Mais uma facada cinematográfica

E foi na madrugada de 29 de Janeiro que eu pensei pela primeira vez em pôr termo à vida depois de ter a triste ideia de ver um filme altamente aclamado internacionalmente como a masterpiece do ano, de seu nome Birdman, ou em bom português: Como perder a vontade de viver em 119 minutos.
Eu já desconfiava que era uma labrega e que não percebia peva da Sétima Arte mas se aquilo é uma masterpiece eu sou uma Einstein da matemática. Nunca me senti tão enganada na vida (excepto, talvez, quando me disseram que levar no cú não doía) ao achar que lá por ter um grande elenco e paletes de nomeações que iria sair dali um grande filme!
Foi ali pelo minuto trinta que comecei a ter palpitações. Cinco minutos mais tarde um ataque de pânico ao olhar para o contador e ver que ainda faltava tanto tempo para o fim. Agarrei num gato e apertei-o para ver se ele me arranhava e, talvez, me conseguisse fazer sentir algo mais do que uma angústia interminável mas o gato era gordo e só se peidou, pelo menos fez-me rir.
Entre o filme todo não sei o que achei pior, se os longos planos a filmarem paredes (??), se os guiões que dão vontade de tomar um comprimido de cianeto ou se o som de fundo de uma bateria a tocar jazz em que só me dava vontade de arrancar os olhos ao baterista com as baquetas. A única coisa que ainda salvou a honra do convento foi a erecção do Edward Norton (porque tem sempre piada um gajo de tenda armada) e o momento em que a cinco minutos do fim eu desliguei a televisão.
Eu cá gostava de saber quem é que me vai compensar pelas duas horas de vida que perdi...

As lombas no meu caminho

Junto ao meu trabalho foram instaladas umas belas lombas de cimento que acredito que a principal causa de implementação terá a ver com o facto de (às vezes) lá ir um ou outro transeunte a voar uns quantos metros. As pessoas vivem na urgência de andarem sempre a correr e tal é imperdoável, excepto no meu caso. Porque enquanto a maioria das pessoas corre para chegar a um sítio eu corro para sair de um e logo aí se vê claramente que eu tenho razão nisto e tenho desculpa de (às vezes) ir a uma velocidade superior à permitida por lei.
Isto para partilhar com vocês que as lombas são de tal maneira gigantes e recentes que me esqueço que elas existem e cada regresso a casa é como uma montanha-russa de geografia: Ora sobes uma placa tectónica ou desces umas Fossa das Marianas e isto cinco vezes de seguida e das cinco vezes a bater com a cornadura no tejadilho e a testa no volante. Apraz-me ver que aqui o presidente da câmara se preocupa com os peões mas quem é que se preocupa com a suspensão do meu carro e com os meus pneus?? Já nem falando das rupturas capilares que tenho tido que isso aí já seriam outros quinhentos e tínhamos assunto para ir ao Tribunal dos Direitos Humanos porque o champô anti-queda é caro.

As lombas poderiam também ser uma metáfora sobre a minha vida e o porquê de não actualizar o blog desde não-sei-quando e a verdade é que tive grandes lombas que me impediram de escrever durante os meses transactos. Para além de uma grandessíssima filha de putice de gripe que nem voz tinha e que ainda hoje tenho de andar com um rolo de papel higiénico atrás para limpar os restos de ranho que ainda tenho foram as séries a verdadeira causa da minha ausência. Entre o trabalho, chegar a casa e a hora de deitar foram consumidos 85 episódios entre quatro séries diferentes. Maneiras que é normal que depois disto a vontade de vir ao pc actualizar o blog rondasse  os 0% e o 0,5%.
A quem gosta de me ler acho uma boa ideia comunicarem com a HBO, FX, Starz e AMC que isto assim não pode ser e que vocês um dia destes cometem uma loucura com a minha ausência.