Didi, preparada para lidar com ladrões, estranhos e espíritos desde '85

Alguma vez se sentiram tão, mas tão cansados que não querem saber do que existe à vossa volta? Apenas querem uma cama e dormir durante um mês?
Eu sinto isto muitas vezes, aliás, sinto todos os dias por isso não é de admirar que muitas das vezes ao acordar esteja meio bêbeda de sono e não quero saber de nada senão voltar a fechar a pestana e dormir mais uns miseráveis, mas necessários, cinco minutos.
Aconteceu-me isto no outro dia, quando eu sinto o corpo a acordar, abro um olho e vejo um vulto sentado na beira da cama. Não sabia quem era e nem quis saber. Se fosse um ladrão que me levasse tudo mas em silêncio para eu não acordar. Se fosse um espírito que não me partisse muitos copos, nem me rasgasse as cortinas e se fosse para uma possessãozinha que não fizesse muito estardalhaçalho para não acordar os vizinhos. Mais tarde, ao acordar lembrei-me daquela presença e associei que afinal  de contas devia ser o Abade a ganhar coragem para ir trabalhar e à noite perguntei-lhe o que é que ele estava a fazer sentado na beira da cama. Não me soube responder e disse-me que nem se lembrava de ter estado lá sentado. Interrogo-me sobre o que será pior, se eu que não me importo com estranhos sentados na minha cama de madrugada ou de um gajo que é meio sonâmbulo e nem se lembra do que faz quando o despertador toca. Um dia destes aperta-me o pipo a dormir e depois diz que não se lembra de nada.

Agora que penso sobre esta situação talvez aquele vulto não fosse o Abade e talvez fosse outra coisa qualquer, eu costumo ser mais corajosa estando semi-consciente mas agora que estou totalmente consciente e penso nas possibilidades que existem fiquei com o olhinho do cú um bocadinho apertado.

O dia em que fiz uma viagem astral até ao xilindró e voltei

De tempos a tempos eu faço alguma ao meu computador que me obriga a formatá-lo. Normalmente passa por instalar sistemas operativos e programas que o deixam meio caquético apesar de ele até ser uma boa máquina. Mas o que realmente me chateia é quando eu não faço "nada" e os problemas vem tem comigo.
Maneiras que estava eu muito bem a deambular por essa internet fora a ler "artigos" quando todo o Chrome bloqueia num grandessíssimo filho-duma-égua dum pop-up gigantesco com um aviso da polícia judiciária a dizer que todo o conteúdo do meu preciosíssimo disco rígido estava apreendido porque eu tinha violado umas leis de direitos de autor de audiovisuais, conteúdo protegidos, pornografia e toda uma panóplia de coisas que eu nem tive tempo de ler. O ctrl+alt+del não funcionava, o gestor de tarefas não funcionava, comecei a sentir umas palpitações a subirem por mim a cima e vai de puxar a tomada e desligar o pc à má-fila tal era o pânico misturado com a cagufa que eu sentia.
Depois fiquei com o coração aos pulos de alegria só pensar que ia passar uma semaninha aos calabouços da PJ onde seria interrogada insistentemente com algemas e afins por aquele agente que foi preso por fazer streaptease e fui trabalhar feliz, mais tarde cai na realidade e após uma árdua pesquisa de cinco minutos constatei que aquilo era uma virose e que na maioria das vezes até activam a webcam para tirarem umas fotos à malta. Fiquei triste porque pensei que ia passar umas merecidas férias e na volta perdi horas preciosas de sono porque fiquei até às cinco da matina a formatar o portátil com um papelito em cima da webcam não fosse o diabo tecê-las e fotografarem-me com as tetas ao léu.
Sabem o que é que vos digo? É que nunca mais vejo um pornozinho de qualidade, para dar a dor de cabeça que deu e os anos de vida que me tirou é que não vale mesmo a pena.

O dia das trombinhas

Ao contrário da pessoa supé simpática que sou hoje em dia, em miúda eu era uma mula antipática que não sorria, não falava e não gostava de cumprimentar ninguém. Perdi a conta de quantas vezes a minha mãe me dizia que eu só a fazia passar vergonhas por não falar às pessoas e as vezes que o meu avô materno me dizia que havia trombas de porco com feijão para o jantar. Mas eu era assim, não gostava de pessoas e não gostava que me obrigassem a gostar.
Lembro-me que das poucas vezes que sorri foi num casamento em que o fotógrafo achou que iria captar um grande momento fotografando uma miudinha sem os dentes da frente e decidiu tornar a fotografia ainda mais macabra ao fazer uma colagem metendo a minha cabeça e o meu buraco negro de estimação dentro de um coração feito a arco-íris. Se houvesse um hall of shame com as fotografias mais assustadoras da humanidade a minha estaria lá. Eu quero acreditar que alguém meteu um drunfo na minha água e que eu não sorri de livre vontade, quero acreditar que fui forçada a sorrir.

Hoje em dia olho para as fotografias de outrora e vejo o porquê de andar sempre chateada. A minha mãe era péssima a conjugar cores e em cada outfit ela conseguia combinar cinco cores diferentes: casaco vermelho, camisola amarela, saia azul, collants verdes e sapatos castanhos. Fazia-me usar sapatos com aqueles fatos de treino da feira feitos de material duvidoso que, de certeza, eram inflamáveis e que foi uma sorte eu nunca ter entrado em combustão. E se me dessem a possibilidade de mudar algo no passado eu queimaria os cabrões dos collants de lã: um dos meus traumas de infância que ainda hoje me causa arrepios na espinha e suores nocturnos só de lembrar a comichão que aquilo dava. Antes um tareão todos os dias do que collants durante uma semana.
Tenho para mim que se nas prisões obrigassem os malandros a vestirem lã que uma vez cumprida a pena eles iriam fazer de tudo para não serem novamente presos, aposto que, na loucura, até estariam dispostos a serem cidadãos exemplares e cumpridores da lei.

Deixo-vos agora com uma fotografia do meu trombil enquanto cachopa para que vejam a alegria que emana de mim. Eu irradio simpatia e quem disser o contrário leva com um mau-olhado.