É o bicho

Saio de casa. Entro no carro e arranco. Oiço uns barulhos estranhos vindos da roda do lado esquerdo e parece mesmo que tenho uma pedrinha enfiada nos refregos do pneu sempre a fazer aquele barulhinho incomodativo que me dá vontade de ir contra uma parede, de propósito, só para o barulho parar.
Chego ao trabalho e o barulho continua. Constato que o barulho, afinal, é do meu ouvido esquerdo e quase que diria que tenho um bichinho às voltas dentro da cera do meu ouvido a chafurdar à patrão. Primeiramente penso que é impossível mas depois lembro-me de todos os vídeos assustadores que já vi por essa internet fora com bichos estranhos dentro de ouvidos e em outros sítios que que nem quero saber e penso que se calhar não é algo assim tão impossível. Começo a ficar cheia de palpitações e a sofrer por antecipação. Enfio o dedo na orelha até não poder mais mas a minha unha não é grande o suficiente para escarafunchar e chego à conclusão que afinal as unhas de gel compridas até são vantajosas.
Mas talvez um bicho no ouvido não seja tão mau de todo, tendo em conta que em miúda eu tinha muitas otites e as lavagens ao canal auditivo eram bastante dolorosas chegando a doer mais que a otite em si.
Estou assim desde manhã, quase quase, à beira da loucura e de enfiar uma pau de vassoura pela orelha adentro.

Bye bye trolha

Quem nunca teve obras no exterior da casa não sabe o verdadeiro significado da expressão amor/ódio. Porque só depois de conviver durante três meses com trolhas é que nos apercebemos da falta que eles fazem quando já não estão presentes.
Três meses esses que foram os piores da minha vida, porque queria descansar e não podia que os gajos faziam uma chinfrineira tal que nem as peixeiras da lota o fazem. E digo mais: se os palhaços tivessem o brio profissional que os trolhas têm, a actividade circense palhacense não estava em crise porque os trolhas levam alegria do rés-de-chão ao décimo andar e sempre patrocinados pelo garrafão de vinho carrascão.
Mas agora que já se fizeram à estrada sinto falta dos concertos de STOMP às oito da matina, das danças sincronizadas ao som da Loca da Shakira, da rede verde em frente às janelas que parecia que estávamos em quarentena mas que afinal até tinha a vantagem de não deixar entrar melgas, do cheiro a tinta que ainda me valeu uma boas mocas e acima de tudo, tenho saudades dos piropos, que apesar de usados, reutilizados e já rasgados, continuam a deixar o ego de uma tipa nos píncaros.
Questiono-me como é que o prédio não ficou pintado aos ziguezagues e também como é que nenhum deles caiu dos andaimes porque andavam com cada carraspana que até devia ser proibido saírem de casa.
Tenho cá para comigo a sensação que se estivessem sóbrios o que demorou três meses a fazer tinha sido feito num mês... grandes sacanas!!!

Déjá (dass) vu

Estou a viver novamente um determinado momento da minha vida e não é apenas aquela sensação, é ter mesmo a certeza absoluta que isto já me aconteceu e até consigo precisar a data em que foi porque tenho um blog que uso (maioritariamente) para fazer queixinhas.
Maneiras que me roubaram outra vez a merda do tampão da gasolina do chaço. Já em 2013 (ide ver aqui) subtraíram-me o tampão original e obrigaram-me a subtrair a alguém um tampão amarelo (era a cor que estava à mão de semear) sendo que o meu twingo bordeaux com tampão amarelo ficou único em todo o Portugal e já toda a gente me reconhecia. Viam-me aqui e ali a assapar a 50 à hora ou, na loucura, 51. Mas hoje ao sair de casa e dar de caras com o buraco negro onde antes estava uma coisa amarelinha linda originou logo uns olhos marejados de lágrimas, umas quantas asneiras e uns pontapés na calçada. O Abade só me dizia para ter calma e não cometer nenhuma loucura que me arranja um mas para o relembrar de 6 em 6 meses porque é um bocado taralhoco e esquece-se das cenas mas o que ele não compreende é que eu estou preocupada com o meu tampão amarelinho. Será que está bem? Será que está numa boa casa de acolhimento? Será que o mandaram para o lixo e só me quiseram dar jajão? Ou pior do que isto tudo!!!! Será que meteram o meu fantástico tampão amarelo num twingo piroso roxo? São questões que eu já sei de antemão que me vão tirar o sono à noite mas eu sou assim: gosto de me martirizar e o período deixa-me sensível nestes assuntos.
Nos entretantos, no sempre-dramático telejornal da TVI, relataram que no Prior-Velho vandalizaram oito carros e levaram um, bem sei que o Prior-Velho é um bocado longe da minha zona mas cá para mim eles vieram aqui de propósito só para porem a cereja no topo do bolo.
Assim é a minha vida e não vale a pena reclamar.

