Conto os dias, as horas, os minutos e os segundos para o fim de Outubro

Estamos a dia 30 de Setembro. São neste momento 23:05 e daqui a uma hora o blogger, o facebook e todas as redes sociais vão ficar infestadas com imagens fofinhas de boas-vindas ao Outubro acompanhado de uns "please, be good". Como se ao Outubro realmente importasse fazer feliz a humanidade, é que nem ao Outubro e nem nenhum dos outros meses do ano.
Então o porquê destas paneleirices ao redor da web? Porque é que continuam a achar que o Universo se preocupa?

Mas como eu sou desmancha prazeres digo-vos já que não se preocupa. Ele não quer saber se somos bons ou maus, somos apenas matéria e se somos positivos ou negativos não importa. A lenga-lenga de emanar energias positivas e o Universo retribui é mais uma mentira como a religião. Moralmente deves ser bom para outrem o que não quer dizer que esse outrem seja igualmente bom para ti ou que o Universo te recompense. O Universo é o caos organizado, uma mistura do tudo e do nada. Por mais manifestações de carinho, agrado, simpatia, humildade e altruísmo o Universo, o Outubro, o Novembro e o Dezembro estão-se completamente nas tintas para vocês.
Por isso, Outubro, vai à merda porque já estás a começar mal.

O marketing necessita de um génio como eu

Se calhar nunca se aperceberam porque odeiam anúncios e mudam logo de canal mas precisamente por odiá-los ainda mais que vós é que me dou ao trabalho de perder, dois, três, ou na loucura, cinco minutos da minha vida a ver anúncios só para os poder criticar e trazer até vós uma lufada de ar fresco na publicidade nacional. Eu sou assim, sempre a dar cú ao manifesto.
Já tinha reparado no padrão dos pensos higiénicos que é sempre composto por umas malucas sob efeito de um bom ecstasy. Depois reparei nos anúncios dos perfumes que têm sempre presente raparigas muito bonitas mas que às páginas tantas começam a ter uma trombose e fazem umas expressões estranhas. Mas eu sou uma rapariga de grandes voôs e estou aqui para salvar a indústria automobilística porque sei que a Autoeuropa dá trabalho a muita gente e tenho a noção que se continuam com os anúncios em que pessoas estão aos guinchos dentro dos chaços a conjuntura nacional vai ao fundo mais rápido do que o Titanic.

Ora que o português é um animal que gosta de experimentar coisas novas com uma boa dose javardice à mistura. Todos sabemos que cantamos dentro do carro e que cantamos mal por isso eu proponho uma inovação para algo que todos sabemos fazer bem: Tirar burriés do sótão. Já consigo visualizar uma rapariga a parar o seu Micra no semáforo, um rapaz pára ao lado e eis que ambos cruzam olhares enquanto esperam que o sinal fique verde e de dedo espetado na narina com olhares sonhadores vão juntos para casa. Casam, têm filhos, arranjam um cão e ficam felizes.
Ou temos ainda a segunda (e melhor) versão: um homem pára no semáforo no seu Ibiza, um polícia pára ao lado. Ele sorri ao senhor agente da autoridade, o senhor agente da autoridade sorri de volta, uma cabeça feminina ergue-se do colo do homem ainda a limpar os cantos da boca e sorri para ambos e eis que vão todos para casa montam a gaja em conjunto com o cão enquanto os filhos filmam e ficam felizes.
Isto é que é! Isto é o futuro da publicidade e garanto-vos que as vendas iriam aumentar de 85% a 97%, estou tão confiante nisto que estou capaz de apostar o Abade.
Até porque isto é um pau de dois bicos (adoro ironias) caso não vingasse na publicidade sempre podia criar uns guiões para a indústria pornográfica que ouvi dizer que é o futuro.

