Dissertações sobre a essência do macaco

E enquanto analisava atenciosamente a situação de um cliente eis que a minha cara colega, colaboradora e amicíssima Iny me atira um 'olha lá ó porca qual é a consistência do teu macaco?' enquanto me via de dedo indicador enfiado venta acima quase a tocar no olho.
De início não dei importância, mas ao chegar a casa constatei que é um assunto que deve ser abordado e que a maioria das pessoas tem medo de falar porque é tabu. Aliás, eu conheço pessoas que levam na bufa como se o mundo acabasse hoje, mas no que toca a macacos puxam logo vómito e chamam-me de porca.
Ora eu, javardolas desde tenra idade, que quando miudinha e a minha mãe não me dava dinheiro para pastilhas eu arrancava as ditas do chão do recreio e mascava-as não haverá muito mais que me possa meter nojo pelo que dei o corpo e a minha narina direita ao manifesto da Ciência.
Segundo a Wikipédia um macaco é um mamífero. Obrigado pelo óbviosidade da coisa! Mas depois seguiu-se uma observação proeminente no Yahoo! Respostas que nos diz que é "uma substância viscosa de origem biológica" mas abordando mais profundamente o Google dei com um site (duvidoso) que indicava que "comer macacos reforça o sistema imunitário" e aqui sim chegamos ao busílis da questão e o porquê de eu ser saudável. 
Mas como eu sou uma tipa que gosta de abordar os assuntos de forma científica, objectiva e imparcial pus em prática a análise e constatei que de manhã, ao acordar, é a melhor altura de limpar o sótão. Estão crocantes e um toque de unha fá-los logo despegar-se e cair quais cornflakes a saltarem do pacote para a tigela. Depois mais pelo meio da manhã com a ajuda dos ares condicionados a constituição dos mesmos é mais aquosa, pegajosa, daqueles que normalmente dizemos que 'epá parece que traz um bocadinho do cérebro atrás'. 
Lá mais pelo meio da tarde, ganha uns tons de verde escuro com um leve degradê de verde claro com um pequeno apontamento de vermelho. Sinal, de quê, andamos a escarafunchar mais do que o devido e já se arranhou uma veia. E normalmente ao final da noite, já com o nariz meio dorido destas investidas científicas o burrié vem acompanhado de uma nanha vermelha e da frase 'ai jesus que tou a sangrar do nariz, arranja aí um lenço que eu vou-me esvair em sangue'.

É nestas situações que me dá pena. Tanto. Mas tanto talento científico desperdiçado em mim. Eu poderia ser o próximo Nobel da Ciência e ando aqui a esbanjar pérolas de sabedoria.

A vida em flashback

Das recordações que mais me lembro da minha juventude, a seguir a apanhar porrada com a colher de pau por roer as unhas, era ver os Ficheiros Secretos às quartas na TVI. Também gostava muito de ver às escondidas os filmes badalhocos que davam de madrugada e ainda hoje tenho pesadelos com a Orquídea Selvagem, mas isto já são outros quinhentos.
Nunca perdi um episódio, mesmo estando de castigo via pela fresta da porta entreaberta. Ainda bem que nunca fui apanhada porque senão para além de apanhar outra vez no lombo perdia o episódio e isso é que me chateava. Quem é que precisava de amigos quando tínhamos os Ficheiros Secretos? Ninguém. Por isso mesmo ainda hoje sou anti-social e quero acreditar que existe algo mais.
Maneiras que hoje ao atender uma tipa veio-me à recordação o nono episódio da segunda temporada, de seu nome Firewalker. Isto porque era um episódio onde uns cientistas tinham sido contaminados com uns fungos que às paginas tantas enchiam-se de nhanha e rebentavam, contagiando quem estivesse em contacto com os esporos. Ainda me lembro da Scully à rasca para não levar com o espirro do esporo na tromba refugia-se atrás de uma porta de vidro e não é contagiada. Durante muito tempo acreditei que um gajo a ter um orgasmo era quase assim, sujava tudo no espaço de um metro, depois de crescer aprendi que não, assim como aprendi que as colheres de pau têm outras utilidades, como por exemplo, imagine-se, cozinhar.
Mas tudo isto para dizer que estava a atender uma matrafona que tinha a beiça de tal maneira inchada com herpes que parecia que tinha um berlinde pendurado no lábio cheio de pus e eu revi aquele episódio à frente dos meus olhos, e pensei cá para comigo que era agora. Aquilo para que os Ficheiros Secretos nos tinham preparado tinha chegado. A qualquer momento, aquilo iria rebentar e eu estaria preparada.
Por acaso nada disso aconteceu. Fiquei desiludida. Não houve evacuação (excepto à bocado que eu evacuei um bocadinho) e a Scully nunca levou com o fungo do Mulder.
A minha juventude foi uma mentira.

Dramas femininos com pressões barométricas e algumas pluviosidades

Tenho para mim que a segunda melhor sensação do mundo é ter o pito tosquiado. Dá-nos uma sensação de novidade, limpeza e correntes de ar que ao mesmo tempo são estranhas e refrescantes à alma de uma garina. Mas como em tudo na vida, há sempre o reverso da moeda. Onde o Universo nos dá alegrias com uma mão a seguir espeta uma faca nas costas com a outra.
Eu comparo um pipi sem pêlo a um daqueles sistemas de rega super modernos que jorram água para tudo o que é sítio (daqueles que fazem tá-tá-tá-tá-tá). Já sei de antemão que quando ando com a gina ao léu e tenho de ir a WCs públicas vou ter de praticar sessões ginastas e de contorcionismo ao ponto de me deixarem com cãibras durante largas horas.
É como uma dança: abro o fecho. Baixo as calças. Ponho-me em bicos de pés. Meto a nádega direita levemente mais subida que a esquerda e experimento largar a gotinha. Muita força. Demasiado esguicho para nordeste. Levanto dois milímetros mais a perna direita. Deito nova gotinha. Inclinação para sudeste. Esguicho com ligeira ondulação de 0.3-0.5 metros de altura e a 32km/h. Perfeito. Mais perfeito era impossível.
Digo-vos desde já que é preciso uma grande mestria e ter mijado pelo menos umas três vezes os calcanhares para acertar com o buraco mas hoje posso dizer que a minha gina é uma autêntica rosa dos ventos sabendo sempre o norte magnético da Terra, as correntes, e a direcção do vento.
Ainda no outro dia um transeunte perguntou-me qual era a carreira para o Campo Grande. Não lho soube dizer. Mas soube indicar que se tivesse um balão de ar era girar a 90º para noroeste e chegava lá, era sempre em frente.
Não é à toa que o site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, antes de se chamar IPMA.pt chamava-se METEO.pt porque está mais do que visto que era só metê-lo para saber as exactas condições atmosféricas ao segundo. A meu ver METEO era um nome mais pomposo, mas que sei eu disto? Eu sou apenas uma mera mortal com gosto pelos pontos cardeais.