Hmpf...

Hoje é o meu penúltimo dia de férias e só me apetece atirar-me para a frente de um carro para ficar mais uns dias em casa a trabalhar para o ócio.
Lá vou eu entrar em modo piloto automático, com as respostas monocórdicas de sempre. Sim. Não. Talvez. Em princípio. Vá para a púncia. Tem de aguardar a resposta.
Gostava de trabalhar numa morgue, ou numa funerária. As coisas são calmas. As pessoas não estão vivas. Podia ouvir uma música e podia pintar as unhas da cor que bem me apetecesse. O máximo de interacção com humanos seria para dizer "lamento imenso" ou "compreendo perfeitamente a sua situação" frases que já digo vezes e vezes sem conta com a diferença que se calhar começavam a ser ditas com intenção. Precisava mesmo de um trabalho novo, mas a culpa é minha. Acomodo-me. Porque vejo o panorama tão negro que vou mudar para quê? Para ser mais explorada? Deixo-me estar onde estou, ao menos gosto dos meus colegas.
Estou deprimida, mas também sei que na quarta-feira assim que começar a trabalhar esta depressão passa e eu transformo-me, porque apercebo-me que gosto de lidar com pessoas, que se aprende bastante e de bónus ainda sabemos de histórias engraçadas.
Acho que o meu problema é que não gosto mesmo de trabalhar e só me lembro disso quando estou de férias.

Are you alive? How does it feel to be alive?

Como colocar em palavras aquilo que não é possível colocar? Talvez começando por dizer que nunca fui fã de Metallica, conhecia a Entersandman e a Nothing Else Matters e bastava-me.
É certo que nunca tive a inclinação da moda para o rap, pops e afins. Na adolescência sempre fui mais ligada ao punk, destacando-se Offspring e Pennywise, e numa outra vertente, adorava (e adoro) Pink Floyd, Queen, Deep Purple, Guns entre outros do mesmo género. Mas a verdade é que depois de ter conhecido o Abade tudo mudou. Posso dizer que conhecê-lo fez-me evoluir musicalmente e em assuntos paneleiros do coração também, mas isso são conversas demasiado rabetas para este post.
Como sou dotada de um bom mau feitio, quando ele começou a tentar converter-me a um Metal mais pesado a minha primeira reacção foi resistir, não gosto da mudança, de sair da minha zona de conforto. Não gostava, era muito barulho, a voz do James irritava-me e também não ajudava o facto de o Abade tentar fazer-me gostar daquilo com a música em altos berros com uma distorção enorme. Mas por ele decidi dar uma segunda oportunidade a Metallica. Cheguei a casa e comecei a pôr os álbuns, um a um, no discman e depois de os ouvir, renasci. De repente, Offspring e Pennywise pareciam-me um bando de putos a dar ali umas guitarradas malucas à toa. De repente, tudo aquilo que eu tinha gostado desde que me lembrava até aos 20 anos tinha mudado. De repente, a minha verdade tinha mudado e eu não podia fazer nada contra isso.
E assim mantenho-me até hoje. Não consigo viver sem Metallica e não consigo ouvir um álbum no volume baixo. Posso dizer que é a minha religião e o James Hetfield o meu deus, porque a música que eles criam não é música, é vida. Cada acorde, cada rift, cada timbre na voz do James arrepiam-me desde a ponta do cabelo à ponta dos dedos dos pés. E desde aí nunca perdi um concerto deles em Portugal. E se no outro dia até tinha agradecido o facto de não ter gasto 10€ no bilhete para ir ao cinema, hoje digo exactamente o inverso, e vou repetir a experiência.
O que dizer de Metallica: Through the Never? Que é uma experiência extra-sensorial. Eu não vi um concerto, eu fui transportada para dentro de um. Eu estive lado a lado com cada membro da banda. Foi uma experiência surreal, maravilhosa e nítida com uma qualidade de som espectacular.
Acho que ontem deixei o meu coração na sala IMAX do Colombo e hoje tenho de regressar para o ir buscar.

