Só quem tem um chaço é que sabe o terror psicológico que é quando o único lugar disponível para estacionar é junto a um caixote do lixo (ou ecoponto) e não saberem se no dia seguinte o carro está no mesmo sítio ou se foi levado, por engano, para o aterro (ou centro de reciclagem).
Só quem tem um chaço é que sabe o quão irritante é ter de tirar, todos os dias, papelinhos do limpa pára-brisas de gajos a quererem comprá-lo para peças.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é estar constantemente pronto para uma fatalidade e andar sempre com a bagageira cheia com garrafões de água destilada para o radiador, de cabos de bateria e de bombas de ar de pedal.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é andar no coração nas mãos quando se ouve um barulho fora do normal dos barulhos que o carro já faz.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é andar no Inverno de janelas abertas, a apanhar o frio e a chuva na tromba, porque a sofagem não funciona e o vidro não desembacia.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é perder noites a fazer contas ao dinheiro que vai custar a revisão ao bólide para ir à inspecção.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é fazer olhinhos ao senhor do centro de inspecções para que o gajo passe o veículo com distinção.
Só quem tem um chaço é que sabe o que é fazer um percurso de GPS à volta de Lisboa porque o ano do carro não o permite entrar no centro.
Só quem tem um chaço é que sabe que apesar de todas as dores de cabeça, de coração e de carteira que causam não conseguimos viver sem eles.
É o meu Twingo. É um "granda" chaço mas eu adoro-o!
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Agente piadolas
Eram 23h30 de um quinta-feira gelada de Fevereiro. Estava a sair do trabalho e sou mandada parar numa operação stop junto a uma rotunda. Para além de ser difícil encostar numa rotunda porque aquela treta é redonda pergunto-me quem é que faz uma operação stop à procura de bêbados às onze e tal da noite de uma quinta feira quando estamos a meio do mês e o pessoal está demasiado teso para se embebedar?! Adiante.
De repente lembrei-me que ando há coisa de um mês com o pisca do lado direito fundido e que ia ser multada por causa disso. Pensei meter prego a fundo e fugir mas depois, possivelmente, iam dar comigo cinco metros mais à frente parada. Porque está frio e o carro é um bocado podre para aguentar cenas à too fast too furious.
De repente lembrei-me que ando há coisa de um mês com o pisca do lado direito fundido e que ia ser multada por causa disso. Pensei meter prego a fundo e fugir mas depois, possivelmente, iam dar comigo cinco metros mais à frente parada. Porque está frio e o carro é um bocado podre para aguentar cenas à too fast too furious.
Encosto o carro e o xôr Agente pede-me os documentos e desaparece deixando-me ali com um cacho de bananas no banco do pendura ao frio. Regressa uns cinco minutos depois e pergunta-me se bebi alguma coisa, digo-lhe que não até porque tinha acabado de sair do trabalho. Perguntou-me se me importava de o acompanhar para ir soprar ao balão. Abri logo a porta do carro toda contente e disse-lhe que não tinha problema até porque nunca tinha soprado e deveria ser uma coisa engraçada. Acho que foi aí que ele pensou que me tinha apanhado e que eu estava mesmo sob o efeito de alguma substância com mais de 10 graus.
Saí do carro e deixei as bananas no banco do pendura ao frio. Soprei no balão e notei que ele ficou desiludido com os 0.000000 que o aparelhómetro mostrou. No entanto, senti-me na obrigação de o informar que se tivesse bebido um bagaçinho com este frio só me tinha feito bem. Riu-se e disse que era bem verdade, os colegas riram-se e disseram que realmente não tinha sentido nenhum mandar parar uma menina com este frio.
Saí do carro e deixei as bananas no banco do pendura ao frio. Soprei no balão e notei que ele ficou desiludido com os 0.000000 que o aparelhómetro mostrou. No entanto, senti-me na obrigação de o informar que se tivesse bebido um bagaçinho com este frio só me tinha feito bem. Riu-se e disse que era bem verdade, os colegas riram-se e disseram que realmente não tinha sentido nenhum mandar parar uma menina com este frio.
Entrei no carro e segui caminho. Vim a bater o dente até casa porque a sofagem do twingo não funciona e tenho de ter uma janela aberta para o vidro não embaciar mas valeu a pena tendo em conta que há uns dias publiquei um post a dizer que nunca me mandavam parar nas operações stops. Não só o Universo fez-me a vontade como colocou naquela rotunda não um, não dois, mas sim, oito polícias novos, giros e engraçados. Valeu a pena, eu e as minhas bananas, quase termos entrado em hipotermia.
