A imagem atormentou-me o dia inteiro, e à noite, na cama não aguentei as lágrimas e chorei, caíram sem parar não apenas pela cadela mas por toda a crueldade a que os animais são sujeitos diariamente ao redor do mundo, quer por divertimento, quer para alimentação, quer por tradição, quer para vestuário.
Chorei porque sou sensível à violência contra animais (e não só), chorei porque não compreendo como é que alguém consegue magoar um animal inocente e que é sempre visto perante a sociedade como um bem, chorei ao imaginar a dor deles, a solidão deles sem ninguém que lhes dê voz.
Sempre os tentei ajudar, mesmo em criança já resgatava as abelhas que caíam nos riachos e nunca me picaram, talvez estivessem em choque, talvez estivessem agradecidas por terem sido salvas, não sei, o que sei é que sempre que me é possível evito a morte de um ser vivo, porque eu respeito a vida.
O único pedido que eu tenho para o Universo (e se a reencarnação realmente existir) é que não deixe que esta vida de sofrimento seja a última, que sejam novamente enviados em liberdade, na natureza sem contacto com humanos cruéis ou então para junto de alguém que lhes mostre carinho e amor, porque ainda existem humanos com coração que lutam por eles.
Sinto-me esgotada psicologicamente e um bocadinho à beira da loucura porque sei que esta violência não tem fim e apenas tem tendência a aumentar. Anseio o dia em que a humanidade ganhe finalmente consciência de que todos merecemos viver com dignidade.
Agradeço do fundo do coração às instituições que todos os dias lutam pelos direitos dos animais.