Trabalho num manicómio

No meu local de trabalho somos todos loucos. Temos de o ser porque é a única maneira de aguentarmos atrasados mentais que nunca deveriam ter nascido, pressões descabidas e toneladas de procedimentos que é quase é preciso tomar Centrum para decorar e pôr em prática tanta pintelhice junta. Mas de vez em quando aparece um gajo mais assustador do que todos os outros e que nos deixa a pensar que se calhar até somos normais. Ora o Fenando, colega novo e em formação é um colega de peso muito parecido ao Gerard Depardieu e acha que é a sexbomb lá do sítio e quando no outro dia eu lhe estava a ensinar umas coisas sobre as quais ele tinha feito uma grande borrada ele decidiu fardar-se à minha frente. Puxou da camisola que tinha vestida e ficou de mãos na cintura. Barriga a tocar nos joelhos, tetas a tocar na barriga, uns pelinhos tímidos a surgir no meio do peitinho e a ali ficou a olhar para mim. E quanto eu mais descia o olhar para fugir à vergonha alheia pior o cenário ficava colmatando com uns sapatinhos bicudos envernizados.

Não sei se ele estava à espera que eu me atirasse para os seus braços ou se cortasse a minha carótida com o x-acto que estava ali perto de mim porque a segunda opção passou-me pela cabeça mais vezes do que devia. Contive-me. Olhei para o PC enquanto pensava na maneira mais delicada de o mandar desopilar dali sem lhe ferir os sentimentos quando finalmente lhe disse com toda a minha delicadeza "Vá Fenando baza daqui que estou farta de estar a olhar para a tuas mamas".
Funcionou tão bem que até parece que já não vem mais trabalhar. Lamentou, porque adorou a equipa com toda a sua falta de parafusos e que se estava a integrar muito bem (????) mas que tinha tido outra proposta de trabalho melhor, mais perto de casa e que ia aproveitar.
Eu é que lamento ter ficado com as tetinhas do Fenando gravadas na minha memória para toda a eternidade e que possivelmente terei de contratar ajuda psiquiátrica porque desde aquela altura sempre que alguém se farda ao pé de mim eu fico cheia de tremores e suores frios.

007: Licença para Procriar

Nestes maravilhosos 15 dias de férias (que por sinal terminam hoje e eu estou com uma lua de todo o tamanho) tive a oportunidade de me aperceber que a maioria das pessoas deveria ser impedida de se reproduzir. Se um casal quisesse ter filhos deveria passar por uma série de testes para averiguar a inteligência (ou falta dela) e se era apto ou não para criar um ser que seja respeitado, que respeite os outros e que respeite o meio ambiente onde se encontra e não um selvagem atrasado mental.
Eu nunca me tinha apercebido o quão mal educadas são as nossas crianças e que os pais (ou avós) são demasiado permissivos com tudo e incapazes de dizer um 'não' e se preciso dar um tapa na nalga.
Por entre maus comportamentos na praia, em exposições, na rua e afins o que me deixou mais perplexa foi no Oceanário com a maioria das crianças a enfiar mãos nos aquários, aos pontapés e murros nos vidros perante a impassividade dos pais que sorriam e achavam graça. Deixa-me envergonhada ver que crianças da mesma faixa etária mas de outras nacionalidades estarem concentradas no que viam e fascinadas enquanto que as nossas pareciam uns animais que só dava vontade de as atirar ao tanque principal ou dar-lhes com dardos tranquilizantes para elefantes nas nalgas.

Com isto tudo só quero dizer que aquilo que vi durante as minhas férias deixou-me preocupada porque se o nosso futuro recai nestas criancinhas estamos todos bem fodidos!

Aquele momento...

Em que quase não tive tempo de baixar as calças com a tremenda caganeira que se abateu sobre a minha pessoa e que originou a maior colectânea à pressão de ditos portugueses sobre a nobre arte de cagar:

Estava a ver que morria. Estive mais para lá do que para cá. Ia morrendo. Caguei daqui até à Lua. Estive vai que não vai. Fiquei vazia. Caguei tudo o que tinha e o que não tinha. Caguei até a alma. Estive na eminência de uma calamidade. Até me arde o olho. Foi um golpe de misericórdia. Estava mesmo a dar as últimas. Eu caguei por mim, por ti, por nós e por vós.