O meu querido chaçomobile
Eu admito que sempre fui uma tipa com um fraquinho por latas velhas. Há quem goste de andar montado em grandes carros mas o que eu gosto mesmo é que me montem e de andar com carros podres. Passar por grandes máquinas encostadas à berma da estrada com a centralina avariada, ou porque aqueceram um bocadinho mais do que é suposto e eu a passo por eles a cagar lume a vinte à hora.
Adiante. Uns cem anos depois tirei a carta e também eu arranjei um chaço amoroso com quem compartilhar o meu coração. Um Twingo com um médio e um stop fundido e a luz do habitáculo também fundida. Sem o tampo da gasolina, com uma teia de aranha de estimação no espelho retrovisor lateral e um sem fim de riscos do lado direito, fruto da condução espectacular do meu avô (pensavam que tinha sido eu, não?) Um vidro que se o baixar totalmente quando está muita humidade já não fecha sem o carro aquecer, por isso conseguem imaginar no Inverno gelado eu de janela aberta a apanhar com chuva e vento na tromba? Conseguem? Ainda bem. Porque eu fico tão gelada dos miolos que não consigo.
Mas uma coisa o meu carro tem que muitos topos de gama não têm (quem disser o contrário, agradeço que deixe o e-mail para que eu possa ofender). Se eu ousar abrir uma porta e tiver os faróis acesos, o meu twingo desata numa chiadeira que acorda a malta daqui até ao Paquistão. Pode ter muitos defeitos, mas nunca me deixará pendurada por falta de bateria porque no dia anterior me esqueci de desligar as luzes. É mais que óbvio que o Michael Bay se inspirou num Twingo para criar o filme dos Transformers.
E porque é que me lembrei duma cena tão desnecessária como isto? Como eu sou uma moça porreira eu até vos digo. É que hoje quando estacionei estava um BMW com as luzes ligadas e eu fiquei orgulhosa da minha latinha que nunca me deixaria fazer uma burrice dessas.
Eu até que poderia andar com o meu Juke. Podia. Mas não era a mesma coisa porque eu sou devota a cenas vintage. Espero que agora que fiz este texto a elogiar o meu Twingonáites o gajo amanhã não se lembre de me desiludir e se entretanto algum dos meus leitores trabalhar no centro de inspecções lembrem-se que eu sou uma tipa porreiraça e não me chumbem o mono.
Adiante. Uns cem anos depois tirei a carta e também eu arranjei um chaço amoroso com quem compartilhar o meu coração. Um Twingo com um médio e um stop fundido e a luz do habitáculo também fundida. Sem o tampo da gasolina, com uma teia de aranha de estimação no espelho retrovisor lateral e um sem fim de riscos do lado direito, fruto da condução espectacular do meu avô (pensavam que tinha sido eu, não?) Um vidro que se o baixar totalmente quando está muita humidade já não fecha sem o carro aquecer, por isso conseguem imaginar no Inverno gelado eu de janela aberta a apanhar com chuva e vento na tromba? Conseguem? Ainda bem. Porque eu fico tão gelada dos miolos que não consigo.
Mas uma coisa o meu carro tem que muitos topos de gama não têm (quem disser o contrário, agradeço que deixe o e-mail para que eu possa ofender). Se eu ousar abrir uma porta e tiver os faróis acesos, o meu twingo desata numa chiadeira que acorda a malta daqui até ao Paquistão. Pode ter muitos defeitos, mas nunca me deixará pendurada por falta de bateria porque no dia anterior me esqueci de desligar as luzes. É mais que óbvio que o Michael Bay se inspirou num Twingo para criar o filme dos Transformers.
E porque é que me lembrei duma cena tão desnecessária como isto? Como eu sou uma moça porreira eu até vos digo. É que hoje quando estacionei estava um BMW com as luzes ligadas e eu fiquei orgulhosa da minha latinha que nunca me deixaria fazer uma burrice dessas.
Eu até que poderia andar com o meu Juke. Podia. Mas não era a mesma coisa porque eu sou devota a cenas vintage. Espero que agora que fiz este texto a elogiar o meu Twingonáites o gajo amanhã não se lembre de me desiludir e se entretanto algum dos meus leitores trabalhar no centro de inspecções lembrem-se que eu sou uma tipa porreiraça e não me chumbem o mono.
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