Carta à minha vizinha!

Cara vizinha,

Agradeço, desde já, a sua pronta informação no combate à poluição sonora deste prédio.
A sua preocupação apenas peca por uma coisa: limita-se a acusar as pessoas sem ter a certeza de que são essas pessoas a fazer o barulho.

Há, de facto, alguém nestes andares que teima em não levantar a cadeira e apenas limita-se a arrastá-la, eu sei porque também oiço os arrastares... mas lamento informá-la para seu grande desgosto que não somos nós.

Parece que para todos os males que sucedem neste prédio os culpados são os seus vizinhos de cima, pense outra vez porque está redondamente enganada.
Mas não se preocupe porque já andei a perguntar aos vizinhos se me ouvem a fazer barulho e estranhamente a senhora é a única que me acusa.

E caso não saiba, vou-lhe dizer uma pequena lei da física sobre o som: o som propaga-se em todas as direcções, desde a fonte sonora até aos nossos ouvidos (receptores) através de um meio material. Ou seja, o som não se propaga apenas na horizontal, e sim em todas as direcções.
Por isso, da próxima vez que ouvir barulho, lembre-se que poderá não vir directamente de cima.
Realmente já a antiga proprietária se tinha queixado que a vizinha de baixo lhe fazia a vida negra e mal comprámos a casa você veio-nos bater a porta a dizer que arrastávamos coisas durante a noite, quando nem sequer ainda cá morávamos.

Aliás, ela não foi a primeira pessoa a queixar-se da má vivência que a senhora dá. Também soubemos por vizinhos seus, que a senhora chegou ao cúmulo de andar a dizer a pessoas que vinham cá ver casas, que o prédio não valia nada, na esperança que não viessem para cá viver.

Não digo que não haja barulhos, porque os há, mas como estou centrada na minha vidinha, na maioria das vezes os mesmos passam-me ao lado... o que leva a acreditar que para tudo a incomodar é porque a senhora não tem mais nada para fazer do que andar a escutar às paredes.
E digo-lhe mais, a nossa cama rangia levemente quando nos virávamos durante a noite e decidimos comprar uma cama nova porque era capaz de ser chato para os vizinhos... como vê, não somos tão maus vizinhos como a senhora anda aí apregoar aos sete ventos.

Agora me bate na ideia, o que será da sua vida quando eu tiver um bebé? Vai mandar prender a criança?! Vai apresentar queixa quando a criança berrar com dores?? Tem muita razão quando diz que quando vivemos em propríedade horizontal devemos ter civismo no barulho, mas também deve saber que o problema de viver em propriedades horizontais em que a construção dos mesmos é má habilita-se sempre ao barulho.

Quer um conselho? Se não quer ser incomodada com NADA, sugiro-lhe, talvez, uma moradia. Coisa que nós até estamos a pensar comprar só para não ter vizinhos inconvenientes.
Para finalizar... se ao acabar de ler esta carta achar que ainda deve fazer valer os seus direitos e ir apresentar queixa, está no seu direito... mas aí também eu estarei no meu e apresentarei queixa de si por difamação e calúnias.

Atenciosamente,

Os seus vizinhos “barulhentos” do 2º A


Ai eu... e vou-lha espetar na porta, ai vou vou.

8 comentários:

  1. Estava mesmo a pensar nisso. Está tão bem escrita que até eu que não tenho nada a ver com isso me está a apetecer pôr-lhe a carta na caixa do correio ou enfiá-la por debaixo da porta! Haja paciência! lol

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  2. Vai lá espetar-lhe com essa carta e depois vem contar a reacção da mulher lol
    Que raio de vizinha!

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  3. Olha que se eu fosse a ti, espetava mesmo...

    Bjx

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  4. Muuuuuito bom!!!!!!!
    Amei a tua carta, acho que deves mesmo colocar a dita carta na tromba da vizinha.
    Realmente,é com cada uma.......

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  5. Sim, essa não pode deixar de ser enviada! irrita-me tanto esse tipo de gente... eu tenho um vizinho da frente, e atenção que é moradia, que sempre que chegamos a casa ele vem à porta, é o verdadeiro cão de guarda...

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  6. A tua vizinha, se vivesse na minha casa há uns anitos atrás, é que havia de gostar.
    Temos góticos ao lado, que gostam de ouvir aquelas músicas que parecem pessoas a regurgitar.
    Os de baixo costumavam encher a casa de malta, arrastar sofás, e punham-se a rezar todos juntos (rezavam ave-Maria à meia-noite, em uníssono, nunca percebi isso!).

    Na altura, eu estava grávida e doida para descansar.
    Uma vez, já desvairada, levantei-me da cama, fui à sala, e bati com o pé com tanta força no chão (eram os do andar de baixo!), que fiquei coxa por um dia. eheheh

    Mas tudo passou... O miúdo nasceu e agora já tem 5 anos.
    Como o karma é um boomerang, agora somos nós os barulhentos do prédio. :))
    Quando saímos, até sinto a malta a respirar fundo de alívio. :))

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  7. É uma merdinha ter vizinhos barulhentos... felizmente o casal com 7 filhos do meu prédio saiu de cá ha uns meses.

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  8. Então e ela??? O que disse?? O que fez???

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