A saga do 'venha a nós o vosso pau' continua

Com a diferença de que não agora não é pau.
Há coisa de três anos comprei um chapéu-de-chuva que tinha um cabo para lá de macio ao qual eu carinhosamente chamei de Cabo dos Prazeres. Tivesse o Adamastor um chapéu como aquele e deixava de se armar em parvo e o Cabo da Boa Esperança teria sido descoberto mais cedo. Acontece que uns tempos depois o senhor meu cão tornou a comer mais um chapéu e eu pensei que nunca mais teria aquela sensação fantástica de pele de picha mas eis que três anos volvidos comprei uma capa para o meu telemóvel caríssimo que me trouxe novamente a alegria de estar constantemente a esfregar objectos estranhos nas bochechas para meu deleite pessoal.
É portátil e tem ainda a vantagem de poder esfregar na tromba em vários locais sem parecer (tão) mal pois eu nunca poderia roçar o cabo de um chapéu-de-chuva na praia num pleno dia soalheiro sem parecer ter um leve atraso nos cromossomas.
E agora dizem os puritanos 'ó didi tu és um bocado estúpida. Tens um homem a viver contigo' e em boa verdade eu vos digo que tendes razão na parte do estúpida mas como podereis imaginar o Abade não pode sacar da gaita a meio de um jantar de amigos e dar-me umas chapadinhas de caralho sem ofender o pudor alheio, assim, com uma capa de telemóvel extra-macia tenho sempre a sensação do Abade à mão-de-semear e as pessoas até acham piada ao conceito.
A minha vida ganhou outro sentido mas a vossa não vai ganhar porque eu não vos vou dizer o nome da loja que conhecendo-vos como eu vos conheço esgotam logo o stock todo.

Maldita privação de sono

Nunca fui de ter insónias nem qualquer problema em dormir e até costumo dizer que um dos motivos principais para não querer ter filhos (para além de serem chatos) é poder dormir sem ter ninguém a chagar-me a cabeça mas acontece que há coisa de semana e meia decidimos mudar a posição do quarto e mais valia ter dado uma cacetada com o dedo mindinho na quina da cómoda quando tivemos esta ideia. Realmente o quarto parece maior e o ying e o yang estão mais equilibrados do que o piço do Abade com o pito da Didi mas desde que se mexeu no alinhamento da mobília foi pior que lhe o alinhamento dos planetas em 2002 em que toda a gente ficou parva.
A bendita cama estava virada para Sul e agora esta para Nordeste e simplesmente agora não durmo. Já não sei o que é deitar-me, fechar os olhos, cair em espiral e adormecer profundamente até ao dia seguinte, isto claro, se o Abade não se lembrar de ressonar que nem uma rebarbadora. Descobri também que tenho o síndrome das pernas irrequietas e que dava mesmo jeito que os braços fossem desmontáveis já que com o stress de querer dormir não sei se os ponha por baixo da barriga, de lado ou se os atire contra a parede.
Recuso-me a por novamente o quarto como estava nem que isso implique dormir mal até ao fim dos meus dias até porque o mais que pode acontecer é que com a privação do sono eu me espete contra um muro enquanto conduzo.

A arte de bem escovar

Este mês já torrei uma valente pipa de massa em escovas de dentes. Caí no erro de comprar uma escova toda avant-garde com umas borrachinchas enfiadas lá pelo meio das cerdas (que hoje sei serem instrumentos de tortura medieval). Tivesse eu um anjo da guarda e teria gostado que ele, na altura, me fizesse escorregar num Listerine derramado, batesse com a cabeça na prateleira e ficasse impedida de fazer qualquer tipo de compra nos 10 minutos seguintes.
Prometia ela uma higiene ainda mais profunda mas não tive tempo para constatar se realmente a dita arrancava o tártaro à pazada ou não porque se continuasse a usá-la mais tempo provavelmente ainda iria era desenvolver uma profunda crise de escorbuto. Lavar os dentes tornou-se um suplício, era sangue por todo o lado, não só comigo mas com o Abade também. A borracha quando passava nos dentes era semelhante aos tanques de roupa em cimento com as ranhuras para se esfregar a roupa e juro até na sala se ouvia o tá tá tá da borracha a saltar de dente em dente. Saltava o tártaro, saltava a gengiva, saltava sangue e acredito que se continuasse a lavar por mais uma semana que saltavam os dentes.
Fui comprar uma nova mas sem mariquices incorporadas, cerdas simples, cruzadas com umas maiores e umas menores e o máximo de borracha que têm é nas costas para esfregar a língua não quero cá mais paneleirices destas porque claramente que o dentista que lançou aquela obra de arte queria ganhar uns trocos com a enchente de clientes que miraculosamente iriam começar a aparecer com dentes partidos e gengivas rasgadas.
Com isto tudo ainda ali tenho a escova guardadinha no armário porque tenho fé que um dia irei encontrar o gajo (ou a equipa) que inventou aquela maravilha e nesse dia irei fazer-lhes uma valente endoscopia mas a entrar pelo cú.

