Só quem passa por esta situação é que compreende a minha aflição

Vinha eu para casa, após uma árdua tarde/noite de trabalho a pensar no meu sofá e na barra de chocolate que tinha no armário quando estaciono o carro e olho de longe para a porta de entrada do prédio e vejo um grande maranhal de gente a esbracejar, por momentos, ainda pensei que tinha estacionado junto a uma segurança social mas rapidamente lembrei-me que era algo muito mais grave e sério do que isso. Era a reunião de condomínio do prédio e eu tinha-me esquecido completamente.
E quando digo que me esqueci, não era com intenções de comparecer na dita, era de engonhar no trabalho de maneira a chegar tarde o suficiente para ninguém me apanhar e no dia seguinte afirmar com ar de verdadeira tristeza que a coisa que eu mais queria na vida era ter comparecido mas que o emprego assim não mo permitiu e, caso necessário, ajoalhar-me-ia e pediria perdão.

Pus em marcha o Plano A. Entrar de fininho e dizer que ia só a casa por a malinha da merenda e fazer um xixizinho que estava supé aflita e que já regressava (só aqui entre nós, era mentira). Mas assim que entro no prédio agarram-me no braço, dão-me um puxão na minha malinha que continha o pirex com restos de douradinhos e feijão preto e, à bruta, raptaram-me. Eu bem comecei a dizer que precisava de urinar mas ninguém me ligou patavina, ignoraram por completo as necessidades fisiológicas de uma vizinha.
Pela urgência com que fui abordada pensei que a reunião era direccionada a mim, que finalmente, alguém se tinha queixado à administração que não podia ouvir mais peidos, arrotos e ressonares vindos da minha fracção mas na volta não e eu pus então em prática o Plano B: encostar-me à parede, abraçar o meu destino de mártir e escutar aquela palestra até às duas e meia da manhã. Foi um sequestro civilizado em prol de uma mini-sociedade em propriedade vertical onde não houve direito a resgate nem a xixis. E foi mais ou menos pela uma da manhã quando eu já estava exausta e saturada que finalmente percebi que Deus não gosta de mim e quis-me castigar por não ter comparecido às reuniões anteriores.

A todos aqueles que sofrem como eu sofri um bem-haja. Quero acreditar que a humanidade ainda tem salvação, excepto os meus vizinhos que são uns grandes bois.

9 comentários:

  1. E não comeste os restos dos doudarinhos com o feijão preto? Ser raptada e passar fome é que não.. E os restos do feijão ainda podiam ser úteis em bombardeamentos futuros...

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    1. Não que já estava cheia. Eu tenho mais olhos que barriga e depois dá nisto: sobras de comida :-D

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  2. eheheh não mudes de vizinhos, muda de casa... :)
    de preferência uma cabana longe de vizinhos... :)

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    1. Eu queria ir viver era mesmo para o meio do mato, já estou farta de pessoas. Um dia destes faço um massacre e apareço nas notícias.

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  3. Nao sei o que é isso! Alias sei, mas nao compreendo. As reunioes de condominio do meu predio duram no maximo 40 minutos. O que se passa nesse prédio? Lol
    Fogo....que seca! Até a mim me doeu.

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    1. Pois, se tudo estivesse bem no prédio as reuniões eram curtas o problema é que há dois anos para cá dois administradores que estavam à frente na altura gastaram o guito do prédio para uso pessoal, olha, foi uma pouca vergonha lol

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  4. lol eu gosto de ir as reuniões de condomínio, tenho vizinhos que só os vejo uma vez por ano.
    e desde que não esteja a dar jogo de futebol tv vamos para o café fazer a dita reunião.

    ps. não devias estar muito aflita para fazer xixi, porque se tivesses fazias como eu ja vi algumas senhoras a fazerem no meio da rua!

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    1. Eu tenho uma grande bexiga :D, às vezes até me perguntam, nos concertos, como é que aguento tanto tempo, claro que não faz nada bem... mas isso são outros quinhentos.
      Olha tomara eu nunca ver os meus vizinhos, odeio-os e eles nunca me fizeram mal que é a parte mais engraçada da história... mas o simples facto de estarem vivo irrita-me :D

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  5. Felizmente, sempre escapei às ditas...

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