Digo "semi-braçadas" porque eu basicamente só sei nadar à cão com misturas de prego, ou seja, glu glu e ai-acudam-me-que-eu-tou-a-ir-ao-fundo.
Digo "sem medo de morrer afogada" porque tem estado sempre umas onditas ranhosas e eu morro de medo da água (tanto que raramente tomo banho), quando me bate uma onda pelo joelho já começo a dizer "Ai ò Abade anda aqui para ó pé de mim que já tou a ficar aflita"... normalmente, sou eu e as criançinhas à beira da água a correr até à ondinha e depois quando a ondinha vem, vamos todas a fugir à ondinha com gritinhos histéricos.
O Abade só passa vergonhas comigo.
E não sei, mas penso que foi da excitação de estar na água que quando chegou a hora de ir embora deu-me uma paragem cerebral (outra).
O Abade disse-me para esperar que ele andasse mais um bocadinho com o carro à frente para me dar mais jeito para entrar (reparai bem na subtileza do gajo para me dizer que eu estou gorda que nem uma texuga), ele anda um bocadinho com o carro e começa a rir-se para mim como quem diz "Vais ficar aqui na praia e eu vou-me embora minha porquita" pois a Didi desatou a correr, atirou o saco pela janela pra dentro do carro, abriu a porta (isto tudo e o carro em andamento) e saltou lá para dentro (grande mulher sim senhora... melhor que qualquer duplo de cinema).
O Abade parou logo o carro todo ofendido a perguntar-me se eu achava mesmo que ele me ia deixar lá, ao que eu lhe respondi "Claro, mortinho estás tu por te livrares de mim. Mas olha que não me vou facilmente"... maneiras que veio o caminho todo a abanar a cabeça sempre que olhava para mim.
Eu a pensar que tinha feito um acto heróico e ainda passei foi por maluca, ah claro... e isto fora as paxaxas que estavam a ver no parqueamento devem ter ficado a pensar "Ai coitada da rapariga, ele deixava-a cá... realmente os homens não valem nada".
E para terminar o dia, fomos ver A Origem, mas o Abade não percebeu nada... coitadito.