O dia das trombinhas

Ao contrário da pessoa supé simpática que sou hoje em dia, em miúda eu era uma mula antipática que não sorria, não falava e não gostava de cumprimentar ninguém. Perdi a conta de quantas vezes a minha mãe me dizia que eu só a fazia passar vergonhas por não falar às pessoas e as vezes que o meu avô materno me dizia que havia trombas de porco com feijão para o jantar. Mas eu era assim, não gostava de pessoas e não gostava que me obrigassem a gostar.
Lembro-me que das poucas vezes que sorri foi num casamento em que o fotógrafo achou que iria captar um grande momento fotografando uma miudinha sem os dentes da frente e decidiu tornar a fotografia ainda mais macabra ao fazer uma colagem metendo a minha cabeça e o meu buraco negro de estimação dentro de um coração feito a arco-íris. Se houvesse um hall of shame com as fotografias mais assustadoras da humanidade a minha estaria lá. Eu quero acreditar que alguém meteu um drunfo na minha água e que eu não sorri de livre vontade, quero acreditar que fui forçada a sorrir.

Hoje em dia olho para as fotografias de outrora e vejo o porquê de andar sempre chateada. A minha mãe era péssima a conjugar cores e em cada outfit ela conseguia combinar cinco cores diferentes: casaco vermelho, camisola amarela, saia azul, collants verdes e sapatos castanhos. Fazia-me usar sapatos com aqueles fatos de treino da feira feitos de material duvidoso que, de certeza, eram inflamáveis e que foi uma sorte eu nunca ter entrado em combustão. E se me dessem a possibilidade de mudar algo no passado eu queimaria os cabrões dos collants de lã: um dos meus traumas de infância que ainda hoje me causa arrepios na espinha e suores nocturnos só de lembrar a comichão que aquilo dava. Antes um tareão todos os dias do que collants durante uma semana.
Tenho para mim que se nas prisões obrigassem os malandros a vestirem lã que uma vez cumprida a pena eles iriam fazer de tudo para não serem novamente presos, aposto que, na loucura, até estariam dispostos a serem cidadãos exemplares e cumpridores da lei.

Deixo-vos agora com uma fotografia do meu trombil enquanto cachopa para que vejam a alegria que emana de mim. Eu irradio simpatia e quem disser o contrário leva com um mau-olhado.

15 comentários:

  1. acho que querias dizer "e quem disser o comentário", desculpa a correcção, os teus olhos não mudaram em termos de atitude, continuas a ter um ar misterioso e interessante, quanto aos collants de lã até fiquei eriçado só de falares nisso.

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    1. Obrigada pela gralha ali no texto, já está corrigido. Falhou-me em grande estilo ehe. Olha que eu acho que o ar misterioso, de certeza, que eram as comichões nas pernas :-D

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  2. Ahahaha...que trombas adoraveis. Nao penses que eras a unica a usar essas reliquias sinteticas! Nao te faças de vitimas! Lol

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    1. Eu acho que a malta dos anos 70, 80 e alguns dos 90 tiveram este karma de usar roupa horrível :D o guito não abundava e nem o bom gosto haha

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  3. Não te ofendas Didi mas eu acho que eras fofinha.

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    1. Claro que era fofinha, mas era uma fofinha trombuda :D

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  4. As nossas roupinhas eram sempre um máximo :D

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    1. Eu juro que um dia destes ponho aqui os meus piores conjuntos de quando era miúda, inclusivé, a foto horrível em que estou desdentada e no meio de um coração lol

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  5. Fofinha trombuda ou não, eras fofinha e ponto final!
    Dessas conjugações de cores não e posso queixar que a minha mãezinha era muito fashion consciente, já os collants todos os dias rasgava uns :D:D

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    1. És a primeira pessoa então, porque eu não conheço ninguém que estivesse matchy-matchy nos álbuns de família :D

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  6. hahaha
    www.AwkwardFamilyPhotos.com
    vai ver este pode ser que la encontres alguma foto tua!
    e fizeste-me lembrar do teu post dos vizinhos.

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  7. Tens sorte.. Para além das meias de malha, a minha mãe ainda me fazia um toto mesmo no topo da mona.. Um daqueles tipo chafariz!!

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  8. Essa das roupas e combinação de cores, era um mal geral. Eu odiava as minhas roupas... Quanto à foto só tenho a dizer que estás completamente adorável. Adoro!

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