Ódio, muito ódio que por aqui anda

Se as Sextas-Feiras 13, fossem às Quintas-feiras 26 eu diria com todo o gosto que isto é um dia de azar.
Sinceramente, eu acho que isto foi agoiro do Abade que gozou hoje o seu último dia de férias, estando o dia inteiro a lamentar-se que eu ainda estava de férias até segunda, mas eu não lhe posso dizer isto directamente senão apanho no focinho. Adiante.
Quando hoje me levantei estava cheia de força, tinha as pernas eléctricas e o pito assado dos 15km que andei de bina sem que me saltasse um pulmão pela boca com o cansaço, por isso sentia-me impecável. Já tínhamos programado ir ao Colombo ver o filme Metallica: Through de Never e apesar de estar em pulgas para ver qualquer coisa relacionada com Metallica não me estava nada a agradar largar 10€ por um bilhete de cinema IMAX, que é como quem diz, uma forma elegante de roubar dinheiro. Mas, apesar disso estava entusiasmada. Lá fomos, estacionámos o carro longe para burro, como daqui a Belas, tudo para não pagar parquímetro porque já que me iam enrabar no bilhete não me iam enrabar no parque. De qualquer das maneiras fui enrabada à mesma porque ao chegar à bilheteira e abro a carteira o cartão multibanco não estava. Gastei gasóleo para ir ao Colombo porque a treta do filme apenas está disponível em IMAX e na volta, toma, voltas para casa e não bufas.
Chegados ao destino, olho de esguelha para o meu Twingo e vejo algo diferente! Foda-se! Roubaram-me o tampo da gasolina. Que cabrões! Fiquei 5 minutos a olhar para o carro a repetir "Não acredito que me roubaram aquilo. Não acredito que me roubaram aquilo". Parecia uma atrasadinha mental é que o que era. Mas como eu não sou de me ficar, sei que existem mais dois twingos aqui na zona e fui à procura deles mas ambos eram de cor diferente e tinham o respectivo tampo. Como se isto não bastasse ia levando com um ramo nos cornos com esta ventania que se faz sentir por aqui. Ainda fiquei 5 minutos a olhar para a árvore a pensar se a mandava para um certo sítio, ou não. Achei melhor não abusar da sorte não fosse cair-me um cagalhão de pombo mesmo no meio dos olhos.
Quando pensei que era impossível estragarem-me mais o dia, o que é que eu vejo?! Um anúncio dos ladrões da EDP que me deixou a pensar se lhes havia de mandar um e-mail a mandá-los para a piça ou não.
Mas que merda de anúncio é aquele que acha que a diversão para um homem se centra no trabalho e em diversão e a da mulher em trabalho e na família?! Mas que anúncio machista é aquele??!! Espero que os gajos do marketing tenham hemorróidas até à terceira geração e daquelas grossas e bem saídas da casca (ou neste caso, do cú).
E digo mais! Eu, que sempre paguei tudo certo e a horas àqueles gajos vou meter um alfinete no contador porque recuso-me a pagar electricidade para depois me espetarem nas trombas anúncios ranhosos e sem pingo de originalidade, mesmo a gozarem com uma pessoa.
Cabrões. Até tenho as veias das fontes aqui a papejar com os nervos! É hoje que tenho um AVC.

Isto é uma conspiração contra mim, é o que é

Eu nasci para lavar casas de banho. A sério. É uma coisa que me fascina ficar a esfregar aquilo horas intermináveis, ver a loiça a reluzir e ver os fungos que se metem nos azulejos a desaparecerem, gosto de imaginar que eles gritam por clemência e eu de escova dos dentes em riste besuntada em lixívia impiedosa, cruel, magnífica a limpar o sebo àqueles gajos. Atrevo-me a dizer que a minha casa de banho é tão purificada que se existisse uma nova aparição de Fátima seria na minha casa da banho. Adoro aquela divisão, dá-me bastantes alegrias diariamente.
Em contrapartida odeio limpar vidros! Um ódio tão profundo, tão primitivo que se eu pudesse partir as janelas à cabeçada só para não ter que as limpar, eu partia. Quer dizer, poder eu posso, mas possivelmente não vivia para contar a história. Por isso não é de admirar quando eu digo timidamente que lavo as janelas de ano a ano há sempre alguém que diz "Eh lá, és um bocado porcalhota, não?" e eu digo "Porcalhota o caralho! Não vês que aquilo é um trabalho ingrato e que no dia a seguir já estão todos cheios de surro ó estúpido".
Apesar deste ódio fofo, há dias em que acordo com a força do mundo nos braços e como que por milagre (eu continuo a dizer que a minha WC é perita em milagres) agarro no balde, no pano, no limpa-vidros e lá vou eu. Bumba, bumba sempre a limpar aquilo. Quando finalmente termino, vou tomar uma banhoca porque mando um pivete que nossa senhora nos acuda e massajar as costas com água quente porque limpar janelas desperta a velha raquítica que há em mim e fico toda marreca, eis quando chego à cozinha olho para o céu, que agora já consigo ver bem já que antes parecia estar um nevoeiro constante na rua, e vejo que de repente ficou com cara de chuva e trovoada.
Porra pá! Com tantos dias em que podia chover e eu já ando a pedir há uns dias evitando assim o meu suplício a limpar aquela treta, começa precisamente hoje o tempo de Outono?!? Eu juro! Juro que se chover nos próximos dois dias eu nunca mais lavo a porra das janelas. Hão-de conseguir fazer o teste do Carbono 14 nas minhas janelas quando eu for para a cova!

