O paradoxo do paradoxo

Adoro a palavra 'paradoxo'. Por mim estava o dia inteiro a dizer paradoxo pr'qui e paradoxo pr'ali. É daquelas palavras que por mais que se repitam nunca perdem o significado e soam sempre bem, assim como a palavra 'pacote'. Abre o pacote. Mete no pacote. Bom pacote. Há palavras bonitas de se dizer.
Mas isto para partilhar com vocês que hoje encontrei o momento perfeito para empregar a palavra paradoxo coerentemente e vezes sem fim. Estava eu num certo hipermercado, do qual não direi o nome porque não me pagam para fazer publicidade mas digamos apenas que a cor é vermelha. Vermelha como as minhas bochechas ficam quando vejo o que se paga por meia dúzia de merdinhas.
Maneiras que ao chegar às caixas de self-service constatei que me tinha esquecido do saco (outra vez) o que me obrigaria a ter de desembolsar (outra vez) dez cêntimos. Agarrei num saco, e passei no leitor de código de barras e diz-me a máquina muito inteligentemente "insira o produto dentro do saco".
Arregalei os olhos e primeiramente pensei que pelo grau de burrice da máquina a Skynet ainda vai demorar uns aninhos a tomar conta disto tudo e de seguinte o meu cérebro doeu quando olhei para o saco que tinha na mão e tentei por no saco que não existia na balança e o meu cérebro gritou - É UM PARADOXO MINHA ATRASADA. Deixem que vos diga que é uma sensação muito boa ser ofendida pelo próprio cérebro. É  um paradoxo de sensação. Reconhecer um paradoxo não é para qualquer um, tanto que estou aqui mas tive de tomar uma aspirina com o paradoxo que se deu.

Amores de Inverno

Ninguém tem uma relação tão profunda como eu tenho com a minha botija de água quente. O comum dos mortais (nomeadamente as gajas) utilizam a botija junto às patas, excepto eu. Eu e a minha botija temos um intrincado relacionamento amoroso nocturno só comparado a um casamento de 30 anos compactados numa única noite.
Adormeço sempre abraçada à botija fazendo-lhe juras de amor eterno. Lá pelas 02h00 da matina empurro-a para as canelas porque já me começa a chatear o facto de quase não me deixar respirar. Às 04h00 empurro-a para os pés porque já não é novidade, colmatando com um pontapé para o meio do chão às 05h00. Pelas 06h00 da madrugada meto o rabinho entre as pernas, admito que fui uma cabra e resgato-a do meio do chão, juntamente com as meias que (não sei como) desapareceram-me dos pés. Peço-lhe, imploro-lhe por mais uma ou duas horinhas da calor e adormeço novamente abraçada a ela.
Claro que isto só acontece nas noites em que o Abade faz o turno da noite e não está em casa. Porque normalmente o que acontece nestas noites é que sou eu quem leva o pontapé e vai parar ao meio do chão só porque lhe encosto os pés gelados às costas. Como se isto fosse uma razão válida para ser enxotada da cama.

Só quem tem gatos é que se compadece da minha dor

Cada vez mais me apercebo que as prioridades das pessoas estão trocadas. E o exemplo mais recente é a aplicação da nova lei de taxação dos sacos de plástico. E com isto eu não me refiro à preocupação de onde irei por o lixo, pois uma senhora entrevistada no telejornal deu-me a brilhante ideia de comprar um balde enche-lo de lixo e despejá-lo no contentor, tal e qual uma porcalhota da idade média.
Eu refiro-me sim ao problema e à crise dos sacos de plástico para limpar os preciosos cagalhotos dos meus felinos e que se lixe o lixo urbano (bom slogan).
Quero que alguém me explique como é que vou desemerdar (termo técnico verdadeiramente aplicável neste caso) deste problema?! Apanho-os com papel de cozinha, abro a janela e grito 'LÁ VAI BOMBA'?! Não apanho o cócó e preparo-me para o facto de me começarem a cagar na cama?! Meto-lhes rolhas nos adoráveis olhinhos do cú?! Atiro os gatos janela fora?!
O que vale é que eu sou uma rapariga com olho para o assunto e cheguei à conclusão que os sacos dos legumes ainda não são pagos e como tal lá vou eu, com a maior das descontracções recolher uns 5, 6, 7, 20 saquinhos de plástico e problema resolvido. Enquanto me safar assim a humanidade dorme segura por mais uma noite mas quando chegar a altura em que mesmo esses sacos são cobrados vocês preparem-se porque vai começar a chover merda por essas estradas fora.

