Um dos grandes medos da humanidade, mais especificamente, meu.

Eu tenho um grande medo. Aliás, eu tenho vários medos mas tenho um que vai além de todos os outros e chega mesmo ao ponto de me provocar ataques de pânico: campainhas.
De onde vem este pânico? Não sei. Talvez seja a mania da perseguição. Mas há 28 miseráveis anos que o tenho e cada vez que tocam no botãozinho irritante perco 5 meses de vida e borro-me toda. Nunca me hei-de habituar àquele som estridente que me faz serrilhar os dentes, põe-me o coração com taquicardias e a hiperventilar.
Há quem ache o som das sirenes de ambulâncias um mau pronúncio, pois eu cá acho as campainhas piores ainda, porque sabemos de antemão que é para peditórios, ou calamidade das calamidades, os comerciais da Zon ou da Meo. Tenho para mim, que estes comerciais são representantes do demónio na Terra e que andam a ceifar umas quantas almas para Belzebú.
Quando os filhos da mãe tocam à porta, eu e o Abade entramos em modo 1, 2, 3 macaquinho do chinês. Ninguém mexe, ninguém fala, ninguém respira, ninguém sequer manda uma bufa ninja até que eles cedam ao facto de que há gente em casa mas que ninguém lhes vai abrir a porta. Mesmo que dois segundos antes o chão estremecesse ao som de um bom Baixo.
Mas o verdadeiro terror é o dia da reunião de condomínio. Essa seita malvada que desata a tocar às campainhas dos condóminos a informar que a reunião está prestes a iniciar e que todos deviam comparecer porque se tratam de assuntos comuns sem interesse nenhum para ninguém em particular. 
Nesses dias não se janta, não se liga uma luz, não se fala e só se vai passear o cão quando já não há vestígios do sacrifício humano, ou seja, a eleição dos novos administradores.
Tenho fugido por entre os pingos da chuva durante seis anos, por isso, sempre que me tocam à campainha eu penso que é a terrível notícia de que este ano serei a nova administradora e eu não aguento com notícias assim tão fortes, eu tenho um coração de passarinho.
Após pesquisa no Google chego à conclusão de que não existe nome científico para esta minha fobia. Talvez seja a única, uma espécie em vias de extinção, uma edição limitada? Por isso apressem-se nas vossas licitações, para tal, basta solicitarem o meu número da conta bancária por e-mail.

14 comentários:

  1. Tenho pena que escrevas pouco....
    Fizeste um post fantástico, onde dizes 3 coisas em 26 linhas que o comum dos mortais escreve numa frase! Isto é arte!! :)

    Beijinhossssss******************

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    1. A culpa é do trabalho que me tira a paciência toda de vir ao pc :-P
      Mas, ah e tal, obrigado pelo elogio ehehhe

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  2. Há anos que tenho a campainha desligada. Remédio santo :-)

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    1. Como é que se desliga uma campainha? Corta-se o fio? Olha que até não é uma má ideia.

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    2. A minha pifou e não pus nova mas tenho muitos amigos sem campanhia. Como se desliga, não sei. O pessoal não curte :)

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  3. Faz como eu, desde que estou naquela casa que a campainha avariou, misteriosamente.... :):)

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    1. Mau. Atão querem ver que eu sou a única que tem uma campainha ligada??????

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  4. lol
    as testemunhas de Jeová tenta converti-las a um culto satânico qualquer.
    aos vendedores da meu tenta vender-lhe os produtos da zon e de outros operadores e vice versa.
    quanto ao condominio dizes que es contumaz e apatria, mas nunca mostres o C.C. ou o B.I. nem a C.C. a ninguem.

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    1. Eu não mostro é o meu C.C. a nenhum comercial de telecomunicações que os gajos fazem logo uma venda enquanto o Diabo fecha um olhos, xispa!

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  5. Não. Não és a única. Se bem que no meu caso/da minha família, não é medo mas sim uma falta de vontade de aturar pessoas no geral, sabendo-se sempre de antemão que nada de interessante viria ao abrir a porta.
    Nos nossos tempos de moradores num prédio de apartamentos numa das ruas mais movimentadas da cidade (leia-se, com maior existência de arrumadores de carros com mau aspecto que nas horas livres tocam às campainhas para pedir dinheiro/comissões de festas/peditórios para associações duvidosas/comerciais disto e daquilo), havia todo um red alert que se iniciava muitas vezes ainda antes do toque à campainha da porta de casa. Começava logo entre o toque à campainha da porta do prédio (que, eventualmente, alguém iria abrir) e o barulho do elevador a subir. Apagavam-se luzes, calavam-se as pessoas, tirava-se o som à televisão e qualquer movimento brusco era repreendido.
    Em criança, adorava esses momentos. A adrenalina era fantástica!

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    1. Menos mal que por aqui não há pedichiches com gajos com mau aspecto. Aqui a malta pede mas sempre de fatinho e super apresentável, assim até dá gosto dar qualquer coisita ehe

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  6. Oh coitadinha de ti. O dia da reunião de condomínio é daquelas coisas das quais toda a gente foge.

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    1. Agora só para o ano. Até transpiro só de pensar.

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  7. Como te percebo. Na minha estão sempre a tocar para publicidades e coisas que tais.
    Quem me dera saber desligá-la -.-

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