Desatino largar dinheiro e ficar com a sensação que foi mal gasto

É que foi exactamente isto que aconteceu quando vi num folheto da PizzaHut uma campanha nova. Allin1box, parecia aliciante, um menu enfarda brutos para três pessoas (sim eu sei que só somos dois mas comemos por quatro) composto por uma pizza média, uma lasanha, quatro asinhas de frango, dois pães com chouriço e dois pães de alho. Por 17€ parecia mesmo à medida para dois esfomeados como nós.
Eis que quando chega o estafeta à porta e passa-me a caixa eu fico logo com a sensação que vou ser enrabada, mas como ele não tinha culpa, paguei e fomos para a mesa.
Porra. Mal abro a caixa deparo-me com uns mini pães d'alho, uns mini-mini pães com chouriço, umas asinhas de frango demasiado vermelhas para o meu gosto e uma mini-lasanha com um ar mais rançoso do que as do Lidl. Mas afinal não estava assim tão mal. Estava pior. A única coisa que se realmente aproveitou foi a pizza, porque de resto era flagelar-me por ter sucumbido à publicidade enganosa do folheto, eu deveria ter desconfiado que era muita fruta.
Aquilo foi uma amálgama de sabores tão explosivos que não sei como é que não me deu um enfarto, a começar pelos pães com chouriço que eram mais pãezinhos de sal com côdeas de pão e raspas de chouriço. A lasanha sabia a ar. Os pães de alho estavam ensopados com tanta manteiga que ao pegar dobravam-se e partiam-se. As asinhas de frango... oh meus amigos, quem fez aquele menu ou estava com uma granda broa ou é pior do que eu na cozinha, aquilo estava tão, mas tão picante que só dei conta quando caiu no estômago e começaram a cair lágrimas de enxurrada pela minha fronha abaixo e vi a minha vida a andar para trás. Bebi 3 copos de água, comi um pão de alho, mas a coisa ficava pior, consegui acalmar os calores quando comi os restos de pão da pizza. Que mix do catano!
Pelo vosso colesterol, não gastem dinheiro naquele menu, gastem o dinheiro em duas pizzas familiares que ficam mais satisfeitos. Não façam como eu, que ainda choro o dinheiro gasto, até porque passei o resto da noite com fome e ainda hoje ando com comichão no cú.

Tanta coisa para fazer e eu sem vontade nenhuma

Estou finalmente de férias. O problema é que eu tenho tanta, mas tanta coisa para fazer que só de pensar dá-me vontade de ir trabalhar só para arranjar desculpa para não o fazer. Já se passaram dois dias e a única coisa que eu fiz foi estar no sofá a roncar, abrir de vez em quando a pestana e falar com Abade para que ele não se aperceba que eu adormeci senão começa logo a dizer que eu sou um cú de sono e que não lhe faço companhia nenhuma, mas o moço ronca que nem uma motoserra à noite e eu não consigo dormir um sono tranquilo porque aos sonhos junta-se o som e aquilo transformasse num filme de terror com um gajo munido de uma motoserra atrás de mim.
Mas agora a sério. Eu andava mesmo a dar as últimas no trabalho, ao ponto de ter dito na brincadeira a um cliente que ainda bem que no dia a seguir ia entrar de férias, caso contrário, um dia destes levava uma metralhadora e começava a dizimar toda a gente. Ele esbugalhou os olhos e foi-se embora num ápice. Cum catano, como eu estava a precisar de folga das mesmas fronhas que lá estão dia após dia, com as mesmas perguntas da treta, que já respondemos quinhentas vezes mas como não é a resposta que querem voltam lá vezes sem conta à espera da resposta que lhes agrade. Chatos. Era um taco de basebol e começar a rachar cabeças só por diversão.
Eu queria mesmo era ia à praia, mas para isso eu tenho de desbastar o matagal no pito e não me sinto com coragem. Queria ir ver as Galerias Romanas na Rua da Prata mas isso implica levantar muito cedo e não tenho paciência. Acho que vou aproveitar e ficar quinze dias seguidos fechada em casa para desenjoar do contacto humano em excesso. Já começo a treinar com o Abade que ele anda mudo que nem uma porta sempre a jogar Candy Crush Saga. Portanto tudo se encaminha para uns quinze dias à ermita.

