No limiar da loucura

Passei esta noite em claro atormentada com uma notícia que li sobre uma cadelinha que morreu por levar um pontapé do dono, não consegui pensar em mais nada durante o dia inteiro. Trabalhei oito horas sempre com o que li no meu pensamento e sempre a conter as lágrimas que teimavam em saltar dos olhos quando me lembrava da imagem da cadela morta, encolhida com expressão de quem estava a dormir em paz.
A imagem atormentou-me o dia inteiro, e à noite, na cama não aguentei as lágrimas e chorei, caíram sem parar não apenas pela cadela mas por toda a crueldade a que os animais são sujeitos diariamente ao redor do mundo, quer por divertimento, quer para alimentação, quer por tradição, quer para vestuário. 
Chorei porque sou sensível à violência contra animais (e não só), chorei porque não compreendo como é que alguém consegue magoar um animal inocente e que é sempre visto perante a sociedade como um bem, chorei ao imaginar a dor deles, a solidão deles sem ninguém que lhes dê voz.
Sempre os tentei ajudar, mesmo em criança já resgatava as abelhas que caíam nos riachos e nunca me picaram, talvez estivessem em choque, talvez estivessem agradecidas por terem sido salvas, não sei, o que sei é que sempre que me é possível evito a morte de um ser vivo, porque eu respeito a vida.
O único pedido que eu tenho para o Universo (e se a reencarnação realmente existir) é que não deixe que esta vida de sofrimento seja a última, que sejam novamente enviados em liberdade, na natureza sem contacto com humanos cruéis ou então para junto de alguém que lhes mostre carinho e amor, porque ainda existem humanos com coração que lutam por eles.

Sinto-me esgotada psicologicamente e um bocadinho à beira da loucura porque sei que esta violência não tem fim e apenas tem tendência a aumentar. Anseio o dia em que a humanidade ganhe finalmente consciência  de que todos merecemos viver com dignidade.
Agradeço do fundo do coração às instituições que todos os dias lutam pelos direitos dos animais.

Conspiração Universal

Sabemos que o mundo afinal tem salvação quando atendo um senhor com uns 60/65 com uma camisola de Rammstein e eu lhe digo "boa camisola, bom gosto" e ele me diz "eu sei" com um grande sorriso!
E eu que pensava que o bom gosto degenerava com a idade, afinal não é verdade! Quando for velha jarreta vou andar de tetas pingonas mas vou continuar com bom gosto e se não estiver internada num manicómio irei andar a dar begaladas nos cornos dos putos que oiçam as músicas futurísticas (que certamente irão ser pops ainda mais apaneleirados do que já são).
Aproveito também para dizer que o Abade é um sacana que praticamente me obrigou a dizer a uma gaja da worten que me sinto uma cachalote, não é que eu esteja badocha, estou vá... roliça porque estes 5Kg a mais estão-me a fazer confusão aos neurónios, pois se por um lado as boobs estão mais roliças também a peida o está e assim não há maneira de enfiar este nalguedo no selim sem ficar com meia borda de fora e parar o trânsito com o meu cagueiro!
Como se isto não bastasse a worten não tinha o livro da Dieta dos 31 Dias (deve ser verdade, deve, comigo a comer pacotinhos de bolachas de chocolate deve ser a dieta dos 365 dias) e ao sair da loja sou abordada por um panasca a perguntar se encontrei o que procurava, disse-lhe que não e antes que ele fizesse mais perguntas despropositadas ia a fugir quando o parvalhão me pergunta o que tinha vindo à procura e o Abade lhe diz "era a Dieta dos 31 Dias, mas não havia", cum caralho, manda-me o gajo um granda berro para a colega "Não temos a Dieta dos 31 dias????" e pronto... basicamente a worten e atrevo-me a dizer que o Continente que está ao lado ficou a saber deste meu pequeno complexo que era facilmente resolvido se eu não comesse chocolates que nem uma porca.
Assim não vou longe...

Não fui talhada para isto!

Eu sei que irei falecer cedo porque sou uma gaja stressada e à mínima coisa rebenta-me a bolha e desato aos berros com toda a gente e se não houver gente berro com as paredes e dou pontapés nas cadeiras porque preciso de aliviar a  burrice com que me cruzo diariamente. O que eu não estou habituada é quando a burrice é minha.
Claro que quando agarrei na factura para dar a contagem da luz e ao fim de 15 tentativas a ligar e me dizem que não era possível dar a contagem pois o código de local estava errado eu liguei para o Abade e ordenei-lhe em tom levemente elevado para não me dar tarefas complicadas. O moço muito pacientemente disse-me para olhar para a factura e lhe dizer o que eu estava a ler.
Que raio! A passar-me um talho de parva quando eu sei perfeitamente ler, até que olho para o logotipo da empresa e leio "LisboaGas", fiquei em silêncio e ouço o hôme do outro lado "não me digas que agarraste numa factura errada?".
"Não! Claro que não, disparate! Achas mesmo?"
"Acho!"
E a chamada caiu. Vá... desliguei-a. Mas é muito complicado eu admitir a minha burrice, porque eu sou perfeita e se uma pessoa arranja um homem é mesmo para fazer estas pequenas coisas que fazem confusão à perfeita mente feminina!

Há-de pagá-las!!!

O Abade continua numa de se armar em ciclista e toda a gente já sabe o profundo ódio que eu nutro aquela gente que me ocupa a faixa de rodagem toda e jamais e em tempo algum eu iria enfiar a peida em cima do selim de livre vontade, jamais até ontem, quando aquele gajo me disse que nunca iria ter paciência para andar comigo de bina porque para além de eu não saber andar de bicicleta andava cinco metros e caía para o lado.
O que é que ele me foi dizer! Isso lá é coisa que se diga a uma pessoa que odeia ciclistas e exercício físico?
Se há coisa que eu não admito é que me digam que que eu sou uma nódoa a fazer exercício, porque fico ofendida! Aliás, atrevo-me a dizer que fico tão ofendida que chego a ficar sem fôlego!
Ora dito isto, obriguei-o a ir assistir enquanto eu andava bicla pois juro que o irei obrigar a engolir as palavras assim como quando engole terra quando afocinha no chão. Erro crasso! Primeiro que encontrasse o equilíbrio parecia uma avestruz aos ziguezagues enquanto guinchava como um puto a levar umas bordoadas no lombo. Mas lá me consegui endireitar e ficar toda orgulhosa (apesar de o Abade se desmanchar a rir e estragar a minha concentração) até que quando tento parar a gaja e salto do selim para meter as patas no chão bato com o quadro da bicileta mesmo em cheio no pipi!
Se ainda ficasse lesionada por fornicar muito até que era motivo de orgulho, agora ficar lesionada das partes baixas por fazer exercício é para mim motivo de grande vergonha e vexame e espero que ninguém que me conheça do meu dia-a-dia leia isto porque senão vai perder a pouca consideração que tinha por mim.
Só gostava que alguém me tivesse dito que existia quadros para homens e outros para mulheres e que a bicicleta era demasiado alta para mim, evitava este desconforto que me assola o íntimo...