Her. Uma lição de vida

Como vocês já puderam constatar eu sou uma rapariga que gosta de opinar sobre filmes e hoje trago até vós um filme do futuro que nos ensina a nós, mulheres, novas formas de dar com os pés a alguém e deixá-los a sentir os maiores incompetentes à face da Terra.
Her, ou em bom português, Grande Vaca é um filme em que Theodore (Joaquin Phoenix) se apaixona por um sistema operativo com a voz da Scarlett Johansson, que se auto-intitula de Samantha. Ora se já de si, Samantha é nome de travesti, a juntar à voz sensual da Scarlett só podia sair dali uma grande badalhoquice.
Samantha é a chamada IA (inteligência artificial) que após conhecer o Theodore e experimentar emoções e sensações pecaminosas acaba por se apaixonar por ele mas que, atempadamente, viu que ia cometer o maior erro da sua vida e conseguiu mandá-lo à fava antes de ficar com uma penhora para a vida.

Não se enganem pelo que aqui escrevo, porque o filme é bonito e eu aconselho mas o que considero realmente útil é a forma como um sistema operativo nos ensina a dar com os pés a um gajo. Louvo o facto de ela ter aprendido rapidamente que o ser humano é um bocado labrego tanto que "falava" com ele e com mais oito mil humanos, 641 dos quais estava apaixonada, logo aqui se vê que a Samantha é uma boa gestora de recursos e de tempo. Mas o auge foi quando ela disse ao Theodore que o ama, mas que ela é muito mais evoluída do que ele e como tal não pode ficar à espera que ele evolua. Longe vai o tempo quando para acabar uma relação se dizia "o problema não és tu, o problema sou eu que não sei o que quero", a Samantha elevou isto a outro nível ao dizer basicamente "Olha meu atrasado tu não sais da cêpa-torta e eu já estou a emburrecer. O problema és tu. Tenho de evoluir. Adeus ó burro que eu vou fornicar com outros Programas" e assim se terminou uma relação virtual à bruta.
Fosse comigo e eu perseguia a Samantha até aos confins do mundo. Para ser tão promiscua e badalhoca, de certeza, que era Linux. Eu punha-lhe um vírus em cima tão grande, mas tão grande que ela nunca mais fazia sexo virtual com mais ninguém. Era o que mais faltava pagar um balúrdio por um sistema operativo excêntrico e depois levar um chuto na peida, é pior do que ir às putas e apanhar uma DST.

Só quem passa por esta situação é que compreende a minha aflição

Vinha eu para casa, após uma árdua tarde/noite de trabalho a pensar no meu sofá e na barra de chocolate que tinha no armário quando estaciono o carro e olho de longe para a porta de entrada do prédio e vejo um grande maranhal de gente a esbracejar, por momentos, ainda pensei que tinha estacionado junto a uma segurança social mas rapidamente lembrei-me que era algo muito mais grave e sério do que isso. Era a reunião de condomínio do prédio e eu tinha-me esquecido completamente.
E quando digo que me esqueci, não era com intenções de comparecer na dita, era de engonhar no trabalho de maneira a chegar tarde o suficiente para ninguém me apanhar e no dia seguinte afirmar com ar de verdadeira tristeza que a coisa que eu mais queria na vida era ter comparecido mas que o emprego assim não mo permitiu e, caso necessário, ajoalhar-me-ia e pediria perdão.

Pus em marcha o Plano A. Entrar de fininho e dizer que ia só a casa por a malinha da merenda e fazer um xixizinho que estava supé aflita e que já regressava (só aqui entre nós, era mentira). Mas assim que entro no prédio agarram-me no braço, dão-me um puxão na minha malinha que continha o pirex com restos de douradinhos e feijão preto e, à bruta, raptaram-me. Eu bem comecei a dizer que precisava de urinar mas ninguém me ligou patavina, ignoraram por completo as necessidades fisiológicas de uma vizinha.
Pela urgência com que fui abordada pensei que a reunião era direccionada a mim, que finalmente, alguém se tinha queixado à administração que não podia ouvir mais peidos, arrotos e ressonares vindos da minha fracção mas na volta não e eu pus então em prática o Plano B: encostar-me à parede, abraçar o meu destino de mártir e escutar aquela palestra até às duas e meia da manhã. Foi um sequestro civilizado em prol de uma mini-sociedade em propriedade vertical onde não houve direito a resgate nem a xixis. E foi mais ou menos pela uma da manhã quando eu já estava exausta e saturada que finalmente percebi que Deus não gosta de mim e quis-me castigar por não ter comparecido às reuniões anteriores.

A todos aqueles que sofrem como eu sofri um bem-haja. Quero acreditar que a humanidade ainda tem salvação, excepto os meus vizinhos que são uns grandes bois.

