Bingo! Bingo! Bingo!

Eu tenho uma grande paixão pelo Bingo.
Desde a nuvem de fumo que paira sobre a zona dos fumadores, ao estalido irritante das unhas dos funcionários a bater nos cartões de bingo, às canetas de tinta já ressequida com tanta frustração por quem lhes pega (eu), e por fim, mas não menos importante, as personagens míticas que estão lá no fundo da sala a cantar as bolas.

Que eu nunca oiça alguém dizer que o Bingo é um jogo de velhos que eu só não lhes dou com uma bengalada nos cornos porque doem-me as cruzes e o comprimido para dormir já está a fazer efeito.

Maneiras que já que vocês não vão ao Bingo, eu trago o Bingo até vós com a compilação:

TIPOS DE CANTADORES DE BOLAS

O David Attenborough
É aquele tipo que ao dizer o número de cada bola, diz com tal entoação e vibração que parece estar a narrar um episódio da vida selvagem. É fascinante. Dou muitas vezes comigo de queixo apoiado na mão e a imaginar uma bola pôr-se em cima de outra e bolas! bolas! bolas!

O Ejaculação Precoce
É assim na cama como a contar bolas, Ele começa a dizer bola 15894513265797874 de tal maneira e tão depressa que se espuma todo dos cantos da boca. Faz uma pausa. Suga de volta a baba, torna a contar sofregamente 5468798746523121564 até chegar ao fim. É impossível sentir qualquer prazer no jogo com este sacana, pois mal começa vai directo ao assunto e cospe-se todo!

A Ama
É a menina que está no trabalho errado. Pensa que está ali para adormecer bebés e começa a embalar as bolas. Enumera pausadamente, delicadamente e com um tom melodioso, ela diz «Bola... número... doze... ummmm... doissssssssss». Perco-me sempre com esta gaja. Fecho os olhos por cinco segundos e quando dou por ela, já saiu uma linha, um bingo errado, o bingo correcto e jogada terminada!

O Psicopata
Medo. Com este tipo ninguém quer fazer bingo. Ele adora colocar um suspense no jogo de tal maneira que nos leva a sentir umas palpitações esquisitas no coração. Diz as bolas com uma entoação fantástica e ritmada mas, de repente, pára! Fica no silêncio e pergunta agressivamente «Há algum bingo na sala?!?!» ninguém responde. Toda a gente fica com medo de levar uma facada. O que é certo é que na bola seguinte alguém faz o Bingo!

O Drogado
Normalmente é filho do patrão e tem autorização para trabalhar com uma grande pedrada. Ele arrasta-se a dizer as bolas. Ele enrola a língua. Ele não consegue dizer o número de uma bola sem pensar arduamente. Ele ouve alguém dizer «BINGO» mas continua a dizer as bolas porque tem dificuldade em processar a informação e parar. É raro apanharem este tipo porque costuma haver uns quantos motins na sala por saírem bingos que não deveriam ter saído.

Se depois de vos dar a conhecer estes cromos vocês não sentirem uma vontade incontrolável de irem torrar umas massas ao Bingo tenho a dizer-vos que já não há salvação para vós.

Trabalho num manicómio #2

Gostava de um dia apertar o pescoço a mão às pessoas que fazem o recrutamento na empresa onde trabalho porque a eficiência delas surpreende-me. Há uns tempos atrás passaram na formação o gôdo do Fenando, e agora calhou-nos na rifa o Jaquim Bicha-Charoca.

Ora o Jaquim é o típico miúdo com 35 anos que saiu agora do armário mas que se pudesse ainda estava a chuchar na teta da mãe até aos 50 anos. Era um gajo que se notava a léguas que sempre teve tudo na vida e que, de um momento para o outro, ficou sem nada obrigando-o a trabalhar. Até aqui tudo muito bem, tirando o facto do Jaquim cheirar constantemente a peido e ter uma pedra em vez de um cérebro. Eu nunca conheci uma pessoa com tantas dificuldades de aprendizagem, com tanto queixume da vida, com tanta falta de pensamento lógico... basicamente eu nunca achei que fosse possível um pedragulho andar e falar, e é isto!
Tenho muita pena da mãe daquele gajo. Dói-me a alma só de imaginar a dificuldade que aquela mãe teve para o ensinar a fazer xixi no bacio, deve ter sido mais difícil do que ensinar um cão a mijar no jornal. Fosse eu a mãe daquele cêpo e teria sempre à mão um jornalinho enrolado e dava-lhe constantemente com ele na tromba sempre que apanhasse aquele sacana a respirar.

O Jaquim tirou-me anos de vida porque para além de ser burro, gostava de ser burro e ofendia-se quando o tentava ensinar. Achava que todos tinham de ser súbditos dos seus caprichos. Foi logo para a um emprego onde as pessoas são apertadas para serem rápidas de pensamento. Aquilo agitou-lhe as moléculas de tal maneira que o tótó não aguentou e despediu-se (aleluia). 

Para todos vós que estão a pensar «foste mesmo má com o rapaz» e «vou fazer uma queixa à ACT por tratares mal um deficiente» a vós eu vos descanso a consciência. O Jaquim não era deficiente e nem tinha nenhum cromossoma avariado, o Joaquim só era estúpido.