Ainda estou à espera do Karma

Quatro meses depois deste post "Onde é que anda o Karma" continuo à espera desse cabrão.
Quatro meses se passaram desde que eu vi os meus avós e penso que a próxima vez que os irei ver será quando um dos dois morrer. Continuo com um ódio de morte à pessoa que se intitula meu pai, mas neste momento o que mais me dói é a desilusão que sinto pelo meu avô, ele que dizia que eu era a sua netinha querida, desde que foi para casa do filho nunca mais me telefonou e da única vez que liguei tratou-me com uma indiferença tão grande ao ponto de eu, com uma pilha de nervos, lhe dizer que ele parecia uma criança de 12 anos que não sabia o que queria.
A minha avó pelo que sei continua com demência e a achar que a situação é temporária e que dali a dois dias volta para a casinha dela. Pergunta pela neta. Porque é que agora nunca a vem ver. Pergunta pelas gatinhas. Onde estão? Porque é que não estão com ela. E o cacto? Pede pelo menos por dois dias trazerem o cacto para junto dela algo que lhe lembre da casa. Tudo perante uma resposta fria de que não o trazem e para esquecer as gatas. Quando tem ataques de lucidez, a minha avó chora porque se apercebe que já não tem nada seu e imediatamente dão-lhe Lorazepam para a acalmar, dizem eles.
Eu poderia ligar para a minha avó, mas ou tem o telemóvel desligado ou quando está ligado quem atende é o meu avô e nunca consigo falar com ela sem estar outra pessoa à escuta. É difícil e complicado porque não tenho por onde me mexer para falar e estar com ela.
As gatas foram despejadas para uma parente minha com a desculpa de ser só durante quinze dias que iam de férias para o norte, quando chegaram ligaram-lhe e disseram para fazer o que quisesse com elas porque não as iam levar, largam pêlo. Ainda bem que essa parente tem bom coração que perante a situação ficou com as gatas porque era incapaz de as abater (sugestão da besta do meu pai) ou abandoná-las.
O meu avô é tão cego ao ponto de não se aperceber que o único motivo porque o filho e a nora os levaram para casa deles foi o dinheiro porque felizmente (ou infelizmente) têm uma boa reforma. Os meus avós poderiam estar perfeitamente tranquilos na sua casa. Contratavam uma empregada-a-dias, não teriam de estar sobre o controlo de ninguém e a minha avó não se sentiria tão desamparada.
Quatro meses depois e o meu avô continua sem me ligar, sem uma notícia, tudo o que sei é porque consigo descobrir, porque eu só não descubro o que não quero mas quanto mais descubro mais desiludida fico.

Momento de reflexão: Os lindos tomates do meu cão

Como isto tem sido um Verão rigoroso e como o meu cão é demasiado peludo decidi levar o canito à tosquia. E se antes elogiavam o porte majestoso dele, o pêlo luzidio e sedoso agora a primeira reacção quando olham para ele é de contemplação pelas suas jóias de família, grandes, redondas, inchadas e roliças.
Cheguei a mandar uma foto da tomatada às minhas colegas de trabalho que desconfiavam da veracidade das minhas informações, claro que assim que abriram a imagem ficaram encantadas e histéricas com o macho canino cá da casa e quase que se atropelaram para o conhecer. Eu que sou eu, quando vou com ele à rua deixo-o sempre ir à minha frente para que eu possa tirar as medidas àqueles badalos pendurados, ora-para-cá, ora-para-lá, ora-para-cá, ora-para-lá, qual relógio para hipnotizar qual quê! Metam um par de tomates assim à frente de qualquer mulher e ela faz reset ao cérebro, o mesmo equivale para os homens porque eles são tão redondinhos que se assemelham a um par de maminhas pequenino, mas, ainda assim um par de mamas e pronto temos um reset também ao cérebro dos homens.
Estou aqui com uma ideia em mente. Pôr o Abade e a fera lado a lado e comparar qual deles está mais bem apetrechado, atrevo-me a dizer que talvez o Yoshi tenha vantagem porque o animal ainda é virgem e aquilo está bem guarnecido.