Olhem depois disto só vos posso aconselhar a nunca beberem um copo de água fresca depois de beberem um galão e a comprarem papel higiénico de dupla folha, de preferência fofinho pois não há nada pior do que ter as bordas assadas.

Viagem ao outro mundo

Se estão em casa e a pensar enfiarem-se num shopping porque estão entediados percam a conta a 17,00€ e vão ao Oceanário ver a Exposição Permanente (que é o Oceanário) e a Exposição Temporária "Floresta Submersas" de Takashi Amano.
Poderia dizer muita coisa sobre esta última exposição mas a arte de aquascaping é tão bonita, aliada à banda sonora relaxada que inundava toda a sala que não consigo pôr por palavras aquilo que me toca o coração.

Digo apenas que no final da Exposição Temporária passaram dois documentários: o primeiro sobre a montagem do aquário de 40 metros e o segundo que era um género de reportagem com Takashi Amano onde se nota a léguas a paixão deste mestre pela natureza. Quando por último uma das pessoas que também estava a ver o documentário disse que Takashi tinha falecido no dia 3 de Agosto eu comecei logo a choramingar, de nariz vermelho, olhos inchados e fiquei deprimida o resto do dia.
Hoje deixo-vos com algumas fotos do meu dia e amanhã venho para aqui destilar veneno sobre as criancinhas mal educadas que só me deram vontade de as afogar e atirá-las aos tubarões.

Fenómenos nunca antes vistos

Este é o ano em que estou a fazer praia como manda a lei. Sem dias fracos, sem temperaturas amenas e sem comer areia com o vento. E hoje, excepcionalmente, deixámos a Fonte da Telha de lado e fomos aventurar-nos para a Praia de Galapinhos que é ali para as bandas da Arrábida.

O que dizer? Posso dizer que tira-nos o fôlego quando olhamos para a beleza dela, tira-nos o fôlego quando entramos na água e ficamos em hipotermia e tira-nos o fôlego quando ao final do dia temos de sair da praia e subir pela encosta da Serra no meio de pedras, calhaus e alguns cagalhões (de pessoas!!!!!!!!!) que quase que nos esbardalhamos e partimos os dentes. É a típica praia de olhar e não tocar: bonita até ao momento em que tocamos com o dedo grande do pé na beirinha água para avaliar a temperatura e largamos um Dassssssss bem audível. É também contra indicada para pessoas com artrite, artroses, todo o tipo de problemas ósseos e problemas cardíacos.

Queria dar aqui um agradecimento pessoal à leve brisa marítima que escondeu o calor que havia e que graças a isso apanhei um escaldão no rego das mamas e no peito dos pés e já agora aos porcalhões que cagam na mata e deixam sacos de lixo na arriba, a esses gajos desejo um senhor escaldão na ponta da gaita!

Ascensão de Júpiter...

Ou como foi mundialmente conhecido posteriormente: a Queda do Abade.
Era cerca de meia noite e coiso quando o Abade decidiu que queria ver um filme. Não queria ir para a cama cedo porque estava sem sono e apesar de eu já estar em modo zombie fiz o sacrifício e pus o filme a rolar só para não o ouvir chamar-me de cú de sono, sei agora que ele só quis mesmo foi dar-me cabo da paciência.
E se por um lado a história era cativante com alguma lógica mas que podia ter sido melhor explorada, por outro lado, ao fim de dez minutos de disparos de laser, explosões e perseguições em modo de pirilampo psicadélico começou a dar-me umas más disposições que por momentos pensei ter epilepsia e tive de fazer uma pausa. A actuação da Mila Kunis também não ajudou à festa que a correr no meio de Júpiter que ardia por todos os lados juntamente com a atmosfera a tornar-se tóxica nem uma gota de suor transpirou enquanto corria e nem um fio de cabelo desalinhou, já eu, quando eu faço trinta minutos de exercício parece que passei no meio do Olho do Katrina.
Para rematar, quando tudo não poderia piorar olho para o lado e a personagem que me impediu de ir dormir porque era muito macho-man para sucumbir ao sono estava ferrado a dormir de boca aberta e nem quando lhe mandei uma punhada no cotovelo para o acordar e bateu com a tromba no sofá foi capaz de admitir que tinha adormecido e continuou a teimar que só estava com a vista cansada naquele preciso momento.
E por último só quero aqui dizer que um filme em que um dos actores tem o último nome de um elixir bucal nunca poderá ser um sucesso de bilheteira.