bastante e atrevo-me a dizer que deve estar próxima do zero porque se antes conseguia construir frases como um ser humano normal agora praticamente só diz "bicicleta".
Todo e qualquer tipo de comunicação verbal que se inicia com ele, ele espeta sempre a puta da palavra lá pelo meio, e se ao início até era engraçado agora já se está a tornar cansativo e sem piléria nenhuma, às vezes, já dou por mim a evitar conversar com ele porque sei que se lhe digo alguma coisa como "esta paisagem é linda" ele diz-me "tantos trilhos para andar de bicicleta", mata-me o romantismo, mata-me a boa disposição e já não há paciência, tudo tem piada até ao ponto que enjoa e neste momento sinto-me mesmo mal disposta.
Mas compreendo, se calhar eu estou a ser uma pessoa pouco compreensiva, possivelmente o moço teve um AVC que lhe afectou a capacidade comunicativa e eu aqui a gozar com ele, eu realmente devia era ganhar juízo e levá-lo a um médico para lhe diagnosticar o problema, mais precisamente a um médico psiquiatra.
E só de pensar que eu até andava a ponderar andar de bicicleta, mas se é para ficar assim prefiro ficar uma texuga mas conseguir formar uma frase com 120 palavras sem incluir a palavra bicicleta.
Agora que li este texto apercebi-me que repeti a palavra "bicicleta" quatro vezes! OH NÃO! COMECEI! É o principio do fim, daqui a um mês possivelmente já não consigo sequer abrir uma página de internet e nunca mais conseguirei comunicar com vocês!!!!!

Não se aguenta!

Não aguento mais este bafo que se faz sentir. Quer dizer, até era capaz de aguentar se estivesse de férias e não a trabalhar como a mula que sou. Se calhar até estou com uma menopausa precoce e não sei, o que sei é que estou toda húmida e com o rego do cú abastecido com o rio de água que me escorre pelo lombo abaixo.
Uma pessoa trabalha numa empresa tão conceituada, mas tão conceituada que nem sequer tem dinheiro para colocar um ar condicionado para aliviar os colaboradores, que cabrões!
O ordenado já é uma valente bosta e mesmo assim ainda tenho de ir gastar dinheiro para comprar um borrifador de água para me refrescar no intervalo dos atendimentos, filhos da mãe, haviam de lhes oferecer um borrifador mas era com ácido e borrifar-lhes as trombas!