Crónicas de uma hipocondríaca

Às vezes acho que sofro do síndrome do cólon irritável, mas na maioria das vezes tenho é quase a certeza que sofro é de crises de gases.
Isto para dizer que ontem apanhei o cagaço da minha vida quando abri a caixa do correio e dei de caras com um aviso de levantamento de uma carta da esquadra da PSP da minha zona de residência.
Senti um calafrio, uma gota de suor escorreu-me da testa e pressenti uma crise nervosa. E se por um lado acho que o peido lúdico é sempre um quebra gelo ao qual ninguém fica indiferente e acaba sempre numa boa risada que traz ao de cima a criança que há em todos nós, já o peido nervoso põe em xeque a elevadíssima educação que eu possuo e que põe a um canto a Paula Bobone.
Pé-ante-pé e bufa-ante-bufa lá fui eu a caminho da esquadra de coração nas mãos porque nunca se sabe que invejosos estão à espreita para fazer queixas-crime contra a minha beleza de fazer parar camionistas. Maneiras que cheguei ao destino e tive de aguardar que uma senhora, lavada em lágrimas, que havia acabado de ser assaltada apresentasse queixa. Os nervos eram tantos que tive de me ausentar da esquadra por breves instantes para dar uma estrondosa-bujarda na rua que até levantei os pés do chão.
Volto para dentro, o mais composta dentro do possível, a silenciar os risos nervosos e a pedir ao santo protector dos polícias que os tivesse protegido de tamanha flatulência Homérica.
Chegada a minha vez e a muito custo (da minha parte) lá chegamos à conclusão que era uma multa de estacionamento. Comecei a transpirar. Não aguentava mais a ânsia de saber qual dos carros tinha feito tamanha afronta ao código da estrada já que estão ambos em meu nome. O que me preocupava não era o valor da multa, nem ficar sem carta. O que me preocupava era a piçada que iria ouvir do Abade caso tivesse sido eu a criminosa seguida da palavra 'maçarica' vezes sem conta.
Na volta foi ele o transgressor (maçarico!!!) eu fiquei mais leve 5kg e ambos ficamos mais leves em sessenta euros.

50 Tons de Nódoas Negras

Veio o Abade ter comigo, feliz e contente, porque a empresa dele oferece-lhe para o Dia dos Namorados o bilhete para ver as 50 Sombras de Grey e ainda comparticipa metade do meu. Ora, sabendo de antemão a badalhoquice que foi o livro não se espera uma grande obra de arte cinematográfica mas mesmo assim eu quero ver porque tem sempre piada ver uma tipa ser vergastada em nome do amor. Ainda para mais sendo a Anastasia uma choninhas de primeira vai dar-me especial prazer porque se há coisa que eu não suporto é gajas sonsas e assim vou poder imaginar como sendo eu mesma a aviar-lhe nas nalgas pela educação que ela deveria ter tido mas que não teve.
Claro está, que também espero umas cenas picantes (tal como o livro) que se vão desenrolar num regabofe quando chegarmos a casa mas agora que penso nisso e conto pelos dedos da mão constato que tenho uma grande pontaria e que precisamente no dia 14 de Fevereiro o Benfica joga em casa. Fiz eu uma prenda para o Abade toda artesanal e panasca e agora, com sorte, vou levar com a prenda no meio da testa e umas vassouradas no lombo.
Não sei o que é que me preocupa mais, se a empresa dele que oferece bilhetes para filmes que incentivam a violência durante o sexo ou o facto de eu ir sofrer de violência mesmo não havendo sexo porque ainda não o avisei que vou estar com o dito cujo.

Dilemas sazonais

Ainda estou para conseguir definir a minha relação com o Inverno. Se por um lado é a minha estação favorita porque gosto de andar enchouriçada, com barretes ridículos e com os gatos todos em cima de mim à procura de calor (já que no verão, basicamente, cagam em mim) por outro lado é chato porque não me consigo mexer sem dar uma cacetada num gato, pisar o rabo a outro, tropeçar no canito e quase partir os dentes contra uma parede quando tento desviar-me de um deles.
Tanto que ainda há pouco, quando fui passear o senhor Yoshi, ao apanhar o cócó constatei que a poia é tão quentinha comparativamente com o frio que se faz sentir que me apeteceu esfregar a merda nas bochechas para aquecer mas como era um bocado nojento acabei por ficar quieta. Gelada, mas quieta.
No meio disto tudo, o que ainda dificulta mais é que estou aqui a apertar-me de tal forma a evitar ir à casa-de-banho porque o tampo na sanita está um gelo e eu tenho de lá sentar as nalgas.
Não fosse isto e o Inverno era perfeito.

Qual é a sensação de ser enrabado?

Tenho andado aqui com uma coisa entalada na garganta para vos contar só que se contar vou denegrir a minha imagem que já não é lá muito boa, portanto, vou contar e que se lixe.
Maneiras que fui à PetFestival e se soubesse o que sei hoje tinha-me antes atirado a um poço cheio de piranhas e isto porquê? Porque eu, que até sou uma moça que se considera inteligente, caí no conto da extrema-unção da vigarice ao aproximar-me de uma coruja e de uma águia fui abordada e convidada pelos "fotógrafos" a tirar uma fotografia com cada uma. Pensei eu, na minha inocência que as fotografias deveriam ser um valor simbólico pelo que me chego ao rapaz que já as tinha impresso (sem o meu consentimento) e pede-me vinte euros pelas duas fotos.
Vi-vi-vinte? Eu gaguejei, corei, mudei de vermelho para roxo e ainda me deram duas cólicas. Vinte??? Só trouxe uma das fotografias porque realmente gostei da coruja.
Mas isto não ficou por aqui. Só olhei com olhos de ver para a fotografia quando saí do recinto e qual o meu espanto que quando olhei vejo uma gaja de pomada para herpes no canto da boca (parecia, sei lá, um pouco de sémen) a cara completamente queimada pelo flash pela ausência de uma softbox , o cabelo todo lambido e desgrenhado pela ventania que se fazia sentir. Ainda tive para devolver a foto alegando que não era eu mas a pomadinha erótica no canto da boca denunciava-me.
Da próxima vez que me ligarem do Barclays a impingirem cartões de crédito vou ser simpática e compreensiva, porque são uns meninos de coro a nível de vendas agressivas comparados com os "fotógrafos" do Aquashow que cobram dez euros por fotos queimadas.