Destruíram-me mais um bocadinho

Alguém tem o email do José Padilha? É que queria agradecer-lhe por destruir mais um bocadinho a minha infância com outro remake falhado.
Pois que vi o Robocop e nunca a música dos Mamonas Assassinas, RobocopGay, me pareceu tão apropriada. Senti-me defraudada. Vocês estão a ver quando um rapaz desmonta da sua mota, com o seu capacete enfiado na cabeça e todo ele parece envolto em mistério e que nos deixa a acreditar que ele é um deus grego e depois quando tira o capacete afinal é a Medusa? Foi mais ou menos assim, mas com um gostinho a pickles no goto.
Assim que vi a nova armadura do Robocop esfreguei as mãos e pensei cá para comigo que estava bem produzido e que ia haver molho mas depois de vinte minutos tive de ir confirmar se estava a ver o filme correcto porque o Robocop de que me lembrava não era um gajo panasca, o Robocop era um grande macho aprisionado dentro de uma lata de atum em conserva com a marca da OmniCorp que descarregava a sua frustração na massa corrupta de Detroit e não um tipo sensível que estava sempre a analisar os estados emocionais de cada ser humano.

E onde é que está a Lewis? A parceira do Robocop? Aquela venerável senhora do Catujal que mascava pastilha de boca aberta com uma confiança tal que deixaria a Paula Bobone de rastos?!
Mas o que mais me chocou nem foi o ar afectado do novo Robocop, nem foi a esposa irritante, nem do filho que claramente apanhava na tromba na escola por ter o Homem de Lata do Feiticeiro de OZ como seu pai. O que me revoltou foi a mão que deixaram ao Robocop.
Uma mão delicada, de pele lustrosa e com unhas arranjadas. Ainda hoje acordo sobressaltada à noite com perguntas sobre o porquê de eles deixarem a mão intacta, a mão que levou com o impacto da explosão e que, pela lógica ficou irrecuperável mas que estava perfeita. Não consigo perceber a crueldade do realizador em dar-lhe a mão e tirar-lhe o marsápio. É quase como vender a televisão para comprar um leitor de dvd, não se faz!

Porque o meu ass merece

No ano passado comprei uma bina e andava toda entusiasmada com aquilo. Já me imaginava a fazer a volta à França em Portugal ao segundo dia. Toda eu era moral mas a moral foi pelo cano abaixo.
Desmoralizei porque nunca conseguia fazer mais de 20/30km com diferença de uma semana entre cada volta sem que ficasse com fortes dores nas nalgas e mais tarde na testa do pito, foram alturas dolorosas em que eu pensei que fosse falta de hábito mas as dores nunca passaram e eu desisti. Quis acreditar que eu e o desporto éramos eternamente incompatíveis, amantes há muito separados, pior que Romeu e Julieta. Quis escrever uma teoria sobre o assunto mas o Abade chamou-me de parva e mandou-me pedalar que era falta de calo no cú.
Até que chegou o dia em que achei que tinha de investir num selim porque isto assim não podia ser, ou era isso ou Abade ia desmontá-la e usar as peças dela na dele, coisa que já há muito me andava a ameaçar e isso é que não! Maneiras que lá comprei um todo catita e um todo ou nada paneleiro, mas que é normal, porque afinal é um "selim para senhora" e deixem que vos diga que o meu cagueiro anda nas nuvens e em dois dias já fiz 36km e não estou nada dorida. Mas acho por bem começar devagar para não ficar assada numa virada e renunciar para todo o sempre ao desporto.
Podiam era ter-me dito que convinha pedalar com o selim posto, tinha poupado muitas dores de cabeça e evitava o cheiro a carne de porco chamuscada. Agora sim. Vamos lá então fazer a Tour de France (mas em Portugal).

O mistério da mensagem fantasma

De há uns tempos para cá tenho vindo a reparar que o ícone das mensagens do facebook dá sinal de vida. Abro as mensagens e nada. Mau. Reparo que afinal tenho um (1) nas outras mensagens, supostamente, as filtradas. Abro intrigada e nada outra vez. Começa-me a escorrer um pingo de transpiração pela coluna abaixo que se aloja nervosamente no rego do cú.
Talvez seja um bug? Talvez. Dias depois lá aparece novamente o símbolo de uma nova mensagem e mais uma vez, nada lá dentro. Por esta altura já deixei de lado o raciocínio lógico de que poderá ser um bug e passo à fase psicótica seguinte: começo a entrar em pânico e a achar que "alguém" quer falar comigo.

Será que os entes do além conseguiram arranjar uma nova forma de se conectar com os entes destas? Eu espero bem que não. Mal tenho mãos que cheguem para lidar com tanta gente viva deste lado que não tenho disponibilidade para as gentes do outro. Só espero é que não se lembrem do Whatsapp e do Viber porque senão tenho a vida arruinada e o pacote de dados nas lonas para toda a eternidade.
Mas quer-me cá parecer que com a quantidade de mensagens em branco que recebo que os moços não se estão a dar muito bem com as tecnologias, ou então, só têm por lá um Zx Spectrum e já estão a dar em loucos com o desespero e mandam cacetadas no teclado, batem no enter sem querer e enviam-me isto assim. Vou deixar aqui uma dica, caso eles estejam a ler (eles os espíritos, ou eles os serviços secretos que tudo espiam) podem experimentar enviar-me um chocolategrama que eu agradeço e ganham aqui uma amiga para a vida (e para além dela).

Já estou a pensar na emissão de cartões para meter aí nos carros do pessoal:
"Professora Didi, mãe de cão, gato, tritão e gecko. Perita em esvaziar cozinhas cheias de comida e carteiras cheias de dinheiro. Experiência em assuntos da alma por chat do facebook ou google+, não aceito pelo orkut nem pelo hi5. Cash in advance".