Neste momento ele está deitado no chão de barriga para o ar e os ditos todos à mostra, vocês já mereciam uma foto desta preciosidade, mas como eu penso no vosso bem estar mental e não quero que vocês passem a noite a sonhar com um bons tomates achei por bem não colocar, tudo em nome da vossa saúde mental, ou isso, então sou egoísta e não quero partilhar isto com vós.

Agora é que ninguém me pára!

Pela primeira vez em dez anos de trabalho sindicalizei-me!
Não sei se realmente vale alguma coisa, ou não, o que é certo é que cada vez o desrespeito pelos trabalhadores aumenta, a exploração aumenta, a precariedade aumenta. O patronato espezinha e o empregado aguenta porque precisa do seu emprego, precisa do dinheiro mas aquilo que precisamos mesmo é de saúde mental, coisa que nos dias que correm é cada vez mais rara, por isso, enquanto hoje estava no meu local de trabalho e recebemos uma visita do delegado sindical, eu, que sempre fui contra sindicatos, dei por mim a dizer "olhe dê-me cá uma folhinha porque ter as costas quentes nunca foi demais", após estarmos num aceso debate com clientes à espera com vontade de me enfiarem uma faca no buxo o gajo ainda me diz que eu deveria ser delegada sindical porque eles precisam é de gente que não tenha papas na língua e saiba falar.
Eu, que sempre fui de extrema direita associei-me agora aos sindicalistas comunistas, esses malandros, mas no que toca a emprego se eu cumpro os meus deveres também quero ter direito aos meus direitos e se tenho possibilidade de fazer valer os mesmos até vendia a minha alma ao demo se assim fosse necessário.

Espero agora que um dia, que deve estar para breve, que eu me passe dos cornos e der com uma rebarbadora na tromba de um cliente o sindicato me defenda porque o atendimento ao público mata a humanidade que existe dentro de qualquer pessoa, que, diga-se de passagem, em mim nunca foi muita.

Avante camarada, avante camarada! Na próxima manifestação estou novamente lá a marcar presença mas agora já terei direito à minha merendinha e ao meu copo de vinho porque já sou sindicalizada e tenho outro estatuto!

Devia ter estado quieta

Andava há milénios a tentar converter a senhora minha mãe ao maravilhoso mundo da internet e suas aplicações sociais e agora que finalmente a converti quero uma máquina do tempo para voltar atrás e dar-me um auto-pontapé no lombo na altura em que tive aquela ideia.
Nunca tive tanta notificação como agora, é likes em tudo, é mensagens, é comentários em tudo e a última das últimas deixou-me uma mensagem de boa noite numa página de amantes de gatos. A mulher apanha o rato na mão e é; bumba, bumba, bumba a clicar em tudo! Tudo o que é passível de clicar lá está ela a marcar presença.
Da última vez que falamos ao telemóvel estive duas horas a explicar que botõezinhos eram aqueles lá em cima ao pé da palavra Facebook, eu explicava e ela dizia "ahhhhh! ohhhhhh!" até que perdi a paciência e tive de passar ao Abade que (por incrível que pareça) teve mais paciência que eu.
É nestas alturas que eu vejo que daria uma óptima professora, a criança à segunda pergunta que me fizesse com a desculpa que não percebeu a resposta, pumbaaaaaa, levava logo um berro que andava 5 metros para trás.
Mas posso dizer orgulhosamente que ela já começa a dominar aquilo, tirando os pontapés na ortografia que ela manda, já não me manda mensagens de boa noite onde calha e até já sabe por em play as músicas do youtube. Resta-me ensinar-lhe a usar o Skype e a ir ao Redtube para se entreter.
Uma pessoa fica orgulhosa, de a ver crescer e aprender assim, é para isto que a gente vive!