Uma aventura digna de um filme de comédia

E se na maioria dos filmes de comédia as piadas com fotocopiadoras são demasiado óbvias para ainda terem piada já na vida real e onde eu estou incluída nada é mais possível do que o impossível. Que o diga o meu futuro-ex-colega. E digo futuro-ex-colega porque hoje fizemos uma borrada digna ficar registada para toda a eternidade, e se possível, deviam dedicar um capítulo d'Os Lusíadas à cagada que eu e o "Fernando" (nome fictício) fizemos.
Eu nem sei por onde começar pois é tão ridículo e infantil mas ao mesmo tempo tão engraçado que eu estive as duas horas seguintes a rir sem parar, mal consegui almoçar e ainda tenho dores nos maxilares. Aliás, enquanto escrevo isto estou-me a rir que nem uma atrasada mental para o ecrã.

Para vos explicar mais sucintamente: no meu emprego se há algo que adoramos é a burocracia, ela está-nos no sangue e tudo o que fazemos é minuciosamente analisado e escarafunchado por uns gajos lá no cú de judas. Tudo gira à volta de informática, de análise de documentos digitalizados, de processos e mais processos e se o meu futuro-ex-colega soubesse o que iria acontecer quando pediu ao Fernando para lhe digitalizar uns documentos para o e-mail ele teria voluntariamente cortado a própria gaita com um cutelo a ter-lhe pedido favores. Maneiras que o "Fernando" lembrou-se de enfiar a mão no vidro da fotocopiadora e fazer um pirete e eu também quis dar o meu pirete ao manifesto e digitalizamos um bonito documento com duas mãos a fazerem piças com os dedos. Eu ainda voltei atrás e meti a minha fronha dentro da impressora e digitalizei o meu perfil.

Saímos às risadas e o meu colega diz-me cheio de alegria e boa disposição que estava muito engraçado e que melhor, só mesmo a digitalização das nalgas e quando eu lhe pergunto "e a outra digitalização?" e ele me pergunta "qual outra?" é que vimos a vida (dele) a andar para trás.
Ora então o meu super, querido e eficiente-futuro-ex-colega anexou o documento sem o abrir e quando fomos pesquisar e clicamos no 'ver documento' abriu-se-nos diante dos nossos incrédulos olhos uma bela imagem, de boa qualidade e com boa pixelização de duas mãos com os dedos do meio esticados como que a sorrirem enquanto nos mandavam para o caralhete. O colega só dizia "então e agora?!" o Fernando e eu ríamos e dizíamos "então agora és despedido". Pedíamos desculpas e riamos novamente. Ainda o acusámos que a culpa afinal tinha sido dele, porque deveria ter aberto o anexo. Ele ficou a tarde amuado e de cú apertado e nós continuávamos a gozar e dizíamos que caso alguém reparasse naquilo justificaríamos que a pessoa não sabia assinar e como tal teria de ser por impressão digital.

Foi uma tarde épica em que qualquer semelhança desta história com a realidade não é ficção e se alguém descobrir esse maravilhoso anexo é porque trabalhamos para os mesmos tipos e é favor não se descoserem.