Deixem-me ser uma mártir do consumismo. Eu aguento! Juro que aguento.

Eu não precisava. Mas uma vozinha dentro de mim que já há muito que não se manifestava decidiu que a Black Friday era o momento oportuno para comprar algo que eu não precisava para nada e foi nesta ideia que surgiu a ideia de adquirir um tablet, uma coisa entre um telemóvel e um computador portátil, extremamente inútil mas incrivelmente fofa.
E, se de início, fiquei na dúvida sobre a utilidade de um tablet agora tenho mesmo a certeza que é deveras importante para os meus momentos de reflexão na casa de banho onde às vezes o telemóvel me falhava porque as peças do Candy Crush são um bocadinho pequenas e perdi algumas vidas devido a isso.
Mas como eu já sei como sou, assim que o paguei e saí de saquinho na mão, olhei para o Abade e decidi que era nele que iria pôr as culpas do meu consumismo, e disse-lhe tranquilamente 'sabes morzinho, eu comprei isto mas não é só para mim, é também para ti. Para o levares para o trabalho quando der futebol para veres, porque eu sei que gostas. Isto é para os dois'.
Ora, quem tem o prazer de me conhecer repara logo nos cinco primeiros minutos que eu abomino desporto, mais concretamente futebol. Por isso, assim que eu disse esta frase o Abade viu a vida a andar para trás.
Eu, logo eu, que quando tenho um gadget informático novo em folha nas minhas mãos até durmo com ele e dou-lhe beijinhos, dei por mim a empurrar o tablet para o moço, entre uns 'vááá, leva. Eu sei que dá futebol' e uns 'não posso, não tenho tempo para ver isso no trabalho' lá consegui obrigá-lo a levar o tablet para o trabalho e fiquei a tarde toda a chorar a ausência dele. Do tablet, diga-se.
Ele acabou por não ver nada, mas eu fiquei com a consciência mais leve. Tão leve que eu achei que devia dar-lhe um bocadinho mais de peso. E o que é que eu fiz? Fui dar 30€ por uma capinha extremamente inútil, mas tal como o tablet, incrívelmente fofa.
Tenho agora de obrigar o Abade a utilizar mais uma vez o aparelho porque a minha consciência está ao nível dos pés e eu não consigo dormir descansada.

Querem segredos? Eu dou-vos segredos escandalosos

Existe por aí um blog que reúne segredos ditos em forma de post, parece que a malta escreve os podres através do e-mail, enviam, eles colam o texto numa imagem e publicam, todos sabemos que blog é mas não me está a apetecer fazer publicidade gratuita até porque não me pagam para isso.
Ora, isto é um conceito que não me entra na cabeça porque eu sou uma boca de trapos e não consigo guardar segredos muito bem e, se às vezes, o simples facto de manter a boca fechada sobre a prenda ou surpresa de alguém é coisa para me deixar com palpitações eu nem quero imaginar o que é viver com um segredo durante uma vida. Maneiras que decidi compilar aqui alguns dos meus segredos que não são segredos, porque eu não tenho segredos mas não vou usar imagens paneleiras porque isso já roça o indecente e eu sou uma moça com alto sentido estético.

Segredo 1: Quando era miúda queria ter bigode. Ficava fascinada com o meu avô a fazer o bigode com a gilette até ao dia em que ele virou costas eu agarrei na dita, fiz o buço e cortei-me. Ganhei uma cicatriz, uma palmada na peida e uma história gira. Hoje sou adulta e só queria que este filho da mãe desaparecesse!

Segredo 2: Descobri no guarda-fatos dos meus pais uma cassete chamada Labirinto Anal. Lampeira como sou, pensei que fosse um jogo e toca de por no leitor. Fiquei a saber que o cú serve para mais coisas do que para cagar. Estive de trombas três dias com os meus pais até que lhes contei e apanhei uma palmada na peida por mexer onde não devia.

Segredo 3: Adoro experimentar sensações novas. A melhor delas foi juntar os atacadores de ambos os ténis e começar a descer escadas. Escusado será dizer que vim por ali abaixo e só parei depois de comer as escadas todas com as costas. Desde aí comecei a ter atenção, evito-me de fazer desportos e... levei uma palmada na peida.

Se eu quisesse conseguia descobrir ainda mais coisas secretamente estúpidas da minha vida, mas vocês ficariam com uma ideia pior do que já têm sobre mim. Assim sendo, eu vou revelando informações preciosas aos poucos, para que vós, meus coscuvilheiros, tenham tempo de digerirem a informação e continuarem a achar que eu sou impecável.